Paraná fecha primeiro trimestre com vendas industriais em alta de 4,62%

Resultado está acima dos índices registrados no mesmo período de 2017, fato que não acontecia desde 2013

Dados divulgados pela pesquisa Indicadores Conjunturais da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) revelam que as vendas industriais cresceram 4,62% em relação a igual período do ano anterior, fato que não acontecia desde 2013, ano histórico para o setor. Isso significa que aos poucos o setor começa a se recuperar, mas segundo os especialistas, ainda numa velocidade mais lenta do que o mercado gostaria.

Na avaliação do mês, as vendas tiveram aumento de +13,48% em relação a fevereiro. Tradicionalmente março apresenta expansão, ou seja, o resultado é considerado normal. A boa notícia é que entre os quatro gêneros que obtiveram melhor desempenho, três são bens de consumo comuns, calçados, vestuário e alimentos. Em 2017, estes três segmentos fecharam o ano com vendas negativas. “As pessoas estão voltando a consumir depois de um longo período de contenção e isso é animador”, explica o economista da Fiep, Roberto Zurcher.

O setor automotivo também é destaque positivo. Teve alta de 6,38% em relação ao primeiro trimestre de 2017. “Em grande parte, isso se deu em função do aumento do crédito e da redução da taxa de juros que alavanca a venda de automóveis financiados. Isso evidencia que aos poucos cada vez mais setores estão se recuperando”, analisa o economista. As vendas também foram beneficiadas pelas exportações, que representam 30% das vendas totais. “Este cenário pode se alterar nos próximos meses por conta da crise financeira que se instalou na Argentina recentemente. A perda de poder de compra do argentino e o aumento da competitividade dos produtos de lá podem reduzir as importações do Brasil”, adianta.

Mas, mesmo com redução das vendas para o país vizinho, muitos componentes produzidos aqui ainda são utilizados pela indústria argentina na produção de automóveis. Por este motivo a redução nas exportações será sentida aos poucos. “Até poucos dias atrás ainda era mais conveniente para os consumidores de lá comprarem veículos importados, que são mais baratos do que os nacionais”, garante Zurcher.

Cautela

Outros segmentos que fecharam 2017 com bons índices de venda apresentam, em 2018, quedas significativas e preocupam. É o caso da indústria da madeira, que acumula redução de 35,18% nas vendas do primeiro trimestre. “Esta atividade é afetada pelo mercado interno e impactado pela construção civil, cujas vendas andam fracas e sem imóveis para serem mobiliados. O Paraná também é um grande exportador de madeira e está enfrentando muitas restrições impostas pelos Estados Unidos. Isso tem se refletido nas vendas para o exterior”, avalia o economista.

Um outro ponto de atenção, de acordo com Zurcher, refere-se ao aumento na compra de insumos importados pela indústria. “Não se produz insumos suficientes aqui, o que compromete a competitividade. Isso é resultado de uma política equivocada que beneficia as importações em detrimento da produção local e prejudica o país. É preciso ficar atento para o fato de nossas cadeias produtivas estarem cada vez mais dependentes de insumos vindo do exterior”, alerta.

Empregos

Sobre a geração de empregos, o resultado do trimestre em relação ao mesmo período do ano passado aponta tímida recuperação. Os setores que mais contrataram foram couros e calçados (alta de 20,74%) e automotivo (10,91%). E os que mais dispensaram foram o de madeira (-12,77%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-5,59%).

“Verificamos que a indústria paranaense está crescendo lentamente porque ainda não se tem clareza da velocidade da recuperação. Na crise, emprego é o último item a ser cortado e na retomada vai ser o último a alavancar. Esta é uma tendência natural. As empresas estão cada vez mais buscando inovação e adquirindo tecnologias para reduzir a dependência de mão-de-obra para tornarem-se mais competitivas”, comenta.

O especialista avalia que o faturamento do setor industrial deve permanecer em alta gradual nos próximos meses, mas isto não deve ser motivo de comemoração ainda. “O resultado deste primeiro trimestre equivale ao mesmo obtido em 2006, ou seja, há um retrocesso de 12 anos nas vendas industriais no Paraná. Ainda falta muito para se chegar ao nível de 2013, o último de registro de crescimento da indústria no estado”, conclui.

 

 

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