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Concorrência com concessionárias é desafio para setor de reparação

Dificuldades e propostas para o setor de reparação de veículos foram apresentadas nesta quinta-feira (09), em Curitiba, durante o Fórum Setorial, promovido pela Fiep

clique para ampliar Cássio Hervé, diretor do Jornal Oficina Brasil, apresentou dados brasileiros do setor (Foto: Rogério Theodorovy)

O setor de reparação de veículos passou por uma experiência interessante em função da crise. Na maioria dos setores, há diminuição dos serviços por conta da redução da renda da população. “Com o setor de reparação acontece o inverso: quando há diminuição da renda, há aumento no serviço”, disse Cássio Hervé, diretor do Jornal Oficina Brasil e do Grupo Germinal, de São Paulo, que participou nesta quinta-feira (09), em Curitiba, do Fórum Setorial de Reparação de Veículos, promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).

Hervé explicou que a medida do governo de reduzir o IPI para a compra de veículos novos trouxe reflexos negativos. “A isenção do IPI para veículos automotivos prejudicou o setor, pois a população prefere comprar um carro novo a fazer manutenção no carro antigo”, afirmou. Hoje, estima-se que a vida útil de um carro no Brasil seja de nove anos e dois meses, mas existe uma tendência de renovação da frota, iniciada a partir do início de 2009, com as facilidades na aquisição de carros novos.

Segundo o diretor da Fiep Evaldo Kosters, um dos principais obstáculos ao desenvolvimento do setor é a concorrência das oficinas independentes com as concessionárias. “É necessário fortalecer a imagem da categoria. Hoje, a população identifica a concessionária, as montadoras, e não as oficinas independentes”, afirmou, destacando que, no Brasil, as oficinas independentes são responsáveis pela manutenção de 80% da frota circulante.

Dados apontam que não houve aumento no número de concessionárias como ocorreu com a frota no Brasil. “As concessionárias não conseguiriam atender a demanda se todos os donos de veículos as procurassem na hora de consertar seus carros. É por isso que vemos hoje um aumento de procura pela rede independente. Os motoristas deixam de frequentar concessionária quando os carros completam 1 ano e 8 meses”, ressaltou Hervé.

Durante o Fórum, empresários do setor elencaram medidas para ajudar o setor a crescer diante da crise. “Temos que investir em capacitação de mão-de-obra, bem como a capacitação gerencial dos empresários. O principal desafio, entretanto, é ampliar o mercado de reparação de veículos, conquistando o cliente do carro novo, que agora está saindo da garantia, e vai precisar de serviços de reparação”, explicou Kosters.

“Temos que atingir as camadas mais humildes da população. Nossa proposta é criar uma linha de crédito atrativa, em que o consumidor possa parcelar seu serviço de reparação em 10 ou 12 vezes. Isso incrementa o número de serviços nas empresas e demanda treinamento e qualificação no Estado”, sugeriu Wilson Bill, presidente do Sindicato das Empresas de Reparação de Veículos (Sindirepa).

Outras prioridades para o setor são a reforma trabalhista e tributária, a fiscalização e o combate às empresas informais, o incentivo ao associativismo, a uniformização dos serviços, e a criação de um “selo verde” para empresas filiadas aos sindicatos e ambientalmente corretas.

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