Exportações paranaenses fecham 2018 com saldo positivo

Os produtos que tiveram maior crescimento no ano foram soja, material de transporte, carnes e madeira

O ano passado foi de vários desafios para a indústria paranaense e para a atividade de comércio exterior. Mesmo assim, foram exportados US$ 18,4 bilhões, crescimento de 1,7% em relação a 2017. Já as importações somaram US$ 12,4 bilhões, com crescimento no ano de 7,4% no mesmo período. Assim, o saldo da balança comercial paranaense atingiu os US$ 6 bilhões, ficando 8,2% abaixo do registrado no ano anterior.

Este resultado exclui um movimento sazonal, ocorrido em novembro, que foi a venda de uma plataforma de petróleo para a Holanda, avaliada em US$ 1,6 bilhão. Esta negociação específica elevou o fechamento do balanço do ano para US$ 20 bilhões em valores exportados e crescimento de 10,8%, mas não reflete a realidade do que foi negociado no acumulado de janeiro a dezembro e no comparativo com anos anteriores. Mesmo assim, os dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Governo Federal consideram o saldo da balança comercial do Paraná em torno de US$ 7,7 bilhões, incluindo esta negociação.

Crédito das fotos: Gelson Bampi

Soja foi o principal produto exportado pelo PR em 2018: US$ 6,9 bilhões e crescimento de 22%.  Crédito: Gelson Bampi

Os principais produtos exportados pelo Paraná, em 2018, foram soja (US$ 6,9 bilhões e crescimento de 22%); material de transporte (US$ 3,5 bilhões e alta de 45%); carnes (US$ 2,6 bilhões e queda de 7%); e madeira (US$ 1,2 bilhão, e alta de 13,5%). A negociação da plataforma não alterou o resultado da quantidade de produtos exportados ao longo de 2018, que teve pequena redução 1,9% em relação ao ano anterior.

O comportamento da taxa de câmbio influenciou positivamente no crescimento de receita. “A desvalorização do real frente ao dólar favorece a atividade de comércio exterior porque o produto brasileiro fica mais atrativo no mercado internacional. Já a importação de produtos e insumos ficou mais cara”, explica o economista da Fiep, Evânio Felippe.

Em janeiro, a taxa de câmbio atingiu o menor valor do ano, R$ 3,211 por dólar (média do mês). O maior valor foi em setembro, R$ 4,116 por dólar. As maiores oscilações ocorreram em maio, com depreciação de 6,7% em relação a abril, e em setembro, desvalorização de 4,7% contra agosto. Em dezembro, o valor médio foi de R$ 3,885 por dólar.

Principais Mercados

Cerca de 85% dos produtos exportados pelo Paraná ficaram concentrados em 25 principais destinos. A atividade comercial com estes países teve crescimento de 16,5% em 2018, fortalecendo ainda mais a relação do estado nestes mercados. Em valores negociados, os maiores parceiros foram China (US$ 6,1 bilhões), Holanda (US$ 2,3 bilhões), Argentina (US$ 1,4 bilhão) e EUA (US$ 889,9 milhões). Já os países em que houve crescimento mais significativo das exportações em relação ao ano anterior foram Holanda (329%), Chile (44%), Itália (34%), China (30%) e Vietnã (25%). Já Japão (43%), Arábia Saudita (35%), Irã (33%), França (31%) e Argentina (30%) registraram redução no volume de negócios.

A exportação de produtos com maior valor agregado teve redução de 5,4%. Já os chamados não-manufaturados, tiveram crescimento de 10%, representando 52% do total exportado pelo estado em 2018. Nas importações, 92% foram de produtos industrializados e 8% de não-manufaturados.

Os principais produtos importados no ano passado foram químicos (US$ 4,2 bilhões e crescimento de 27%), petróleo e derivados (US$ 1,8 bilhão e queda de 15,8%), material de transporte (US$ 1,6 bilhão e alta de 20%) e itens de mecânica (US$ 1,13 bilhão e queda de 5%). Houve redução de 7,7% na quantidade de importações, principalmente de bebidas (50%), petróleo e derivados (31%), complexo soja (26%) e cereais (17%).

O valor das importações cresceu 7,4% em relação a 2017. Os mercados que venderam mais produtos para o Paraná foram China (US$ 2,3 bilhões), EUA (US$ 2 bilhão), Argentina (US$ 1,2 bilhão) e Alemanha (US$ 582,0 milhões). As maiores altas foram Nigéria (263%), Israel (140%), Arábia Saudita (71%), Suíça (51%) e Canadá (36%). O Paraná reduziu importações do Reino Unido (48%), Uruguai (25%), Marrocos (12%), EUA (11%) e Paraguai (9%).

Perspectivas para 2019

Este ano já começa com uma expectativa positiva por parte do industrial paranaense. De acordo com a pesquisa Sondagem Industrial, da Fiep, 81% dos gestores entrevistados, que representam mais de 600 empresas e cerca de 75 mil trabalhadores do setor, estão otimistas para 2019. Entre os que revelaram estar preparados para ganhar competitividade no mercado internacional, 20% pretendem investir em inovação. E entre as estratégias para crescer nesta modalidade de negócio, 28% admitiram que vão investir em novos produtos e 22% que pretendem entrar em novos mercados.

Outro fator serve de incentivo ao setor com relação a uma melhora de cenário. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio (MDIC), a média de crescimento do valor das exportações paranaenses de 2008 a 2018 foi de 3,5%, enquanto a do Brasil ficou em 2,4% no mesmo período.

Os números e o resultado da pesquisa confirmam uma maior confiança do industrial numa melhora na economia do país. “O novo reposicionamento da política externa brasileira, em especial à voltada a concretizar acordos bilaterais, que trazem melhores resultados, a abertura do país a novos mercados, somada ao fato de termos um parque industrial de qualidade, com grande diversidade de produtos, podem ter influência positiva para a atividade de comércio exterior do estado já neste ano”, acredita o vice-presidente da Fiep, Paulo Pupo.

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