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Panificadoras e mercados de bairro representam oportunidade para produtores regionais

Panificadoras e mercados de bairro representam oportunidade para produtores regionais

Sistema Fiep reuniu panificadoras, lojas de conveniências, supermercados e lojas de vizinhança em busca de novos canais de distribuição

O setor da panificação no Paraná está em expansão e representa um importante nicho de mercado para produtores regionais. Em 2006, as 3170 padarias faturaram R$1,2 bilhão e geraram 110 mil empregos entre diretos e indiretos. No Brasil, as 52 mil padarias existentes faturaram R$ 30 bilhões no ano passado. O consumo de pão no Paraná é de 33,11kg anuais por pessoa e se equipara com a média nacional.

Os dados são do Sindicato da Indústria da Panificação e Confeitaria do Estado do Paraná e foram apresentados durante o VII Balcão de Negócios Regionais, nesta quarta (22) e quinta-feira (23), em Curitiba. Promovido pelo Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), por meio do Conselho Setorial da Agroindústria e Alimentos, em parceria com a Associação Paranaense dos Fornecedores de Supermercados (Assosuper), o encontro reuniu panificadoras, lojas de conveniências, supermercados e lojas de vizinhança em busca de novos canais de distribuição, visando fortalecer a economia paranaense e aumentar as vendas dos produtos regionais.

“Os Balcões de Negócio representam uma oportunidade de aproximação entre produtores regionais e empresas. As panificadoras são excelentes pontos de venda e representam um mercado em expansão”, afirma o presidente do Sistema Fiep, Rodrigo da Rocha Loures.

Joaquim Cancela, coordenador do Conselho Setorial da Agroindústria e Alimentos e presidente do Sindicato da Indústria da Panificação e Confeitaria do Estado do Paraná, acredita no potencial das pequenas empresas como geradoras de empregos e oportunidades de negócios. “O setor da panificação é o que demanda menos investimento para gerar um emprego. Com R$ 3 mil investidos em capacitação de mão-de-obra já é possível gerar um emprego novo”, informa.

Apesar dos bons resultados dos últimos anos, o setor enfrenta dificuldades por conta dos elevados preços do trigo. “No cenário internacional, o trigo atingiu a maior cotação dos últimos 11 anos. É necessário um plano integrado entre governo, produtores e indústria para tornar nosso produto mais competitivo, além de incentivar o consumo de derivados do trigo no país”, afirma o assessor técnico da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Luiz Carlos Caetano.

“O trigo representa uma fatia importante na economia. Devemos ter políticas nacionais para o trigo que abranjam toda a cadeia produtiva, visando a valorização e fortalecimento do setor. Não podemos deixar a indústria exposta aos concorrentes de outros países”, comenta Rocha Loures.

Uma das principais dificuldades do setor é a informalidade. Inúmeras padarias e lojas de vizinhança que vendem pão são ilegais. “É uma concorrência desleal. Por não recolherem impostos e terem uma estrutura mais simples, essas empresas praticam preços mais baixos”, analisa Valmir Maiochi, da comissão do Grupo Pão, formado por 25 padarias de Curitiba que buscam o aumento de negócios no setor.

Segundo Maiochi, a informalidade chega a 50%. “A figura do padeiro é inexistente em muitos locais. As empresas compram o pão congelado e só precisam assar”, afirma, ressaltando que há um esforço do setor para reverter esta situação.

Celso Luiz Gusso, presidente da Assossuper, propõe a criação de uma campanha dentro das panificadoras, mostrando o valor nutricional do pão. “Temos que valorizar o pão como alimento nutritivo e indispensável no dia a dia. Além disso, temos que desfazer o mito de que pão engorda”.

Mudança de hábito -? De acordo com Moacir Moura, executivo da Assossuper, é cada vez maior a quantidade de consumidores que preferem fazer compras em supermercados de bairro. “Apenas 23% das pessoas fazem compras grandes uma vez por mês. Está ocorrendo uma mudança de hábito, na qual as pessoas fazem as compras do dia em lojas de bairro, buscando comodidade e fugindo das filas das grandes redes”, diz.

Na opinião de Douglas Demaret Black, gerente nacional de vendas da Vitao, empresa de cereais integrais de Curitiba, por muitos anos a indústria deixou de lado o pequeno varejo. “Hoje, os maiores crescimentos são registrados em lojas de bairro. Aos poucos, nossa empresa está se inserindo neste nicho e os resultados têm sido satisfatórios”.

Uma das principais dificuldades dos pequenos comerciantes é a concorrência desleal com as grandes redes. “Com a construção de hipermercados, os mercados de bairro acabam perdendo clientes. É necessário que essas lojas tenham preços competitivos para atrair o consumidor”, comenta Cancela, lembrando que outra dificuldade dos pequenos é a falta de máquinas de cartões de débito / crédito nos estabelecimentos. “O que falta aos pequenos é a circulação de moeda de plástico. Na maioria das vezes as pessoas não têm dinheiro vivo para pagar e optam pelo cartão. Quem não possui a máquina acaba saindo no prejuízo”.

Oportunidade de negócios – Dados do sindicato da panificação mostram que em 2006 as panificadoras e confeitarias consumiram 600 mil toneladas de trigo. Diariamente, uma padaria utiliza 50 kg de farinha de trigo. “Apesar de ser uma boa oportunidade para produtores regionais, ainda há muita resistência por parte de alguns grupos em vender seus produtos em quantidade menor para panificadoras e lojas de conveniência”, diz Cancela, citando como exemplo os produtores paranaense de óleo e açúcar.

Produtores regionais de diversos ramos – massas, biscoitos, congelados, doces, bebidas – participaram da mostra em busca de oportunidades de negócios. Giácomo Budel, representante paranaense da Big Foods, empresa que produz alimentos congelados, aposta nas panificadoras e lojas de conveniência. “Oferecemos praticidade e agilidade aos nossos clientes. Hoje, nem todas as empresas dispõem de tempo e de profissionais para o preparo de alimentos. Vários donos de panificadoras já nos visitaram e se interessaram pelo sonho e bolo congelados”, diz, animado, com a possibilidade de fechar negócios.

Responsabilidade social – Durante o Balcão, foi lançado no Paraná o projeto Pão da Esperança, uma parceria entre a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (ABIP), a Rede Globo e a Unesco. Todo o dinheiro arrecadado será doado a projetos do Criança Esperança. O valor mínimo de doação corresponde a um saco de farinha em pães, ou seja, aproximadamente R$ 350. Informações no site da Abip ? www.abip.org.br.

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