Com acordo bilateral, investimentos europeus no Mercosul crescerão US$ 115 bilhões até 2035

Estimativa foi apresentada pelo cônsul honorário da Alemanha em Curitiba, Andreas Hoffrichter, durante reunião de diretoria da Fiep nesta terça (16)

O cônsul Andreas Hoffrichter fez uma análise dos possíveis efeitos do acordo Mercosul-UE (Foto: Gelson Bampi)

Oportunidades e desafios que surgirão com o acordo bilateral firmado entre Mercosul e União Europeia foram debatidos pela Federação das Indústrias do Fiep (Fiep) nesta terça-feira (16), durante reunião de diretoria da entidade. O encontro contou com a participação do cônsul honorário da Alemanha em Curitiba, Andreas Hoffrichter, que afirmou que o acordo representará um novo patamar nas relações comerciais entre os dois blocos econômicos, inclusive proporcionando aumento de investimentos no Brasil.

“Vamos formar o maior bloco consumidor do mundo, e isso é importante especialmente pelo momento que vivemos de conflitos no comércio internacional”, disse, referindo-se às atuais relações entre Estados Unidos e China. Além disso, o acordo mostra que o Brasil entra em um novo cenário de relações internacionais. “Esse acordo sinaliza que o Brasil está disposto a mudar, já que é conhecido como um país protecionista. Também dá maior grau de previsibilidade nas relações econômicas entre os dois blocos, trazendo mais segurança para o investidor alemão e europeu”, explicou.

Com esse novo panorama, a expectativa é que também se ampliem os investimentos diretos europeus no Mercosul. “Até 2035, os investimentos da União Europeia no Mercosul devem aumentar em US$ 115 bilhões”, disse. Para Hoffrichter, além de poder ter mais facilidade para que produtos nacionais entrem no mercado europeu, outro benefício para o Brasil será o acesso a novas tecnologias. “Tenho certeza que o Brasil vai se tornar um país muito mais competitivo, mais inovador e vai receber muitos investimentos”, concluiu.

Para o presidente da Fiep, Edson Campagnolo, o acordo traz muitas expectativas e esperanças, mas também algumas dúvidas para os empreendedores brasileiros. “É uma grande oportunidade, mas também traz muitas preocupações. Não estamos preparados para a competição externa e estamos na ânsia de que as dificuldades sejam superadas”, afirmou, acrescentando que, a partir de agora, o Brasil deve acelerar a adoção de medidas para melhorar seu ambiente interno de negócios.

O vice-presidente da Fiep e coordenador do Conselho Temático de Negócios Internacionais da entidade, Paulo Pupo, explicou que as principais dúvidas estão relacionadas às linhas tarifárias que serão adotadas para os diferentes produtos abrangidos pelo acordo. “O que houve foi a conclusão das negociações, agora o acordo está sendo traduzido para todos os idiomas para que sejam aprovados pelos parlamentos de cada país e só então teremos mais detalhes”, disse. Apesar disso, ele diz estar seguro de que o acordo será benéfico para o Brasil. “É um bom momento, a balança comercial tem muito a aumentar e teremos acesso a tecnologias”, declarou.

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