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Ergonomia tem influência na competitividade das empresas, diz especialista

O francês Tahar-Hakim Benchekroun participou de mesa-redonda promovida pelo Sistema Fiep, sexta-feira, em Curitiba

clique para ampliar Papel do profissional ergonomista adaptar o trabalho ao homem, disse o especialista (Foto: Rogério Theodorovy)

O especialista francês Tahar-Hakim Benchekroun, do Conservatório Nacional de Artes e Ofícios (CNAM) da França; o presidente da Associação Brasileira de Ergonomia (ABERGO), José Orlando Gomes; e o diretor da ABERGO, Paulo Antônio Barros de Oliveira, participaram hoje pela manhã (sexta-feira, 26), em Curitiba, da mesa redonda “Ergonomia: Recurso para o Desenvolvimento Sustentável visando o Bem-estar no Trabalho”.  

O evento, realizado pelo Sistema FIEP em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), atraiu cerca de 150 profissionais de indústrias da região de Curitiba, nas áreas de segurança e saúde no trabalho, de recursos humanos, ergonomia, psicologia e outros interessados na saúde do trabalhador.

Os especialistas defenderam a idéia de que o desenvolvimento sustentável do Brasil depende da mudança cultural e social sobre a ergonomia. O especialista francês disse que é papel do profissional ergonomista adaptar o trabalho ao homem, um conceito que já virou regulamentação na União Européia. “O novo modelo ergonomista deve ser menos reativo e mais antecipativo”, afirmou.  Ele explicou que a abordagem de reparação e correção de um problema depois que ele já ocorreu tem eficácia relativa. Na Europa a abordagem antecipativa já é realidade.

Segundo Benchekrou, a nova abordagem ergonômica considera as ações de saúde, segurança e bem-estar no trabalho não mais como ações sociais, mas elementos muito influenciadores na competitividade das empresas.

Segundo ele, a mensuração dos dados serve não apenas para cumprir a legislação, mas para mapear realisticamente as condições de cada empresa e para subsidiar ações preventivas programadas e planos abrangentes, relacionados à melhoria da competitividade e da produtividade.

O especialista do CNAM disse que o bem-estar no trabalho e o bem-estar geral se influenciam reciprocamente. O bem-estar compreende as esferas física, social e mental do ser humano. A interpretação da definição de saúde da Organização Mundial de Saúde coloca trabalhadores e empresas lado a lado, como responsáveis pela saúde do trabalhador. “O trabalhador é ator de sua saúde e a empresa, atriz, porque deve prover meios para o empregado atuar em prol da saúde”, disse.

Além disto, o bem-estar no trabalho depende da percepção de valor de seu trabalho e do relacionamento com os colegas e com a sociedade. O especialista francês aconselhou as empresas brasileiras a mobilizarem-se em torno da ergonomia, a colocarem em prática planos de ação integrados a outras áreas e a acompanharem os resultados em prol do desenvolvimento sustentável.
Integração – O presidente da Associação Brasileira de Ergonomia  José Orlando Gomes, disse que o evento – transmitido a  diversas regiões do Brasil por meio de videoconferência –  representa para a entidade um marco, pois efetiva a integração de ergonomistas à comunidade industrial do Brasil.

Ele também defendeu o papel da Ergonomia como poderoso agente de desenvolvimento sustentável para o Brasil e disse que concorda que a abordagem antecipadora da Ergonomia tem potencial de desenvolvimento e mudança cultural. “O Brasil tem potencial para exportar processos em Ergonomia”, afirmou. No entanto, segundo ele, também existe carência na formação destes profissionais.

Na opinião do diretor da ABERGO, Paulo Antônio Barros de Oliveira, o atendimento à legislação relacionada à Ergonomia não é só obrigação, mas o mínimo que a empresa pode e deve fazer em prol do seu próprio desenvolvimento e do desenvolvimento social do país.

“O papel do ergonomista nas empresas deve ser muito mais abrangente que cumprir a legislação ou ater-se aos possíveis problemas posturais do empregados”, disse ele. “O profissional ergonomista, independentemente da formação, deve apoiar e trabalhar em conjunto com o engenheiro de produção e o técnico de manutenção, revisando a produção e se envolvendo na concepção dos projetos”, exemplificou.

Experiência – O diretor do Senai-PR, João Barreto Lopes, disse que para as indústrias do Brasil é muito útil conhecer e aprender com a experiência européia em Ergonomia. “A Europa já passou por uma exacerbação no desenvolvimento industrial. Podemos errar pouco aproveitando as coisas boas que vocês fizeram para compensar os problemas que já passaram”, disse ao especialista francês.

O Sistema Fiep, o  Conservatório Nacional de Artes e Ofícios (CNAM), da França, e a Universidade Federal do Rio de Janeiro oferecem, em Curitiba, o Curso de Certificação Internacional de Competência em Ergonomia para a Indústria, uma iniciativa inédita no Brasil na área de segurança e saúde ocupacional.

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