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Brasil precisa investir mais em capital de risco

Em palestra na Unindus, Willian Bygrave fala do crescimento do
empreendedorismo americano pelo investimento em capital de risco

O Brasil está em último lugar entre os 40 países que investem em capital de risco. O dado consta de uma pesquisa divulgada por Willian Bygrave, em palestra na manhã desta quarta-feira (09), em Curitiba, promovida pela Unindus, a Universidade da Indústria, do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). Bygrave, idealizador da bolsa eletrônica Nasdaq, falou sobre Venture Capital e disse que este tipo de investimento está ligado à abertura anual de 3,5 milhões de empresas nos Estados Unidos.

De acordo com ele, investir em negócios que estão iniciando nos Estados Unidos é praticamente cultural justamente pela valorização aos novos empreendimentos. “Nós valorizamos a dignidade do conhecimento prático. Todos podem inovar, mas o segredo está na comercialização dessa inovação e na sua propagação nacional e mundial”, diz.

O diretor da Unindus, Marcos Mueller Schlemm, atribui o baixo investimento em capital de risco no Brasil à falta de esclarecimento sobre o assunto. Além disso, segundo Schlemm, o Brasil é muito criativo, mas não inovador já que contribui com somente 1% na economia mundial. “O brasileiro é empreendedor, mas não sabe onde buscar o dinheiro para começar o seu negócio. O investimento de risco é uma maneira de alavancar o empreendedorismo no país”, diz.

Doutor em Administração e Física e especialista em capital de risco com o maior número de publicações no mundo, Willian Bygrave divulgou dados de pesquisas que mostram que o capital inicial para se abrir um negócio nos Estados Unidos gira em torno de US$ 54 mil. De acordo com esta mesma pesquisa, metade dos investidores afirmam receber o retorno deste investimento. Os incentivos fiscais também são maiores o que não acontece no Brasil.

Grande parte dos investimentos em Venture Capital vem das famílias. A pesquisa aponta que 41% são oriundos da base familiar: tios, pais ou primos apóiam as iniciativas dos empreendedores formados por grande percentual de jovens. Entre os negócios que mais levaram os investimentos são aqueles ligados à internet. Em 1998 foram investidos US$ 3 bilhões, 17,1% do capital de risco. Em 2000, esse montante saltou para US$ 47,86 bilhões ou 46,5% do capital de risco investido no país.

Schlemm afirma que a mentalidade brasileira pode mudar, é uma questão de tempo e acesso às informações. “Precisamos conhecer as políticas que deram certo lá fora para gerarmos essa cultura aqui no Brasil”. No evento foi apresentado o Projeto Bovespa Mais, da Bovespa, e do Projeto Inovar, da Finep, que mostraram as novas opções de investimentos e apoio aos novos empreendimentos no Brasil.

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