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Reunidos na Fiep, brasileiros e japoneses reforçam cooperação

Encontro reuniu mais de 400 lideranças e mostrou que o Brasil segue no centro das atenções de investidores estrangeiros

Apesar de todas as dificuldades que enfrenta atualmente, atravessando uma das piores crises econômicas de sua história, o Brasil ainda está no centro das atenções de investidores estrangeiros. Essa realidade ficou clara na semana que passou, quando a Federação das Indústrias do Paraná sediou a 20ª Reunião Conjunta do Comitê de Cooperação Econômica Brasil-Japão.

Organizado em parceria entre CNI e a entidade empresarial japonesa Keidanren, com o apoio da Fiep, o encontro teve o objetivo de estreitar as relações entre os dois países, discutindo especialmente caminhos para ampliar o fluxo de comércio e investimentos mútuos. O evento reuniu mais de 400 participantes, entre empresários e representantes dos governos dos dois países, sendo 131 japoneses.

Durante os dois dias de reunião, as cinco sessões de debates realizadas evidenciaram que inúmeras empresas japonesas têm forte interesse de investir em nosso país. Para que isso aconteça, porém, o Brasil precisa fazer a lição de casa, aprovando reformas e adotando medidas efetivas para a melhoria de seu ambiente de negócios. O complexo sistema tributário e a falta de segurança jurídica foram apontadas como alguns dos problemas. Por outro lado, os japoneses reconheceram que iniciativas como a modernização das leis trabalhistas, sancionada em julho, são importantes avanços para tornar o país mais atrativo para investimentos produtivos estrangeiros.

Áreas de interesse

A reunião do Comitê de Cooperação Econômica deixou evidente, ainda, que existem áreas específicas em que as relações entre Brasil e Japão podem ser mais intensas. Entre elas, estão:

  • Fluxo de comércio: Durante o encontro, empresários dos dois países reforçaram o pedido para a assinatura de um acordo que facilite o comércio bilateral. A intenção é aumentar o fluxo de circulação de mercadorias, que vem caindo nos últimos anos. Para contribuir nas negociações, a CNI apresentou um estudo que aponta 270 produtos nacionais que tem grande potencial de conquistar mercado no Japão.
  • Infraestrutura: Empresários japoneses deixaram claro que têm grande interesse em investir em projetos para aprimorar a infraestrutura de transportes do Brasil. Em especial, aqueles voltados para escoamento da safra agrícola e melhorias do transporte urbano. Para isso, no entanto, cobram do governo brasileiro mecanismos para aumentar a segurança jurídica para os investidores.
  • Energia: O Brasil possui enorme potencial para geração de energia limpa e renovável, o que pode ser alavancado com uma maior cooperação com empresas japonesas, que possuem tecnologias avançadas nessa área.
  • Jornada digital: O Japão possui tecnologia de ponta e conhecimento elevado também na área de digitalização de processos produtivos, podendo contribuir significativamente para que o setor industrial brasileiro avance no conceito de Indústria 4.0.

A realização deste importante evento reforçou, na Fiep, a firme convicção de que existem caminhos viáveis para que o Brasil volte a crescer e alcance pleno desenvolvimento no futuro, contando com parceiros como o Japão. Para isso, é preciso que a sociedade brasileira entenda que a crise atual, apesar dos problemas que causa, traz também uma oportunidade ímpar para que o país reescreva sua história, tornando-se um porto seguro para investimentos, com geração de empregos e riquezas para toda a sociedade.

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