Sindimetal-PR comemora 60 anos de atuação

Celebração do aniversário da entidade foi marcado por homenagens a empresários e uma palestra do economista Ricardo Amorim, que traçou um panorama otimista para a economia brasileira nos próximos anos

O presidente do Sistema Fiep, Carlos Valter (à direita), entregou homenagem ao presidente do Sindimetal-PR, Alcino Tigrinho (Fotos: Gelson Bampi)

O Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Paraná (Sindimetal-PR) celebrou, nesta quinta-feira (28), seus 60 anos de fundação. Na solenidade, realizada na sede da instituição, em Curitiba, foram homenageados empresários que contribuíram com a história do sindicato, que hoje representa mais de 2,5 mil indústrias do setor, instaladas em 80 municípios. O evento teve também uma palestra com o economista Ricardo Amorim, que analisou o cenário de recuperação econômica que o Brasil começa a viver.

O presidente do Sistema Fiep, Carlos Valter Martins Pedro, que participou da festividade, parabenizou o Sindimetal-PR pela data expressiva, destacando que os sindicatos são o elo mais próximos das empresas no sistema de representação das indústrias. “Deixo o reconhecimento ao Sindimetal-PR, a sua diretoria, pelo trabalho que vocês fazem. E contem com o Sistema Fiep para fortalecer cada vez mais o apoio às indústrias do setor”, afirmou.

Já o presidente do Sindimetal-PR, Alcino Tigrinho, disse que a história do sindicato começou muito antes de 1959, ano de sua fundação, relembrando a atuação dos primeiros ferreiros e fundições que se instalaram no Paraná. Além disso, destacou que a união das indústrias proporcionada pela instituição é fundamental para aprimorar o setor. “Convidamos as empresas a se associar ao sindicato, a participar da vida desta casa, que só assim vamos chegar aos melhores resultados para nossas indústrias”, declarou.

Ricardo Amorim traçou um panorama favorável para a economia brasileira nos próximos anos

Cenário de otimismo
Além da celebração, a solenidade de aniversário de 60 anos do Sindimetal-PR serviu também para levar informações aos empresários do setor. Durante o evento, o economista Ricardo Amorim, presidente da Ricam Consultoria, fez uma análise do cenário econômico brasileiro atual e apresentou suas perspectivas para os próximos anos. Para ele, o país começa a dar sinais mais fortes de recuperação, gerados especialmente pelo avanço da agenda de reformas no Congresso Nacional, com destaque para as mudanças no modelo previdenciário.  “No curto prazo, a Reforma da Previdência faz com que o país não quebre. No longo, criar as condições para um novo país, caso sejam promovidas algumas outras mudanças”, disse.

Entre essas outras medidas, destacou a necessidade de uma Reforma Administrativa que modernize a máquina pública e dê mais eficiência aos gastos governamentais. Isso abrirá espaço também para uma Reforma Tributária que simplifique e, em um segundo momento, reduza a carga de impostos que eleva os custos para o setor produtivo nacional.

Com essa mudança estrutural, somado um cenário de juros baixos – que devem cair ainda mais –, Amorim acredita que o Brasil entrará em um novo ciclo de investimentos produtivos, assim como já vem ocorrendo em diversos outros países emergentes. “Hoje, três quartos do crescimento econômico mundial vêm acontecendo em mercados emergentes”, disse, acrescentando que o mercado brasileiro, por sua dimensão, é atrativo para qualquer empresa que queira se destacar no cenário global. Além disso, o forte crescimento dos emergentes, com mais pessoas ingressando no mercado consumidor, amplia a demanda por alimentos e produtos básicos, setores em que o Brasil se destaca.

Porém, considera que não apenas o agronegócio deve aproveitar essa oportunidade. A indústria também tem condições de voltar a crescer, mas, além da melhoria do ambviente de negócios pelas reformas, o país precisa atacar outros problemas para ampliar a competitividade do setor. Um dos principais, segundo o economista, é incrementar a inovação e o uso de tecnologias ligadas à transformação digital pela qual passa todo o mundo. “Ou a gente inova, ou já era. Ou o Brasil entra de cabeça no processo de transformação que o mundo está passando, ou vamos ficar para trás. E a hora para isso é agora”, afirmou.

Nesse ponto, porém, faz um alerta para a necessidade de maiores investimentos em educação no país. “Não estamos avançando em educação, e precisamos desesperadamente. Isso causa um risco de temos um mar de desempregados que não possa ocupar as vagas que serão criadas”, justificou. E, para Amorim, é essencial fortalecer entidades de formação técnica, como as que integram o Sistema S – do qual o Senai faz parte. “Acabar com o Sistema S, como vem sendo cogitado, é um erro, é uma das poucas coisas que discordo da equipe econômica. O Sistema S tinha que aumentar, não diminuir”, declarou.

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