Industrial paranaense mantém-se otimista por 11 meses consecutivos

A queda do juro estimulou as vendas no setor automotivo (Gelson Bampi)

O Índice de Confiança da Indústria da Transformação do Paraná (ICIT-PR) atingiu 58,2 pontos em abril. Apesar da redução de 3,4 pontos em comparação ao mês de março, o índice permanece por 11 meses na área do otimismo. O indicador está 5,3 pontos maior que o registrado em abril do ano passado e 10,3 pontos acima que a média histórica. O dado é da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).

“Está havendo uma retomada do otimismo e isso se deve basicamente à queda da inflação e à redução de algumas taxas de juros”, comenta o economista da Fiep, Roberto Zurcher. Segundo ele, a queda nos juros aqueceu a venda de produtos de maior valor, como automóveis, móveis e linha branca. “Estes produtos também são beneficiados por linhas próprias de financiamentos com taxas mais atrativas”, comenta Zurcher. De acordo com o economista, está havendo também uma pequena recuperação do emprego, fazendo com que a massa salarial aumente, contribuindo para uma melhora do indicador.

Na avaliação da Fiep, a melhora do indicador de confiança é também reflexo de um certo descolamento do cenário econômico da política. “A situação em geral não mudou muito, mas percebemos que os empresários começaram a agir sem esperar que a economia do país tivesse sinais claros de recuperação. Então, os negócios começaram a fluir sem muita influência da política macroeconômica”, afirma Zurcher.

Outro dado positivo revelado pela pesquisa da Fiep é a intenção da retomada de investimentos. A vontade do empresário investir nos próximos seis meses aumentou oito pontos, passando de 44 para 52, quando comparado o primeiro trimestre deste ano com o mesmo período de 2017.  O indicador de acesso ao crédito também melhorou no período, passando de 27 para 32. “Neste caso ainda permanece negativo (abaixo de 50 pontos), mas já revela uma recuperação”, comenta o economista.

Construção civil – O Índice de Confiança da Indústria da Construção Civil (ICIC-PR) caiu 4,4 pontos em abril comparativamente a março, ficando em 55,3 pontos. Em relação a abril de 2017 o indicador está 1,4 ponto acima, mas em relação à média histórica está 1,8 ponto inferior.   “Há ainda uma limitação grande neste setor por conta da grande oferta de imóveis. Muitos prédios foram construídos antes da crise e, por conta da crise, não foram vendidos ainda. Por isso, as construtoras não estão construindo na velocidade que podem construir”, analisa o economista da Fiep.

Ele conta que os empresários deste setor reclamam da baixa demanda, dos juros elevados e do excesso de burocracia, o que indica que este setor deve demorar um tempo maior para iniciar seu processo de recuperação. “Apenas na semana passada foi anunciada uma pequena redução nas taxas de juros para o sistema financeiro da habitação, o que pode iniciar a retomada do crescimento no setor”, acredita Zurcher.

 

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