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Industriais estão mais cautelosos em relação a 2006

Pesquisa da Fiep mostra que empresários esperam um ano com grandes desafios em função da manutenção da política econômica e do alto custo da máquina governamental

Apostar no potencial de sua empresa e na satisfação do cliente serão as estratégias adotadas pelo industrial paranaense para poder crescer em 2006. Dados da Sondagem Industrial, pesquisa realizada pelo Departamento Econômico da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), mostram que diminuiu a expectativa positiva do setor industrial, em comparação ao ano passado.

Apesar de 71,31% dos 396 empresários ouvidos – de pequenas, médias e grandes indústrias – considerarem que 2006 será um ano favorável, o percentual é o segundo menor da série histórica da Sondagem, iniciada em 1996. Em dezembro de 2004, a expectativa para 2005 estava em 85,31%. “Tivemos um ano difícil, com crises econômicas e problemas com o câmbio, apesar disto o empresário continua sendo otimista já que a maioria deles aposta em melhorias para o próximo ano”, afirma o superintendente corporativo do Sistema Fiep, Arthur Peralta Neto.

“A queda das expectativas é influenciada pela mesma razão da verificada em 2000, quando houve a mudança do sistema cambial brasileiro. Hoje os industriais vivenciam situação similar com o dólar em baixa pelo aumento das exportações e pelo mercado especulativo, que aplica nas taxas de juros”, avalia o coordenador do Departamento Econômico da Fiep, Maurílio Schmitt.

Apesar deste cenário, Schmitt acredita que alguns fatores poderão influenciar positivamente na economia brasileira em 2006. “Tem a Copa do Mundo, que movimenta alguns setores da economia. Também, é normal, em todos os países do mundo, os governos adotarem uma política expansionista em anos eleitorais, para transmitir um aumento da felicidade nacional”, avalia.

Entraves – Para o economista, o peso do Estado sobre a economia ainda preocupa os industriais. Os empresários apontam a elevada carga tributária como maior entrave à competitividade tanto para exportação (44,72%) quanto na disputa pelo mercado interno (78,06%). Esta percepção cresceu em relação à pesquisa anterior, quando os números ficaram em 38,61% e 72,78%, respectivamente.

Os encargos sociais também são considerados como freios da expansão econômica. Para 62,78% dos empresários pesquisados, este fator reflete diretamente na performance da empresa quando disputa espaço no mercado interno. Entre os que exportam, os encargos sociais estão embutidos no Custo Brasil para 40,83% dos entrevistados.

As altas taxas de juros ocupam a terceira colocação entre os 13 itens que diminuem a competitividade. Se na pesquisa passada, o peso dos juros era visto como um entrave para 19,17% dos entrevistados, na atual, este fator representa um problema para 38,61% dos entrevistados.

Em função disto, grande parte dos empresários (82,22%) somente investirá em novos projetos ou na modernização com recursos próprios. Enquanto no ano passado, 40,56% dos empresários tinham como preferência os recursos de linha de crédito governamental, este percentual caiu para 33,33% este ano. O capital proveniente de bancos é a opção de apenas 12,22% na atual pesquisa, contra 14,17% no fim de 2004.

No entanto, a cautela do setor industrial sobre o futuro econômico não inibe o planejamento das empresas. Se a satisfação do cliente é importante para 65,28% dos entrevistados, o desenvolvimento de negócios (com 54,17%), a incorporação de novos produtos (33,09%), a pesquisa, desenvolvimento e inovação de produtos (33,61%) e o desenvolvimento de funcionários (31,67%) também serão áreas estratégicas onde o empresariado deverá investir seu dinheiro.

De acordo com o Departamento Econômico da Fiep, a melhoria da produtividade é o principal destino dos recursos para 50,28% dos entrevistados. Dentro da escala de prioridades nos investimentos, estão o Desenvolvimento de produtos (46,11%), Modernização tecnológica (44,44%), Melhoria de processo (44,44%), Qualidade (42,50%), Aumento da capacidade produtiva (40,56%), Recursos humanos (26,11%), Propaganda e marketing (17,22%), Pesquisa de novas tecnologias (12,78%), Racionalização administrativa (12,50%) e o comércio eletrônico (6,11%).

2005 – A Sondagem Industrial apontou que em 2005 cresceu o número de empresas que não tiveram aumento da produtividade. Em 2004, eram apenas 8,06%. Em 2005, subiu para 12,05%. Entre as empresas que registraram ganhos de produtividade, o principal fator para ampliar a produção foi o Melhor gerenciamento de pessoal (62,78%). Depois, vieram Modernização tecnológica (49,44%), Melhor tratamento e administração das informações (32,50%), Utilização de técnicas gerenciais modernas (18,61%) e Terceirização (9,72%). O Departamento Econômico da Fiep destaca que, apesar da crise, em 2005 os industriais captaram mais recursos no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e na importação de novos equipamentos.

Competitividade – A grande maioria das empresas paranaenses (86,97%) considera que a informação é estratégica para os negócios. Para isto, eles contratam serviços de Instituições privadas (38,71%), Consultores (33,06%) e Instituições públicas (24,19%).

Estas informações são usadas na ação das indústrias para que possam se tornar mais competitivas no mercado. Mais da metade dos entrevistados (52,97%) afirma que estão mantendo a sua competitividade. Outra parcela (37,30%) avalia que vem ganhando a competitividade e apenas um pequeno número vem perdendo competitividade.

Quanto à competitividade internacional, 38,21% das empresas consideram que têm produtos aptos para ganhar mercado. Em função disto, 42,22% pretendem expandir seus esforços em ampliar as exportações.

Gargalos – A infra-estrutura paranaense é criticada pelos empresários. Mais da metade dos entrevistados (63,89%) considera que estão insatisfeitos com as rodovias paranaenses. Trinta por cento dos empresários não estão satisfeitos com os portos paranaenses. Na avaliação dos industriais, os melhores serviços são de Telefonia (62,50%) e de Energia elétrica (66,39%).


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