Fiep divulga desempenho da indústria no terceiro trimestre

Ritmo de crescimento diminuiu, mas resultado acumulado do ano indica crescimento em torno de 4% nas vendas

O estudo mensal do Sistema Fiep que avalia o desempenho da indústria de transformação do Paraná revela otimismo para o fechamento do ano. Os dados revelam que no acumulado de janeiro a setembro houve crescimento 4,72% em relação a igual período do ano passado. Comparando setembro de 2018 com o mesmo mês de 2017, o nível se manteve. Em relação a agosto, houve queda de 9,4%, movimento sazonal normal, porém, com redução mais acentuada do que a registrada em 2017, que foi de 4,5%, e de 2016, 4,9%.

Até outubro, a indústria de alimentos abriu 5 mil novas vagas de trabalho no Paraná.
Crédito da foto: Gilson Abreu

O recuo deste mês pode ser explicado pela performance negativa em 15 dos 18 gêneros pesquisados. Refino de petróleo e produção de álcool tiveram queda de 28%; as vendas de veículos automotores caíram 14%, resultado normal após o expressivo crescimento em agosto, e alimentos e bebidas, -5%, em função dos feriados do mês.

Os gêneros que tiveram alta em setembro foram o têxtil (+62,87%); vestuário (+8,82%) e couros e calçados (+4,67%). No acumulado do ano, os produtos que mais cresceram em vendas foram couros (107%); veículos automotivos (10%); máquinas e equipamentos (9%); e confecções e vestuário (7%). As maiores quedas foram observadas em borracha e plástico (-21%); produtos da madeira (-16%); materiais elétricos e de comunicação (-9%); e produtos químicos (-5%).

Acompanhando o desempenho das vendas, a compra de insumos caiu 8% em setembro. Mas, de janeiro a setembro, acumula alta de 9% em relação ao mesmo período de 2017.

Produção industrial pelo IBGE

 Sobre o resultado da produção industrial do Paraná, houve estabilidade em setembro na comparação com o mesmo mês de 2017. Em relação a agosto, houve queda de -3%, ajuste sazonal em função da menor quantidade de dias úteis, e no acumulado do ano, alta de 2,2%. Os dados estaduais são bem melhores que os indicadores nacionais, que são de -1,8%, -2% e 1,9%, respectivamente.

Na avaliação do terceiro trimestre, os números são positivos, 4,3% de crescimento. Porém, com elevação menor que a registrada no mesmo período de 2017, que foi de 6,8%. A produção industrial do trimestre no Paraná foi melhor que a nacional, com tímida alta de 1,2% este ano e de 3% no terceiro trimestre do ano passado.

Falta de insumos durante a greve dos caminhoneiros reduziu a produção de alimentos no Paraná. Crédito da foto: Gelson Bampi

“A greve dos caminhoneiros, a Copa do Mundo e o ano eleitoral explicam o crescimento menor em relação ao mesmo período do ano passado. A greve, porque gerou falta de matéria-prima, interrompendo a produção em diversos segmentos, sobretudo no setor alimentício que é o principal no estado. A Copa, porque reduziu o expediente dos trabalhadores, principalmente nos dias de jogos do Brasil. E o ano eleitoral, porque interfere nas expectativas do empresário, que aguarda as definições no quadro político para tomar suas decisões, por exemplo, no que tange investimentos e novas contratações”, avalia o economista da Fiep, Evânio Felippe.

 

Mercado de trabalho

 Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) dão conta de que, até outubro, a indústria de transformação do Paraná criou 12 mil novas vagas. A maioria, mais de 5 mil, no setor alimentício, seguido do automotivo, 1.800, e da madeira, com 1.400 contratações. “Houve uma nítida desaceleração no ritmo de abertura de vagas em 2018. Apesar dos índices positivos na avaliação do ano, há uma queda de 31% nos números em relação ao ano passado. Neste mesmo período, o Paraná havia criado 17.400 empregos”, observa o economista.

Com as definições dos novos governos, 2019 deve ser um ano mais positivo para a indústria do Paraná. Felippe explica que outro fator que pode contribuir são as reformas, que vão garantir maior equilíbrio fiscal ao estado. “Estes ajustes sinalizam que num futuro próximo não vai haver aumento de impostos, fator que penaliza a atividade produtiva. Isso gera expectativa positiva no empresário e tem impacto direto em toda a cadeia, com planejamento e expansão dos negócios, mais investimentos, aumento da produção, das vendas, crescimento, criação de empregos e aumento da renda”, conclui.

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