Alunas do Colégio Sesi de Campo Largo desenvolvem material para substituir isopor

O protótipo, elaborado a partir do sabugo de milho, foi premiado na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), em março deste ano

Um estudo realizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) mostra que, em média, anualmente, são consumidos cerca de 36,6 mil toneladas de isopor no Brasil. O material, também conhecido como ‘poliestireno expandido’ leva cerca de 150 anos para ser totalmente degradado no meio ambiente. Pensando em encontrar métodos para substituir seu uso, alunas do Colégio Sesi de Campo Largo, no Paraná, desenvolveram um projeto que substitui o isopor pelo sabugo de milho. Recentemente o projeto ficou em quarto lugar na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), realizado em março de 2018.

A ideia de usar o sabugo de milho surgiu durante a olimpíada interna do Colégio Sesi, despertando o interesse das alunas em pesquisar um alimento/vegetal da região que poderia ser utilizado de uma nova maneira. As alunas Alessandra Hashimoto, Amanda Maloste, Jessica Burda descobriram que o vegetal mais popular da região era o milho. Consequentemente, havia muito desperdício do sabugo do milho. Com essa informação, elas uniram as duas coisas: reaproveitamento de um material que era desperdiçado por indústrias e substituição por um material biodegradável, trazendo menos impacto para o meio ambiente.

Uma das autoras, Amanda Maloste, explica que o desenvolvimento do projeto levou seis meses e envolveu pesquisas, levantamentos de dados, produção de artigo científico e apresentação de protótipos. “Diversos testes foram feitos e identificamos as melhores soluções em relação à impermeabilidade, porosidade, flamabilidade, decomposição e plasticidade. Em nosso sétimo protótipo, conseguimos resultados 100% positivos, que possibilitam a viabilização do produto e posterior aplicação no mercado. Em relação ao uso, a proposta é no transporte de materiais frágeis, artefatos de decoração ou bandejas de alimentos”, explica.

Para a coordenadora de Educação Integrada do Sistema Fiep, em Campo Largo, Bibiana Rodrigues, a conquista do prêmio é resultado de um trabalho em conjunto entre alunas, professora orientadora e a unidade. “Com esse projeto, conquistamos visibilidade para que outros alunos do Colégio também se interessem em desenvolver projetos científicos”, explica. Segundo a professora orientadora, Juliana Vidal, projetos como esse inspiram pensamentos críticos, criatividade, trabalho em equipe e outras competências e habilidades que contribuem para resolução de problemas na sociedade”.

Futuro

A perspectiva é dar continuidade ao projeto. As três alunas encontram-se no ensino médio e irão prestar vestibular em breve, almejando carreiras em engenharia química e física. A ideia é continuar a pesquisa, desenvolvendo novas soluções e unindo inovações para a indústria e meio ambiente. Jessica já está no caminho: ganhou uma bolsa de iniciação científica Junior do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com duração de um ano.

Mais informações sobre o ensino e serviços do Sesi podem ser encontradas em www.sesipr.org.br