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Inova Engenharia

Programa que pretende reformular cursos de engenharia é lançado no Paraná

Programa que pretende reformular cursos de engenharia é lançado no Paraná


Objetivo é adequar os cursos às necessidades do mercado


O Brasil forma 20 mil engenheiros por ano. A Coréia forma 80 mil e a China, 300 mil. Além de formar poucos engenheiros, os profissionais que saem das faculdades não estão devidamente preparados para atender as atuais exigências do mercado. Esta queixa é comum por parte do empresariado do setor industrial brasileiro.  Embora o Brasil tenha bons cursos sob o ponto de vista técnico, eles não oferecem conteúdos como gestão, empreendedorismo, liderança, capacidade de trabalhar em equipe e habilidade de comunicação escrita e oral.
 
Com o objetivo de reformular e modernizar os cursos de engenharia, foi lançado na última quarta-feira (19), em Curitiba, o programa Inova Engenharia. Já lançado nacionalmente em maio último, o programa foi idealizado pelo Senai e IEL nacionais e capitaneado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com a participação de 17 entidades do setor público e privado. Em âmbito estadual, será coordenado pelo Sistema Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) por meio do IEL, Senai e Unindus (Universidade da Indústria).
 
“Os empresários brasileiros têm se debruçado ao longo dos últimos anos sobre o desafio de melhorar a produtividade e a competitividade das indústrias. Mas, para isso, só vontade não basta, é preciso capacidade”, disse o presidente do Sistema Fiep, Rodrigo da Rocha Loures, no lançamento do programa. Ele informou que o Brasil está em desvantagem quantitativa e qualitativa na formação de engenheiros em relação aos seus principais concorrentes internacionais e, por isso, é fundamental e urgente a reforma dos cursos de engenharia. Segundo Rocha Loures, um engenheiro bem formado, com as habilidades que o mercado atual exige, é indispensável no processo de inovação tecnológica que vai garantir a competitividade da indústria brasileira.


Reforma do ensino universitário


O assessor do Senai Nacional e coordenador do Inova Engenharia, Marcos  Formiga, disse que o programa deriva das contribuições apresentadas pela  Confederação Nacional da Indústria  (CNI) ao projeto de lei da reforma do ensino universitário. “Estamos nos preocupando com a engenharia porque nenhum outro profissional responde tão bem à inovação junto às indústrias”, destacou Formiga. Segundo ele, uma grande preocupação é que o Brasil está invertendo a equação internacional, mantendo cerca de 80% dos engenheiros pesquisadores nas universidades e centros de pesquisa e menos de 20% nas empresas. “Nos países desenvolvidos e em desenvolvimento, acontece o inverso”, informa. Para inverter esta realidade, de acordo com Formiga, a disposição dos empresários é fundamental. “A indústria tem que abrir as portas para os engenheiros”, defende.


Segundo Formiga, a conseqüência desta inversão aparece na estagnação do PIB. Enquanto nos países emergentes do continente asiático a participação no PIB mundial cresceu de 10% para 25% de 1980 a 2005, nos países da América Latina esta participação manteve-se praticamente estável, passando de 7% para 8%. “Isso significa que não fizemos o dever de casa. Faz 50 anos que fazemos boa ciência no Brasil, mas não conseguimos transformar esta ciência em inovação”.


O coordenador nacional do Inova Engenharia revela ainda que a pirâmide da formação acadêmica no Brasil está invertida: “40% dos profissionais formados no país saem dos cursos das áreas humanas e de ciências sociais e apenas 13,2% dos cursos da área tecnológica. O Brasil não precisa e não tem oferta de emprego para tantas pessoas formadas nas áreas humanas”, afirma Formiga. Ele cita o exemplo de países desenvolvidos tecnologicamente. Na Coréia, o índice de formação de engenheiros em relação aos demais profissionais de nível superior é de 27,4%; no Japão, 21,3% e na Alemanha, 17%. Outra inversão no Brasil, segundo Formiga, é que 51% dos engenheiros formados são engenheiros civis, quando hoje a demanda maior é pelas outras habilitações.


O vice-reitor da PUC do Rio de Janeiro, Luiz Scavarda, que participou do lançamento do programa, disse que o Inova Engenharia difere de todos os demais programas já lançados no Brasil com o mesmo propósito porque nasce dentro das indústrias.  Scavarda destaca que a responsabilidade do engenheiro não se limita à competitividade industrial, mas é muito mais ampla. “O trabalho do engenheiro está ligado às necessidades básicas do ser humano, que dependem de infra-estrutura, como água, saúde, energia, habitação e biodiversidade, vindo, inclusive, de encontro aos Objetivos do Milênio, da ONU.

UNIVERSIDADES E ENTIDADES DE CLASSE PARTICIPAM DO DEBATE
 
Representantes das universidades e de entidades de classe participaram do debate sobre o Inova Engenharia. O reitor da UTFPR, Éden Januário; o diretor do setor de Tecnologia da UFPR, Mauro Lacerda Santos Filho; e o diretor de Relações Externas da PUCPR, Sérgio Gouvêa da Costa, representaram o meio acadêmico. Os três relataram iniciativas das instituições de aproximação com o setor empresarial. O representante da PUCPR, Sérgio Gouvêa, disse que apesar do paradigma de que os professores são essencialmente acadêmicos e não têm vínculo com a realidade, existe um esforço de aproximação por parte das instituições de ensino com o meio empresarial. “Estamos procurando diminuir esta distância”, revelou.


Éden Januário, da UTFPR, destacou que o estágio supervisionado, a larga carga horária em laboratórios e disciplinas de empreendedorismo, onde o aluno tem que buscar a solução para os problemas, têm como propósito exatamente aproximar o estudante de engenharia do ambiente externo. Já o representante da UFPR, Mauro Lacerda, disse que as mudanças que propõem o Inova passam necessariamente por uma reformulação do sistema de avaliação do MEC que hoje restringe muito a atuação das instituições de ensino. Ele destacou também a importância de se trabalhar uma cultura tecnológica já no ensino médio.


Representaram as instituições de classe no debate, Wilson Gorges, do CREA e Ney Fernando Perracini de Azevedo, do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP). Ambos apoiaram a iniciativa do Inova e informaram que as instituições que representam já trabalham na aproximação da academia com a área empresarial. O empresário Egon Torres Berg, da Associação Brasileira de Cerâmica, representou a iniciativa privada no debate.  Ele disse que a dificuldade de  comunicação entre empresários e acadêmicos dificulta a aproximação. Para o empresário, o estágio é um bom caminho para esta integração. Ele relatou, inclusive, exemplos de solução de problemas dentro das empresas onde a participação dos estagiários foi decisiva.


Algumas das 17 instituições públicas e privadas parcerias do programa são: Ministério da Educação, Capes, CNPq, Ministério da Ciência e Tecnologia, Finep, Instituto de Engenharia, Confederação Nacional de Engenharia e Arquitetura, Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Associação Brasileira de Pesquisa Científica e Tecnológica (ABIPTI), Academia Brasileira de Ciências, Agência Espacial Brasileira, entre outras. O coordenador nacional do programa, Marcos Formiga, informou que, embora estas instituições tenham participado da concepção inicial do Inova, o programa não está concluído e outras entidades estão convidadas a participar e dar sua contribuição.  

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