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Greve de serviços públicos exige ação imediata do governo

Paralisações de mais de 30 categorias estão prejudicando significativamente serviços essenciais para o setor produtivo nacional e para toda a sociedade

Publicado nos principais jornais do Paraná, em 26 de agosto de 2012

O Brasil vive uma onda de greves e paralisações de servidores públicos federais como poucas vezes se viu na história do País. Mais de 30 categorias de funcionários públicos – algumas com salários iniciais muito superiores aos praticados na iniciativa privada – estão com suas atividades totalmente paradas ou em ritmo lento, prejudicando significativamente serviços essenciais para o setor produtivo nacional e para toda a sociedade.

Para a indústria do Paraná, os prejuízos são imensos. Muitas empresas que utilizam matérias-primas ou insumos importados, em seus processos produtivos, têm encontrado dificuldades para receber suas cargas, que ficam retidas em portos ou aeroportos aguardando desembaraços aduaneiros ou fiscalizações sanitárias. O resultado é o comprometimento da produção e das entregas de mercadorias para os clientes.

O mesmo problema afeta as empresas exportadoras, que não conseguem despachar os produtos vendidos para o exterior. Os atrasos nas entregas a clientes estrangeiros, causados pelas greves, colocam em xeque a credibilidade das indústrias paranaenses e brasileiras, podendo resultar até na perda de negócios futuros com parceiros de outros países.

A Federação das Indústrias do Paraná, por meio de sua procuradoria jurídica, tem recorrido à Justiça para garantir o pleno cumprimento de prazos para a liberação de importações e exportações. Já foram obtidas quatro liminares, que obrigam servidores da Receita Federal e da Anvisa a realizar, dentro dos prazos legais, o atendimento às indústrias associadas a sindicatos filiados à Fiep.

As decisões judiciais amenizam os problemas, mas estão longe de solucioná-los. A exigência de uma série de documentos para comprovar a filiação das empresas deixa os processos de liberação lentos e burocráticos e segue causando transtornos para o setor.

A indústria paranaense é formada por 46 mil empresas, que geram 820 mil empregos diretos e respondem por um terço do PIB estadual. Um setor que gera riquezas, renda aos trabalhadores e, principalmente, recolhe altos impostos repassados às diferentes esferas de governo. Como todos os contribuintes, temos o direito de cobrar serviços públicos de qualidade e que garantam o pleno funcionamento da sociedade.

É como legítima representante da indústria paranaense, que a Fiep cobra do governo federal uma ação definitiva para colocar fim às paralisações e permitir que a indústria continue a produzir e a fortalecer a economia do Estado.

Edson Campagnolo
Presidente da Federação das Indústrias do Paraná

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