Fiep orienta industriais sobre cuidados antes de buscar crédito

Conheça os cinco passos para ter mais segurança antes de comprometer o orçamento

Dos mais de 100 atendimentos realizados desde janeiro deste ano até agora no Núcleo de Acesso ao Crédito do Sistema Fiep, cerca de 40% tiveram como principal destino o uso como capital de giro. Aquisição de máquinas e equipamentos somaram 16%, e obras e reformas, 14%. Apenas 7% tinham como objetivo investimento em inovação.

Aquisição de máquinas e equipamentos representam 16% dos pedidos por crédito.         Foto: Gelson Bampi

Esse cenário revela que o setor industrial busca fôlego para se recuperar da grave crise econômica dos últimos anos e para fechar o ano, que foi conturbado, com paralisação do transporte rodoviário, aumento acima da inflação na conta de energia elétrica, crescimento econômico lento e indefinições na política.

O especialista em crédito da Fiep, João Baptista Guimarães, elencou cinco passos prioritários a serem observados pelo industrial antes de buscar crédito no mercado. Segundo ele, em alguns casos a concessão de crédito na indústria é mais complexa do que em outros segmentos, como comércio e serviços. Isso porque envolve projetos mais robustos, que necessitam, por exemplo, de licenças ambientais e de documentação mais detalhada. O processo é mais lento e geralmente são concessões para investimentos de longo prazo.

“O crédito é um importante instrumento para manutenção das atividades e crescimento de uma empresa. Sua utilização de forma planejada e consciente pode trazer crescimento, liquidez e vantagens competitivas. Mas, como todo recurso, sua utilização envolve riscos e custos, que se não forem bem administrados podem comprometer a saúde financeira da empresa”, orienta.

Passo a passo para obter crédito

O primeiro passo é organizar as finanças da empresa, ou seja, realizar uma boa gestão dos recursos: controlar o fluxo de caixa, avaliar o resultado anual e mensal da atividade, calcular o endividamento e utilizar ferramentas de análise e controle financeiro. “Estes pontos são fundamentais para garantir o sucesso do negócio e para calcular a real necessidade de crédito. Uma boa gestão evita que a empresa se endivide desnecessariamente e pague custos maiores do que os necessários”, informa.

A segunda etapa sugerida pelo especialista e que pode reduzir os custos de um financiamento é recorrer ao autofinanciamento, que é buscar recursos dentro da própria empresa antes de tomar empréstimos. Isso pode ser feito ao otimizar custos operacionais, com redução de desperdícios, melhor gestão de estoques, ao utilizar venda de ativos ociosos, negociando preços e prazos de pagamento com fornecedores e clientes, adotando políticas de incentivo para o pagamento antecipado e reinvestido o lucro da empresa, além de buscar aporte dos sócios. “O crédito tem alto custo no Brasil, com taxas de juros entre as mais altas do mundo. É preciso primeiro avaliar todas as possibilidades de conseguir o dinheiro necessário internamente antes de recorrer aos bancos”, aconselha Guimarães.

A terceira fase envolve planejamento. Após organizar as finanças e buscar recursos internamente é preciso montar um plano de financiamento. Este plano deve conter o valor total do financiamento e seu detalhamento por itens financiados, a que se destinam os recursos, como por exemplo, para fins de obras e reformas, aquisição de máquinas e equipamentos (nacionais e importadas), projetos de inovação, compra de insumos, pagamento de fornecedores ou exportação de bens. “Este exercício é importante porque os bancos operam com linhas e produtos financeiros específicos para cada item com condições diferenciadas. Desta forma o empresário pode conseguir uma taxa final menor por ter detalhado o orçamento do crédito”, ensina.

O quarto passo é pesquisa de mercado, ou seja, buscar instituições financeiras e bancos que ofereçam as melhores condições para sua necessidade de crédito. Além do próprio banco que a empresa tem relacionamento é importante buscar as condições dos bancos de desenvolvimento, agências de fomento, fintechs e cooperativas de crédito. “Nesta etapa a empresa pode contar com o apoio da Fiep, que disponibiliza uma área especializada em crédito para orientar o industrial a encontrar a melhor solução para seu caso”, reforça.

E, por último, o empresário precisa ficar atento a prazos e documentos necessários para apresentar à instituição financeira escolhida. Nesta fase é preciso estar com todas as certidões exigidas em dia e com a documentação contábil atualizada para agilizar o processo de financiamento. “Muitos bancos pedem documentação complementar, como detalhamento de projetos de investimento e cotação de equipamentos. O atraso no envio destas informações pode comprometer o repasse de recursos”, alerta.

De janeiro a setembro, o núcleo da Fiep que atende industriais em busca de informações sobre crédito contabilizou mais 100 atendimentos. No mesmo período de 2017 foram 167 consultas realizadas. A demanda por crédito para capital de giro no ano passado foi 2% menor, porém, os recursos para investimento em máquinas e equipamentos mais que dobraram. Passaram de 7%, em 2017, para 16% este ano. Já o investimento em projetos de inovação caiu de 12% no ano passado para 7% em 2018.

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