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Maior entidade empresarial do Paraná completa 62 anos. Federação das Indústrias reúne 96 sindicatos, que representam 30 mil indústrias e respondem por 500 mil postos de trabalho

Maior entidade empresarial do Paraná completa 62 anos


Federação das Indústrias reúne 96 sindicatos, que representam 30 mil indústrias e respondem por 500 mil postos de trabalho


A Federação das Indústrias do Estado do Paraná completa 62 anos nesta sexta-feira, 18 de agosto. Composta por 96 sindicatos, que representam 30 mil indústrias, responsáveis por 500 mil postos de trabalho, a Fiep é a maior entidade empresarial paranaense. Nos últimos anos, a Federação tem trabalhado pela conscientização do empresário buscando o seu envolvimento nas lutas em defesa dos interesses da indústria.

“O momento histórico exige de nós, empresários, um salto qualitativo em termos de participação. Estamos sendo chamados a assumir plenamente a condição de cidadãos, o que significa atuar também como agente político”, afirma o presidente da Fiep, Rodrigo da Rocha Loures. Nesta linha, a Federação liderou este ano a criação do movimento Ação Política Empresarial, lançou o Guia do Voto Responsável e junto com outras entidades criou o Portal da Democracia, espaço aberto de debates sobre temas de interesse nacional e que servirá também para o acompanhamento da atuação dos políticos eleitos.

“Esta nossa atuação tem como principal objetivo buscar as mudanças que o Brasil tanto necessita para retomar o crescimento”, diz Rocha Loures. Segundo ele, por conta da condução equivocada da política econômica que privilegia o sistema financeiro em detrimento da produção, a indústria não está conseguindo cumprir o seu papel que é de crescer e fazer crescer.

Ele cita o exemplo da evolução da produção física da indústria brasileira comparada com o crescimento do PIB de 1991 a 2004. Enquanto o PIB no período cresceu a uma média de 2,5%, o crescimento da atividade industrial no mesmo período foi de apenas 1,76% em médio ao ano. “O crescimento do PIB já foi pequeno e o da produção industrial foi menor ainda, o que revela um processo de desindustrialização”, observa Rocha Loures.

Além da luta por mudanças, a Fiep por meio de suas instituições – Sesi, Senai e IEL – trabalha pela melhoria da produtividade e competitividade da indústria, qualificando os trabalhadores, estimulando a inovação, aproximando o setor empresarial do ambiente acadêmico e apoiando as empresas em ações que promovam a melhoria da qualidade de vida de seus funcionários. Estas instituições, juntas, formam o Sistema Fiep, totalmente mantido e administrado pela iniciativa privada.


Evolução da indústria paranaense


A industrialização do Paraná começou com o beneficiamento da erva-mate em 1820. A indústria ervateira entrou em declínio em 1920 em função das medidas protecionistas adotadas pela Argentina, que passou a plantar e refinar o produto. Na mesma época ganhou força a indústria madeireira.

1940 foi a década do boom cafeeiro. Já os anos 60 marcaram o processo de concentração da indústria brasileira. As grandes indústrias paulistas provocaram a falência de fábricas caseiras. São Paulo passou a ser o estado industrial e o Paraná o estado fornecedor de matéria-prima agrícola.

Iniciou-se, ainda na década de 60, uma política de fomento à industrialização do Paraná, cujo marco foi a criação da Companhia de Desenvolvimento do Paraná (Codepar), depois transformada em Banco de Desenvolvimento do Paraná – Badep.

Nos anos 70 o Estado experimentou um boom econômico, aproveitando a situação nacional favorável, acrescida das vantagens internas de infra-estrutura. Com isso, a economia paranaense apresentou forte dinamismo e progressiva diversificação, com a modernização da agropecuária e a modificação da base produtiva, com grande expansão de lavouras de soja e trigo e declínio do café e algodão.

Houve substancial ampliação e modernização estrutural, com a introdução de novos segmentos (mecânica, material elétrico e de comunicações, material de transporte, refino de petróleo e fumo) e a diversificação dos gêneros tradicionais (especialmente madeira e produtos alimentares). Nesta época destaca-se a instalação da Refinaria Getúlio Vargas, em Araucária, e a criação da Cidade Industrial de Curitiba (CIC).

Nos anos 80 ocorreu uma desaceleração desta tendência de forte expansão e diversificação da economia estadual iniciada na década de 70. Embora tenha apresentado desempenho moderado, a expansão econômica relativa foi superior à nacional, com um crescimento médio do Produto Interno Bruto de 5,6% ao ano, contra 2,9% da economia brasileira. Apesar disso, foram poucos os segmentos a demonstrar impulso, ao passo que as crises determinaram a elevação dos níveis de ociosidade em diversos setores.

No período pós Plano Real iniciou-se um novo processo de diversificação da estrutura produtiva paranaense, derivado da ampliação do raio de localização de algumas atividades industriais, reduzindo a concentração de renda do setor secundário no centro dinâmico do país, representado principalmente por São Paulo.

O aproveitamento pelo Paraná das oportunidades abertas pelo movimento de desconcentração industrial refletiu também as vantagens de infra-estrutura do estado (física, científica e tecnológica) e geográficas (localização privilegiada em relação à região Sudeste e ao Mercosul), além da utilização de instrumentos institucionais, principalmente de natureza fiscal, para a atração de empresas.


A participação do Paraná na indústria brasileira


A participação do Paraná no Valor da Transformação Industrial do Brasil saltou de 5,2% em 1996 para 6,8% em 2003, em contraposição à queda de 49,4% para 41% do estado de São Paulo no mesmo período. Nos demais estados da região Sul foram registrados aumentos de participação inferiores ao do Paraná, com elevação de 4,5% para 4,6% em Santa Catarina e de 7,7% para 8,1% no Rio Grande do Sul.

O dinamismo industrial do Paraná pode ser comprovado também pelas altas taxas de crescimento dos últimos anos. De 2000 a 2003, o Produto Interno Bruto (PIB) da indústria de transformação do Paraná evoluiu a uma taxa média de 4,1% ao ano, superando o desempenho do setor secundário nacional, que registrou crescimento médio anual de apenas 1,8% no mesmo período, segundo dados do IBGE.

Em termos de participação, o peso da atividade industrial no PIB total do Paraná atingiu 39,8% em 2003 (último dado disponível), resultado bastante próximo da participação relativa do setor de serviços (40,5%) e bem acima da agropecuária (19,7%).


Ex-presidentes contam suas experiências

De 1968 a 1974, quando a indústria paranaense era representada basicamente pelo beneficiamento de erva-mate e pelo setor madeiro, o empresário do setor da construção civil, Mário de Mari, era o presidente da Fiep. Foi em sua gestão que foi inaugurado o prédio central da Fiep, na Avenida Cândido de Abreu, que até hoje abriga a entidade.
Também em sua gestão foi inaugurado o Teatro do Sesi, ao lado do prédio central, que foi destruído por um incêndio em julho de 1991.

Hoje com 84 anos, De Mari ainda se mantém ativo na Fiep. Integra o conselho de ex-presidentes e coordena o Conselho Temático de Responsabilidade Social.

Ele conta que a atuação política da Fiep praticamente inexistia na época em que ele assumiu a presidência. “A entidade se limitava mais a formar mão de obra para a indústria, através do Senai, e garantir serviços na área de saúde, educação e lazer, por meio do Sesi”, lembra. Percebendo a necessidade de uma aproximação com o cenário político, indispensável, para buscar o atendimento das reivindicações dos empresários, De Mari começou a estreitar contatos com o governador da época, Parigot de Souza. “Ele passou a freqüentar a Fiep semanalmente”, conta.

Para De Mari, a participação política é fundamental. “Não a participação na política partidária, mas nas discussões políticas por meio das quais é possível se conquistar os avanços que o setor industrial e toda a sociedade precisam”, destaca.

Foi na gestão de Mário De Mari também que começou a interiorização do Sistema Fiep, com a instalação de delegacias regionais em Londrina e Maringá e a preparação da unidade de Cascavel, inaugurada por seu sucessor, Altavir Zaniolo.

O que mais mudou de lá para cá, na opinião de Mário De Mari, foi o enfoque da qualificação dos profissionais para a indústria. “Na minha época, a preocupação era formar mão de obra básica, como torneiros mecânicos, encanadores, eletricistas, costureiras para a indústria de confecção, enfim formávamos o que a indústria da época demandava.

Hoje, além da formação técnica ter se aprimorado muito em função do avanço tecnológico das indústrias, a Fiep tem se preocupado muito com a formação também do empresário e do executivo. Isso é muito importante, porque não adianta apenas qualificar a mão de obra, é preciso pensar em quem está à frente das empresas”, avalia.

Altavir Zaniolo, empresário do setor madeireiro, sucedeu Mário de Mari na presidência da Fiep, onde permaneceu de 1974 a 1986. “Na época, a Fiep era muito menos movimentada do que é hoje”, lembra. Ele conta que era difícil reunir a diretoria e os empresários, mas mesmo assim conseguiu em sua gestão implantar uma rotina de reuniões semanais.

Cerca de 40 a 50 empresários participavam dos encontros, onde expunham os problemas de seus respectivos setores e apresentavam os pleitos que eram encaminhados ao governo.

Eram realizadas também reuniões nas delegacias do interior do estado e com as federações de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Quando Zaniolo assumiu a presidência, a Fiep tinha 27 sindicatos associados.
Ao sair da entidade já eram 50.

Zaniolo conta que uma das coisas mais marcantes de sua gestão foi a implantação de cursos itinerantes do Senai. Através de uma parceria com a Rede Ferroviária, vagões foram disponibilizados e equipados com máquinas, passando a fazer as vezes de salas de aula. Os vagões eram levados até o interior e instalados no desvio da estação ferroviária onde, eram ministrados cursos à comunidade.

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