Morosidade na aprovação das reformas gera desconfiança no industrial paranaense

Estudo mensal da Fiep, que avalia o grau de confiança do empresário paranaense, registrou a quarta queda seguida em junho

Ainda confiante numa melhora de cenário, porém, mais receoso do que estava até o fim do ano passado. Este é o sentimento detectado na pesquisa mensal realizada pela Fiep para medir o grau de confiança do industrial paranaense na economia. Junho é o quarto mês consecutivo de queda no Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), que ficou em 55,7 pontos, numa escala que vai até 100, 3,5 pontos abaixo do divulgado no mês anterior. Mesmo assim, ainda está na área de otimismo, acima dos 50 pontos. O indicador de junho também está abaixo da média registrada nos últimos 12 meses, que é de 59 pontos.

Crédito das fotos: Gelson Bampi

Ao decompor o resultado do ICEI, observa-se que tanto os indicadores de condições, referente aos últimos seis meses, quanto o de expectativas, para os seis meses futuros, puxaram o resultado para baixo. O primeiro teve queda de 3,5 pontos, somando 44,2 pontos no total, na área de pessimismo. O de expectativas também teve redução, de 3,6 pontos, ficando em 61,4 pontos no total, ainda na área de otimismo.

Os resultados revelam que as condições econômicas do país estão influenciando a avaliação do empresário tanto com relação aos últimos seis meses quanto na sua expectativa para os próximos seis meses. A justificativa para isso está atrelada à lentidão, em Brasília, na aprovação das reformas da previdência e tributária. A primeira tinha previsão inicial de ser votada no primeiro trimestre de 2019. Agora já se cogita que deve ir a plenário apenas após o recesso parlamentar de julho.

Para o presidente do Sistema Fiep, Edson Campagnolo, o tema é extremamente importante e precisa ser prioridade na pauta do congresso nacional. “A Reforma da Previdência vai corrigir distorções que desequilibram as contas públicas. Esse controle é essencial para a retomada da confiança de investidores e empresários na economia do país e para que possamos recolocar o Brasil no rumo certo, gerando riquezas, emprego e renda”, defende.

Campagnolo enfatiza que na visão do empresário só haverá uma alavancagem maior do setor quando de fato as reformas saírem do papel. “A Reforma Tributária, por exemplo, traria um fôlego maior ao empresário porque racionalizaria o sistema tributário, integrando a cobrança de vários impostos em um único, tornando a indústria mais competitiva, com melhora no ambiente de negócios e criação de novas vagas de trabalho”, diz.

Outro fator que justifica o resultado do estudo da Fiep são as seguidas revisões para baixo, 17 até agora, na expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para este ano. “Analistas financeiros consultados pelo Banco Central consideram que o índice deve ficar abaixo de 1%, bem menor do que o industrial esperava e muito próximo do valor registrado em 2018, ou seja, praticamente estagnado”, afirma o economista da Fiep, Evânio Felippe.

Com relação ao futuro, a pesquisa revela um resultado bem melhor. E o que pode explicar é uma percepção do empresário de que aqui no Paraná a piora na economia nacional foi sentida em menor intensidade e ele tem esperança de uma mudança de cenário ainda este ano. “Se isso ocorrer, teremos empresários confiantes, que tendem a fazer investimentos, aumentar a produção e criar novos postos de trabalho, fatores fundamentais para o crescimento econômico do estado e do país”, avalia Felippe.

Apesar do resultado, Felippe destaca que o índice de confiança do industrial ainda está na área de otimismo, ou seja, a visão do empresário ainda é positiva em relação ao futuro. “O que preocupa são as sucessivas quedas neste primeiro semestre, que revelam sua postura cautelosa, aguardando as definições em Brasília.

Sondagem Industrial

Um dos fatores que podem ter influenciado para uma visão mais otimista do empresário com relação ao futuro este mês está na Sondagem Industrial realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em maio, 43% dos entrevistados informaram estar com volume de produção estável e 24% detectaram aumento. O resultado é melhor do que o do mês anterior, que foi de 55% e 10%, respectivamente. “Esses dados confirmam os números divulgados no início do mês pelo IBGE, que apontaram crescimento, ainda que tímido, de 0,3%, da produção industrial paranaense”, reforça Felippe.

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