Na contramão do país, produção industrial do Paraná mantém crescimento em março

Pesquisa do IBGE revela que indústria do estado foi a que mais cresceu no país no primeiro trimestre de 2019

Ao contrário do que o cenário econômico apontava, a produção industrial do Paraná surpreendeu em março e registrou crescimento de 1,5% em relação a fevereiro. O resultado vai na contramão do indicador nacional, que recuou 1,3% no mês, com nove dos 15 estados pesquisados tendo desempenho negativo.

No trimestre, Paraná obteve o maior crescimento entre todas as localidades pesquisadas.
Crédito da foto: Gelson Bampi

Na comparação deste março com o mesmo mês de 2018, a produção industrial do Paraná cresceu 2,4%. Já o Brasil teve queda de 6,1%. E, no acumulado do ano (janeiro, fevereiro e março), o resultado é ainda melhor. O Paraná obteve o maior crescimento percentual, 7,8%, entre todas as localidades pesquisadas. O Brasil registrou queda de 2,2% neste primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado.

O estado também puxou para cima o resultado da região sul, que obteve o melhor desempenho do país nos três primeiros meses de 2019. O estado superou Rio Grande do Sul (5,5%) e Santa Catarina (2,8%). “Contrariando o que vem ocorrendo no cenário nacional, o resultado deste mês e o acumulado no ano mostram a força e a robustez da atividade industrial do Paraná”, avalia o economista da Fiep, Evânio Felippe.

Segundo ele, a afirmação se justifica na medida em que o crescimento se dá contrariando todos os indicadores nacionais. “Além do resultado nacional de queda, as frequentes revisões para baixo no crescimento do PIB, hoje em 1,49%, e a redução na confiança e nas expectativas dos empresários sinalizavam outro cenário. Some-se a isso o aumento da taxa de desemprego divulgada esta semana na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE, e os dados da última Sondagem Industrial, da CNI, que mostravam um ambiente menos otimista para o setor produtivo”, declara.

Contribuíram setor de máquinas e equipamentos, produtos derivados do petróleo, produtos alimentícios e automotivo.
Crédito da foto: Gelson Bampi

Na Sondagem mensal da Confederação Nacional da Indústria, 25% das empresas paranaenses pesquisadas detectaram queda de produção. Em outro questionamento, 45% apontaram nível de utilização da capacidade instalada abaixo do usual e 34% também se queixaram de demanda interna insuficiente para seus produtos. “Este março também teve dois dias úteis a menos do que março de 2018, ou seja, todos estes elementos juntos apontavam uma tendência de queda ou estabilidade na produção industrial. Mas o resultado foi positivo e aponta uma melhora considerável em relação ao ano passado e ao registrado em outros importantes polos industriais brasileiros. O Sul é uma exceção neste primeiro trimestre turbulento e de baixo crescimento no país”, analisa.

Contribuíram para este bom resultado do Paraná no primeiro trimestre o setor de máquinas e equipamentos, com crescimento de 18,5%; produtos derivados do petróleo, alta de 14,3%; produtos alimentícios, 12,6%; e setor automotivo, com 11,7%. Quando comparado março deste ano com o do ano passado, as atividades são praticamente as mesmas. Máquinas e equipamentos registraram crescimento de 16,6%; produtos alimentícios, 13,9%; e derivados do petróleo, 10,7%.

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