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Participantes de debate sobre a reforma política cobram eleições mais transparentes e comprometimento dos eleitos com as propostas de campanha


Empresários querem maior fiscalização do sistema político


A necessidade de uma mobilização ampla envolvendo todos os segmentos da sociedade brasileira para exigir mudanças nos sistemas político e eleitoral brasileiro e cobrar providências em relação à série de denúncias envolvendo os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário foi a tônica do debate sobre reforma política promovido na noite de segunda-feira (06) pelo Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).


A conclusão é que a sociedade precisa utilizar todos os instrumentos disponíveis para tornar as eleições mais transparentes e cobrar dos políticos eleitos a realização dos compromissos de campanha. “Enquanto não é possível fazer uma ampla reforma política precisamos fiscalizar a questão eleitoral com os meios de que dispomos, que são as leis já existentes. Neste contexto, a Justiça Eleitoral tem papel preponderante. A mobilização de empresários e dos formadores de opinião deve dar suporte a este trabalho de fiscalização e cumprimento das leis”, destacou o presidente da Fiep, Rodrigo da Rocha Loures.


O debate, que teve a participação do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato, e do analista político Augusto de Franco, foi acompanhado por um público eclético. Cerca de 300 pessoas estiveram presentes ao evento, que terminou por volta das 23 horas. Empresários, políticos, estudantes, professores e profissionais liberais acompanharam as palestras dos convidados e participaram ativamente do debate.


“A credibilidade está cada vez mais escassa. As eleições privatizam o Estado e nós precisamos estatizar o Estado”, disse Roberto Busato. Para ele, não basta a reforma política. “É preciso reformar mentalidades”. Busato condenou os partidos de aluguel e os negócios eleitorais e disse que é preciso banir o nepotismo de todas as esferas, o uso eleitoral do Congresso e o Caixa 2. “Tudo isso conspira contra a cidadania. É um crime de lesa-pátria”, disse.


O presidente da OAB citou o exemplo do Conselho Nacional de Justiça, que está coibindo a prática do nepotismo no Poder Judiciário. “Isso só aconteceu por meio do controle externo do Poder Judiciário, bandeira que estamos defendendo há 30 anos e que agora começamos a colher os primeiros frutos”.


Para o analista político Augusto de Franco, não é possível assistir passivamente a tudo o que está acontecendo no País. “Alguma coisa é preciso ser feita e mudanças só vão acontecer se o cidadão se manifestar”, disse. Para o analista político, o tema – reforma política – é estratégico para o país e é um assunto de cidadãos. “A reforma política é um item importante de uma ação ainda maior, que é a reforma da política nacional”, sublinhou.

O presidente da Fiep, Rodrigo da Rocha Loures, disse que o Brasil precisa de uma série de reformas, mas todas elas passam necessariamente pela reforma política que ele classifica como prioritária. Rocha Loures condicionou as reformas ao que chamou de binômio “educação e participação”. O presidente da Fiep também considera o tema estratégico para o país e disse que a sociedade brasileira precisa de mobilizar para que a democracia seja efetivamente uma prática.


“Se fizermos com que as leis sejam cumpridas já será um grande avanço”, afirma Rocha Loures. Segundo ele, o primeiro passo para ocorrer a mudança que a sociedade brasileira tanto espera poderia ser o funcionamento correto da Justiça Eleitoral no decorrer do próximo pleito. “Temos que exigir que a Justiça Eleitoral funcione para valer, combatendo os abusos que têm sido comuns”, disse.


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