Fiep homenageia Andrade Vieira e Belmiro Valverde com o troféu Pinheiro de Ouro

Honraria que reconhece o trabalho de personalidades paranaenses em favor do desenvolvimento do país foi entregue nesta terça-feira (12), durante solenidade em comemoração pelos 70 anos do Sesi

O superintendente do Sesi no Paraná, José Antonio Fares, o presidente do Conselho Nacional do Sesi, João Henrique de Almeida Souza, Elizabeth Bettega Castor, Alessandra de Andrade Vieira Mejía e Edson Campagnolo, durante a entrega do Pinheiro de Ouro (Foto: Gelson Bampi)

A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) realizou nesta terça-feira (12), durante a solenidade em comemoração pelos 70 anos do Sesi no Estado, a entrega da segunda edição do troféu Pinheiro de Ouro. Criada para reconhecer a atuação de personalidades paranaenses em favor do desenvolvimento da sociedade brasileira, este ano a homenagem foi entregue às famílias do professor e escritor Belmiro Valverde Jobim Castor e do empresário e político José Eduardo de Andrade Vieira.

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“São duas pessoas que já nos deixaram, mas que ainda são e sempre serão celebridades em nosso Estado”, afirmou o presidente da Fiep, Edson Campagnolo. “Foi o trabalho deles ao longo de suas vidas que fez com que nós da Fiep prestássemos estas homenagens”, completou.

Em relação a Belmiro Valverde, Campagnolo ressaltou principalmente sua dedicação à educação, em especial por ter sido o idealizador do Centro de Educação João Paulo II, que atende crianças e adolescentes de baixa renda em Piraquara (leia mais abaixo). Quanto a Andrade Vieira, afirmou que suas atuações tanto à frente do banco Bamerindus quanto como político contribuíram para o desenvolvimento do Estado e do país. “O Bamerindus fez muito pelo Paraná e pelo Brasil. Andrade Vieira era um empreendedor de coragem, que colocou sua experiência à disposição da vida pública”, declarou.

Ao receber o troféu dedicado a seu marido, Elizabeth Bettega Castor destacou a dedicação de Belmiro justamente à área da educação. “Sempre fico muito orgulhosa em saber que por todos os lugares por onde passou em sua vida, ele deixou sua marca. Mas foi como professor que, tenho certeza, ele se sentiu plenamente realizado. A educação sempre foi a menina de seus olhos”, afirmou. “Sabemos que o acesso à educação pública de qualidade no Brasil ainda é um problema. Cabe a toda a sociedade mudar esse quadro”, completou, referindo-se ao trabalho de Belmiro para viabilizar a criação do centro educacional em Piraquara.

Já Alessandra de Andrade Vieira Mejía, filha de José Eduardo de Andrade Vieira que recebeu a homenagem em nome da família, destacou a trajetória de seu pai. “Era um homem simples, de poucas palavras, mas de grandes realizações”, disse. Ela também ressaltou o fato de seu pai ser um visionário e sempre acreditar que as pessoas podem dar seu melhor para contribuir com a sociedade. E que levou essa visão, que já aplicava em sua carreira empresarial, ao meio político, tendo sido senador e ministro. “Ele antevia as mudanças e se preparava para elas, era um visionário. Seu legado se faz cada dia mais presente”, declarou.

Saiba mais sobre os homenageados:

Professor Belmiro foi o idealizador do Centro de Educação João Paulo II, em Piraquara

Belmiro Valverde – Também conhecido como Professor Belmiro, nasceu em Juiz de Fora (MG), tornando-se, mais tarde, curitibano de coração. Formado em Direito pela então Universidade do Estado da Guanabara, atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e PhD em Administração Pública pela University of Southern California, lecionou para alunos do ensino superior em instituições da capital paranaense.

Além disso, lançou diversas obras, incluindo o livro “O Brasil não é para Amadores: Estado, Governo e Burocracia na Terra do Jeitinho”, publicado pela Travessa dos Editores em 2004, com tradução para o inglês. Foi também colunista do jornal Gazeta do Povo de 1995 a 2014, ano em que faleceu, aos 71 anos. Era casado com Elizabeth Bettega Castor e teve duas filhas: Adriana e Carolina.

Professor Belmiro teve uma vida profissional e pública notável. Exerceu o cargo de secretário de Estado no Paraná por três vezes: nos períodos entre 1975-1979 e 1983-1984, foi secretário do Planejamento; e entre 1987 e 1988, atuou como secretário da Educação.

Entre suas realizações está o Centro de Educação João Paulo II, localizado em Piraquara, criado em 2007 com a ajuda de um grupo de empresários e profissionais liberais. Atualmente, a escola atende mais de 200 crianças e adolescentes de baixa renda, oferecendo a eles uma oportunidade de ensino de qualidade. O local é mantido por meio de doações, além de parcerias com entidades como o Sistema Fiep, por meio do Sesi.

Foi ainda membro da Academia Paranaense de Letras, vice-presidente do Instituto Ciência e Fé de Curitiba, membro do Conselho Superior da Associação Comercial do Paraná, vice-presidente da Associação Alírio Pfiffer de Apoio ao Transplante de Medula Óssea do Hospital de Clínicas de Curitiba e presidente do movimento Pró-Paraná.

Empresário, Andrade Vieira também levou sua experiência para a vida pública

José Eduardo de Andrade Vieira – Nascido em Tomazina, no Norte Pioneiro do Paraná, mudou-se aos 18 anos para Curitiba, quando começou a trabalhar no Banco Bamerindus, fundado por seu pai, Avelino Vieira. O empresário sempre demonstrou um espírito empreendedor e incentivador, atributos que o acompanharam por toda sua vida.

Adquiriu também a Folha de Londrina, um dos jornais mais tradicionais do Paraná, na década de 1990, e administrou suas fazendas até 2015, quando veio a falecer, aos 76 anos. José Eduardo de Andrade Vieira teve sete filhos: Germano, Edson Luís, Alessandra, Tânia, Juliana, Cláudio e Alexandre.

Vieira destacou-se em diversas áreas ao longo de sua vida. Antes de assumir a presidência do Bamerindus, um dos maiores bancos privados do Brasil, atuou como auxiliar de cobrança interna e caixa, galgando posições à medida que ganhava experiência. Chegou à chefia de seção, gerência, diretoria e, finalmente, à vice-presidência, em 1974. Em 1981, tornou-se presidente do banco.

Na década de 1990, foi um dos primeiros senadores eleitos após a redemocratização do Brasil. Foi ministro por três vezes: no período entre 1992 e 1993, comandou a pasta da Indústria, do Comércio e do Turismo; em 1993, foi ministro da Agricultura, Abastecimento e Reforma Agrária; e entre 1995 e 1996, chefiou novamente o Ministério da Agricultura.

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