Produção industrial de abril fica estável no Paraná

Ritmo de crescimento diminuiu, com alta de apenas 0,3%, e acompanhou tendência nacional

Um cenário de acomodação. É praticamente assim que se pode definir o resultado da pesquisa mensal do IBGE, que avalia o desempenho da indústria paranaense. O crescimento tímido em abril, de apenas 0,3%, revela que a produção industrial do estado reduziu o ritmo de crescimento que vinha apresentando desde janeiro, ficando praticamente estável, mesmo resultado obtido na pesquisa nacional.

De janeiro a abril, setor de máquinas e equipamentos foi o que mais cresceu no Paraná, 22,3% de alta.
Crédito da foto: Gelson Bampi

O indicador é melhor quando comparado com o mesmo mês de 2018, com alta de 2,1%. No país, esta mesma avaliação detectou queda de 3,9%. Já no acumulado do ano, de janeiro a abril, o estado contabiliza elevação de 6,2% na produção industrial, enquanto o Brasil registrou redução de 2,7%. E na avaliação dos últimos 12 meses, de maio de 2018 até abril deste ano, o indicador também é favorável no Paraná, com 3,1% de crescimento contra queda de 1,1% no nacional.

“Estes resultados revelam que, embora o ritmo de crescimento da produção industrial no Paraná venha diminuindo mês a mês, o estado, junto com o Rio Grande do Sul, ainda tem puxado o crescimento do setor no país”, pontua o economista da Fiep, Evânio Felippe. Os três estados do Sul têm obtido bons resultados, acumulando altas significativas no ano e nos últimos 12 meses.

No acumulado até abril, o crescimento da produção industrial se deu principalmente pelo desempenho do setor de máquinas e equipamentos, com crescimento de 22,3%; seguido pelo automotivo, com 15,6%; e de alimentos, com 10,4%. “Estas também são as principais atividades econômicas do estado e as que mais têm contribuído para os bons resultados no acumulado do ano. Duas delas têm relação direta com o agronegócio, que tem previsão de crescimento para este ano, segundo o IBGE. Só para a safra de grãos, a perspectiva é de 3,6% de alta”, justifica.

O setor de máquinas e equipamentos, por exemplo, revelou aumento de demanda por colheitadeiras, reboques e semirreboques, além de aparelhos de refrigeração e ar condicionado. No automotivo, houve crescimento na venda de automóveis para atender a demanda interna. E no segmento de alimentos, carnes e miudezas, rações para animais e açúcar contribuíram para o bom resultado do mês. “Apesar da posição de liderança do Paraná, os resultados poderiam ser ainda melhores se a economia brasileira não estivesse passando por dificuldades no âmbito interno e externo. A morosidade na aprovação das reformas da previdência e tributária, em Brasília, e a redução na atividade de comércio exterior em função da disputa comercial entre Estados Unidos e China, além da crise na Argentina, parceiros importantes do estado, podem ter influenciado o resultado”, avalia Felippe.

Sondagem

Na pesquisa Sondagem Industrial realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), referente aos dados de abril, 55% das empresas pesquisadas apontaram estabilidade e 31% queda no volume de produção. No mês anterior, neste mesmo indicador 21% das empresas sinalizava queda no volume de produção, e 59% estabilidade. Isso justifica, em parte, o crescimento tímido de 0,3% no mesmo mês.

Em relação ao nível de utilização da capacidade instalada, comparando abril deste ano com de 2018, 53,1% está em operando abaixo do usual para o mês. Apenas 2% declararam estar acima. Em março, 4,5% das participantes informaram operar acima do usual e 38,6%, abaixo.

Outra informação relevante é que 63% das empresas confirmaram atuar abaixo de 70% da capacidade instalada. No mês anterior este mesmo dado era de 57%. O estoque de produtos finais também está acima do planejado para 33% das pesquisadas, contra 27% registrados em março. Os dados sugerem uma dificuldade maior de comercialização das mercadorias.

Quando se aborda a evolução no número de empregos, 75% das pesquisadas revelaram atuar com estabilidade e 20% com postos de trabalho em queda. “O resultado da sondagem de abril revela uma certa acomodação no setor, com ritmo de produção mais lento do que o verificado nos últimos meses, devido ao desaquecimento da economia nacional”, conclui o economista.

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