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Orbis vai gerenciar Rede de Observatórios do Brasil

Orbis vai gerenciar Rede de Observatórios do Brasil

Observatório de Indicadores de Curitiba completa dois anos e foi considerado referência no Fórum Urbano Mundial, realizado no Canadá


O Observatório Regional Base de Indicadores (Orbis), com sede em Curitiba, foi o escolhido para gerenciar a Rede de Observatórios do Brasil, que será criada ainda este ano para fortalecer os observatórios urbanos, estabelecer parcerias, trocar experiências e ajudar na obtenção de recursos e financiamentos. A decisão foi tomada durante uma reunião do Fórum Urbano Mundial, que terminou na última sexta-feira (23) em Vancouver, no Canadá.

O Orbis foi o escolhido para iniciar o trabalho de mobilização por ser o mais consolidado dentre os participantes. A proposta prevê que a cada ano um observatório gerencie a rede. A principal função do Orbis é criar e propor ações de estímulo à Rede e à formação de parcerias. A coordenadora executiva do Orbis, Luciana Brenner, afirma que um dos primeiros passos é a reunião entre os coordenadores dos observatórios, o Ministério das Cidades, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e buscar apoio à Rede. “Nosso principal intuito é criar uma integração entre os observatórios existentes, fortalecendo a atuação e trocando experiências”. Participaram do encontro as coordenações dos observatórios recém-instalados em Belo Horizonte (MG) e Nova Iguaçu (RJ), além de representantes dos observatórios urbanos do Chile, Equador e México.

Durante o evento, Luciana Brenner atuou como comentarista e analista em um encontro sobre observatórios urbanos da América Latina. O Orbis – que há dois anos organiza e analisa indicadores sociais e econômicos dos 26 municípios da Região Metropolitana de Curitiba – é um dos mais consolidados observatórios da América Latina, juntamente com o do Chile, México e Guadalajara, e o único financiado com recursos da iniciativa privada.

Antes do início do Fórum Urbano Mundial, em um encontro paralelo, Luciana Brenner apresentou a especialistas em indicadores de sustentabilidade urbana de todo o mundo o trabalho realizado pelo Orbis na utilização de indicadores para provocar ações. Exemplo disto é o projeto “Círculo Paranaense dos 8 Jeitos de Mudar o Mundo”, que tem como objetivo antecipar o alcance dos Objetivos do Milênio para 2010, cinco anos antes do prazo previsto pela ONU. “Queremos mostrar que os indicadores não são apenas números, mas refletem a realidade de uma região. Eles podem, e devem, ser utilizados pela  sociedade e poder público para a tomada de decisão e formulação de políticas”, defendeu Luciana.

Para o evento, que teve sua primeira etapa encerrada no início de junho, o Orbis fez um levantamento dos indicadores de sustentabilidade em cada uma das regiões do Estado onde foram realizados encontros. Os dados foram disponibilizados aos participantes e servirão como uma ferramenta a mais para os gestores promoverem o desenvolvimento regional e formularem políticas públicas.

O trabalho do Orbis com indicadores teve início em 2004, quando o Observatório começou a mapear indicadores das metas do milênio, na Região Metropolitana de Curitiba, como intensidade de pobreza, taxa de alfabetização, taxa de mortalidade infantil, taxa de mortalidade materna, incidência de Aids, entre outros. Em 2005, o mapeamento se estendeu para o restante do Estado e teve como objetivo apontar as áreas mais carentes ou críticas que mereciam receber a intervenção imediata de organismos públicos. “O mais importante é que as pessoas tenham acesso à informação, que essa informação seja fácil de ser interpretada e contribua para um conhecimento melhor da realidade que nos rodeia”, destaca a coordenadora executiva do Orbis.


Experiência com indicadores


Trabalhar com indicadores e comunidades não é uma experiência recente. Desde 1996, o Instituto Paraná Desenvolvimento (IPD) – instituição que tem como objetivo identificar e desenvolver idéias inovadoras que possam contribuir para o desenvolvimento do Paraná – desenvolve metodologias para identificar e levantar indicadores que possam espelhar a situação econômica e social de regiões como ponto de partida para ações que melhorem as condições existentes. De acordo com o diretor executivo do IPD, Carlos Alberto Del Claro Gloger, estes índices permitem avaliar o resultado das ações desenvolvidas e as correções necessárias. “Percebemos que a solução para os problemas deveria surgir na própria comunidade em que eles acontecem. Neste sentido, os indicadores são uma ferramenta de embasamento de políticas públicas e uma forma de conhecer a realidade em que vive”, diz.

Em 1996 o IPD desenvolveu o projeto Ambientes Privilegiados de Negócios (APNs) / Indicadores de Qualidade de Vida (IQV), que teve como objetivo envolver as comunidades na solução de seus problemas, na busca de melhores condições de vida e de um desenvolvimento sustentado. O projeto foi apresentado em 17 municípios no Paraná, resultando em iniciativas locais consolidadas (Fóruns de Desenvolvimento Locais). Foi a partir deste projeto que o IPD desenvolveu metodologias para identificar e levantar indicadores.

“O IPD, convencido de que não se pode medir o desenvolvimento de um país somente através de índices econômicos, como PIB (Produto Interno Bruto) e renda per capita, mas também com a utilização de índices mais abrangentes que considerem o capital social e o meio ambiente, motivou a realização de uma conferência de indicadores de desenvolvimento sustentável”, lembra Gloger. Em 2003, Curitiba sediou a Conferência Internacional de Indicadores de Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida (ICONS), que propôs a criação de um observatório para acompanhar a evolução dos indicadores no Brasil.

Em fevereiro de 2004 o IPD, juntamente com o Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), criou o Observatório Regional de Indicadores de Sustentabilidade para monitorar a situação na Região Metropolitana de Curitiba. Nestes dois anos, o Observatório utilizou a experiência do IPD de trabalhar com os índices de sustentabilidade e estendeu sua área de abrangência para todas as regiões do Estado.
“Mesmo estando no período inicial de suas atividades, o Orbis já vem contribuindo com os municípios paranaenses ao apontar, por meio de seus indicadores, as áreas que merecem receber a intervenção imediata de organismos públicos”, afirma Gloger.


Parceria – O Orbis é uma iniciativa do IPD, apoiado pelo Sistema Fiep e certificado pelo Observatório Urbano Global da Organização das Nações Unidas (ONU). É integrado à Rede Mundial de Obser¬vatórios do Habitat – Programa das Nações Uni¬das, representando a primeira experiência mundial de observatório urbano com apoio de entidades empresariais a buscar condições dignas de vida para todos. Tem a missão de contribuir com a promoção do desenvolvimen¬to sustentável, em parceria com atores sociais, públicos e privados, organizando e monitorando sistemas de indicadores de sustentabilidade; produzindo estudos, análises e conhecimento; apoiando processos de reflexão e a tomada de decisão sobre os rumos do Paraná.

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