Demandas do setor industrial paranaense serão encaminhadas ao governo federal

Iniciativa acontece após reunião da diretoria da entidade com o ministro da Economia, Paulo Guedes, que pediu a cada segmento que aponte quais são os principais entraves que atrapalham seus negócios

Diretoria da Fiep foi recebida no Ministério da Economia (Foto: Gelson Bampi)

Após uma série de encontros com representantes do governo federal e do Congresso Nacional, nesta semana, em Brasília, a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) vai encaminhar ao governo federal os principais entraves que vêm atrapalhando o desenvolvimento do setor industrial. Essa iniciativa atende a um pedido do ministro da Economia, Paulo Guedes, que em encontro com a diretoria da entidade afirmou que o governo precisa que os empresários indiquem quais são os principais gargalos atuais para suas atividades, para que a equipe econômica possa buscar soluções.

“Saímos de Brasília com um dever de casa: reunir todas as cadeias produtivas do Paraná, elencar quais são as principais dificuldades, por prioridade, e apresentar e discutir com eles”, explica o presidente da Fiep, Edson Campagnolo. “Ouvimos dos interlocutores do governo que nós, do setor produtivo – indústria, comércio, serviços, agricultura –, temos que vir até eles e dizer o que está emperrando nossos negócios”, acrescenta.

Por meio do Observatório Sistema Fiep, área que atua na elaboração de estudos prospectivos, já foram mapeados os principais fatores-chave para a competitividade da indústria paranaense. Eles compreendem áreas que vão desde educação até política econômica, passando por tributação, infraestrutura e inovação, entre outras. Esses fatores, além dos desafios a serem vencidos para cada um deles, estão compilados no Master Plan de Competitividade 2031, documento que foi divulgado aos candidatos durante o processo eleitoral do ano passado. “Quando a nossa economia entrou em crise, elencamos 30 desafios para a retomada do desenvolvimento industrial e quais ações adotar para transpor esses desafios”, explica Marilia de Souza, gerente executiva do Observatório. Junto com os desafios apontados no Master Plan, também serão enviadas ao governo demandas específicas que afetam os diferentes setores industriais.

Além de Guedes, que expôs à diretoria da Fiep as principais linhas de atuação do novo governo federal na área econômica, os industriais paranaenses também se reuniram, em Brasília, com o secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, Carlos Alexandre Da Costa. Responsável por políticas ligadas diretamente à indústria, Costa será o principal interlocutor nesse diálogo entre o setor e o governo. A Fiep promoveu, ainda, um encontro de sua diretoria com representantes da bancada paranaense no Congresso Nacional. Vinte deputados federais e dois senadores estiveram presentes.

Repercussão
Entre os industriais paranaenses que participaram da agenda em Brasília, a sensação é de que a equipe econômica do novo governo está disposta a, efetivamente, encontrar soluções para melhorar o ambiente de negócios do país. “Eu notei decisão e afinidade na equipe. Ela tem um norte bastante claro do que pretende fazer e isso é importante”, afirmou o vice-presidente da Fiep, Carlos Walter Martins Pedro, que também coordena o Conselho Temático de Política Industrial, Inovação e Design da entidade. “Não dá para planejar e investir sem você ter uma segurança do caminho que vai ser tomado. É uma oportunidade realmente, nesse começo de um novo governo, a gente estar fazendo as nossas reivindicações diretamente a quem vai executar essa política”, completou.

Também vice-presidente da Fiep e coordenador do Conselho Temático de Assuntos Legislativos, José Eugenio Gizzi disse ter saído das reuniões muito esperançoso. “Enxergamos um futuro melhor. Fiz questão de falar ao ministro que ele estava diante de mestres na geração de empregos formais e que, por isso, podemos contribuir muito nesse processo de recuperação do Brasil. Fico muito contente pelos canais de diálogo que a Fiep conseguiu abrir em Brasília”, disse. Gizzi destacou, ainda, a expressiva participação de deputados e senadores paranaenses no encontro desta quarta. “Todas as reformas e medidas passarão pelo Congresso Nacional. Conseguimos reunir dois terços da bancada paranaense e a maioria realçou o compromisso de lutar pelas reformas tão necessárias para o desenvolvimento do país”, afirmou.

Outro vice-presidente da Fiep, Helio Bampi também ressaltou o fato de os parlamentares demonstrarem ciência das prioridades para o país. “Deu para perceber, de maneira surpreendente, que há uma sintonia dos parlamentares, tanto dos deputados federais quanto dos senadores, em relação à pauta de Reforma da Previdência, Reforma Tributária e outras reformas que são específicas de setores e vão destravar a economia brasileira”, afirmou.

Também integrante da diretoria da Fiep, Rodrigo Martins disse ter notado nos representantes do governo e do Congresso que há uma nova percepção em relação ao papel do Estado brasileiro. “A gente percebe, tanto no Executivo quanto no Legislativo, uma nova forma de ver a presença do Estado, realmente como um parceiro e não como uma carga que nós, como sociedade, temos que carregar”, declarou.

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