Verbas de financiamento político devem ser usadas para subsidiar redução de combustível defende presidente da Fiep

Além de utilização de recursos do Fundo Eleitoral, proposta pela OAB, Edson Campagnolo sugere que verbas de Fundo Partidário e emendas parlamentares também sirvam para resolver impasse com caminhoneiros

Neste sábado (26), bloqueios continuam em rodovias de todo o país e forças de segurança tentam garantir trânsito de determinadas cargas, como combustíveis (Foto: Vladimir Platonow / Agência Brasil)

Como forma de encontrar recursos para subsidiar a redução do preço do diesel, motivo que leva caminhoneiros a bloquear rodovias de todo o país desde segunda-feira (21), o presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo, apoia, entre outras medidas, a sugestão de que seja utilizado o dinheiro destinado ao fundo que financiará campanhas eleitorais neste ano. A proposta, lançada pela Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná, destinaria os mais de R$ 1,7 bilhão do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido como Fundo Eleitoral, para compensar perdas de arrecadação que o governo vai ter com a redução de tributos que incidem sobre o combustível.

Leia também:
Indústria do Paraná pode deixar de faturar R$ 550 milhões ao dia com greve de caminhoneiros

Campagnolo vai além e sugere que também seja incluída na conta pelo menos parte do Fundo Partidário, que em 2018 destinará R$ 888,7 milhões para custear as 35 legendas com registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Como de costume no Brasil, governo e o Congresso Nacional veem como única solução transferir a conta para sociedade, compensando a perda de arrecadação dos combustíveis com oneração em outras áreas. Quem sempre acaba prejudicado é o setor produtivo e a população”, afirma. “Já passou da hora de nossos políticos começarem a mexer nos privilégios que criam em benefício próprio, como são os casos dos fundos Eleitoral e Partidário, mantidos com recursos do orçamento da União, ou seja, bancados por todos os cidadãos”, completa.

Outra medida que deveria ser analisada, na opinião de Campagnolo, é o remanejamento de recursos destinados às emendas parlamentares individuais. O orçamento federal de 2018 prevê uma verba total de R$ 8,8 bilhões para elas. Em 2017, esse montante chegou a R$ 10,7 bilhões. “Por mais que várias dessas emendas tenham o propósito de financiar ações importantes, da forma como são liberadas acabam servindo para que os parlamentares conquistem apoio em suas bases, num movimento que ajuda a perpetuar sempre os mesmos na política”, afirma.

O presidente da Fiep ressalta que essas são apenas algumas sugestões de medidas que podem ser adotadas emergencialmente para possibilitar a redução dos tributos que incidem sobre os combustíveis e resolver uma questão pontual, que é a greve dos caminhoneiros. “O país está entrando em um caos extremamente perigoso. Todo o setor produtivo, especialmente a indústria, já está sofrendo prejuízos difíceis de serem recuperados e, mais grave ainda, a população sofre com a ameaça de desabastecimento”, diz. “Apesar de as reivindicações dos caminhoneiros serem justas, o momento exige responsabilidade e bom senso de todas as partes. O governo já fez uma proposta e seria importante uma suspensão da greve por 15 dias para que as negociações e a busca por soluções possam ser aprofundadas”, sugere Campagnolo.

Mais do que isso, ele defende que a situação que o país atravessa hoje é mais uma prova da necessidade de uma discussão séria sobre o ajuste das contas públicas. “Precisamos, de uma vez por todas, discutir com responsabilidade um profundo ajuste nas contas públicas, nos privilégios e no tamanho do Estado brasileiro. Está claro que uma máquina pública que precisa arrecadar cada vez mais para manter sua estrutura inchada só traz transtornos econômicos e sociais para o Brasil”, acrescenta. Campagnolo lembra que os privilégios e distorções nos gastos públicos se espalham pelos três poderes, como no caso do auxílio moradia para magistrados, e também por todas as esferas do Executivo e Legislativo – federal, estaduais e municipais.

About Author