Indústria começa a se recuperar lentamente da crise

Agosto registrou o quarto crescimento consecutivo, 8 setores industriais apresentam resultados superiores aos de 2016

As vendas da indústria paranaense tiveram aumento de 6,79% em agosto em comparação com julho. Em decorrência do acréscimo, a compra por insumos também cresceu 4,88% e o nível de emprego subiu 0,17%. Os dados são de um levantamento mensal realizado pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e mostram uma possível recuperação.

“Estamos no quarto mês de crescimento consecutivo, é um sinal bem claro de que se inicia uma recuperação da indústria. Uma retomada ainda leve, mas que a cada mês vem incorporando mais setores. Em junho, eram seis segmentos que tiveram resultados positivos, em agosto foram 8”, afirma o economista da Fiep, Roberto Zurcher.

Os setores industriais que tiveram crescimento foram: Celulose e Papel; Veículos Automotores; Material Eletrônico e de Comunicações; Metalúrgica Básica; Máquinas e Equipamentos; Produtos Químicos e Madeira.

No caso do setor de Celulose e Papel, o aumento da produção é reflexo de investimentos feitos em anos anteriores que modernizam e ampliaram o parque fabril. O segmento de veículos teve aumento de exportações puxado principalmente pelo mercado da Argentina e pela recuperação do mercado interno. “Os novos modelos produzidos no Paraná têm uma boa aceitação no mercado nacional, também movimentam a Metalúrgica que é parte da cadeia produtiva. E o setor de Máquinas e equipamentos teve uma boa reação por conta das máquinas agrícolas compradas em resultado da excelente safra”, explica Zurcher.

As vendas aumentaram especialmente entre outros Estados, com acréscimo de 14,84%, o que mostra que há uma recuperação nacional de demanda. Dentro do Paraná, as vendas tiveram um aumento de 2,69%.

Apesar da tendência de recuperação, poucas indústrias estão fazendo grandes investimentos, de acordo com o economista da Fiep. “Não há indícios fortes de investimentos das indústrias de modo geral, pois ainda há uma taxa de ociosidade elevada na indústria e é possível produzir com a capacidade que se tem, sem a necessidade de investir”, avalia ao citar que a utilização da capacidade instalada das indústrias paranaenses está em 69%, três pontos percentuais abaixo do que fora registrado em agosto de 2016.

Setores que recuaram

Enquanto alguns setores já sentem os reflexos de uma possível recuperação, outros tiveram queda, entre eles o segmento do Vestuário com recuo de 14,21%. Material Elétrico e de Comunicações após dois meses de crescimento consecutivo decresceu 6,11% em agosto. Também apresentou recuo o setor de Máquinas, Aparelhos e materiais elétricos, com uma desaceleração de 1,88% na demanda. “No último mês o Vestuário puxou positivamente os indicadores, mas por conta de uma demanda sazonal, de entrega de uma coleção. Agora desacelera, um movimento natural. Porém o setor ainda está muito abaixo de 2016, por problemas de concorrência interna”, pontua Zurcher ao explicar o encolhimento registrado em agosto.

Geração de emprego

Metade dos segmentos industriais tiveram aumento de emprego, promovendo um acréscimo de 0,17% nos postos de trabalho na indústria paranaense. Os principais avanços aconteceram em Veículos Automotores (2,65%); Metalúrgica Básica (2,12%) e em Máquinas e Equipamentos (1,97%).
Para contratações mais significativas, de acordo com Roberto, é preciso que setores que “são mais intensivos em mão-de-obra – aqueles que exigem trabalho manual – tenham mais impacto na demanda por trabalhadores, como o vestuário e o setor da madeira. Os segmentos que são mais automatizados devem demorar a contratar, com exceção do automobilístico, os demais vão voltar a abrir vagas se tiverem um nível mais elevado de vendas”, conclui.

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