Observatório Sistema Fiep conquista os primeiros lugares no 1º Desafio de Dados da CNI

Desafio propôs a análise de dados da educação básica no país

No dia 12 de dezembro, foi divulgado o resultado do 1º Desafio de Dados realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A competição teve como tema “Explorando os Resultados do Saeb 2017: uma jornada em busca de novas metodologias e cenários preditivos não descritivos”. Nesta primeira edição do Desafio, o Observatório Sistema Fiep conquistou os três primeiros lugares. A premiação aconteceu durante evento da CNI no Centro Internacional de Convenções do Brasil, em Brasília.

Os participantes foram desafiados a produzir insights e melhores entendimentos acerca dos dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2017. Para isso, eles tiveram que trabalhar a contextualização dos dados e propor alternativas consistentes para mitigar ou dirimir os potenciais problemas identificados. Os trabalhos apresentados foram avaliados por curadorias temáticas e técnicas, compostas por profissionais da CNI e da Qubo Tecnologia.

“Esta iniciativa da CNI reveste-se de vital importância, pois ajuda a disseminar a cultura de análise de dados e geração de inteligência. Para nós, foi uma oportunidade singular, nossas equipes jovens e brilhantes puderam mostrar seu valor. Sem dúvida alguma, os resultados do concurso ratificaram a posição de destaque do  Sistema Fiep no Brasil em termos de capacidade analítica e provimento de subsídios para a tomada de decisão” analisa Marilia de Souza, gerente executiva do Observatório Sistema Fiep.

Influências na proficiência dos alunos do ensino médio

Para saber o que influenciou os resultados do Saeb 2017, em especial dos alunos do ensino médio que apresentaram os desempenhos mais baixos, os profissionais Brenda dos Santos Leal, Carine de Almeida Vieira e Thiago Luís de Quadros Ramos Pinto desenvolveram um simulador online, rendendo à equipe o 1º lugar no Desafio de Dados.

Após o levantamento de uma série de informações que pudessem interferir no rendimento dos alunos, a equipe classificou as variáveis em três grandes grupos: aquelas que eram condições do aluno e do ambiente familiar; as que dependiam da escola; e as que seriam decorrentes do incentivo local (municipal). Para criar o simulador, além dos dados do Saeb, eles usaram indicadores educacionais do INEP, índices de desenvolvimento municipal da Firjan e dados de gastos municipais do tesouro nacional. Os dados foram cruzados utilizando um modelo de machine learning.

A partir do simulador, é possível explorar possíveis cenários até 2030 para as cinco macrorregiões brasileiras, considerando a proficiência dos alunos em Língua Portuguesa e Matemática e seus determinantes. É possível observar, por exemplo, qual é a influência no rendimento escolar da estrutura da escola, da quantidade de horas-aula média diária, do grau de alfabetização da mãe, dos recursos do município, entre outras variáveis.

A influência dos pais na proficiência em Língua Portuguesa

A equipe que conquistou o 2º lugar no Desafio avaliou a influência dos pais na proficiência em Língua Portuguesa de alunos do 5º ano. Os autores Carlos Eduardo Frohlich, Leandro Luiz dos Santos, Ramiro Pissetti e Raquel Valença realizaram uma análise econométrica que sinaliza elevação da nota na disciplina, por conta da relação com os pais. Foi considerada uma série de variáveis, como “morar com a mãe ou o pai” e “ver a mãe ou pai lendo”. Como exemplo, a análise mostrou que estudantes cujos pais os incentivam a estudar tendem a ter nota 12,44 pontos superior à nota daqueles que carecem de tal incentivo.

Nesse contexto, a recomendação dos profissionais é de que as escolas contemplem a variável “pais” na estratégia educacional; aprofundem as análises sobre a influência dos pais em diversas proficiências; aproximem os pais ao ambiente escolar; incentivem os pais com baixa escolaridade a retornar aos estudos; e desenhem programas para maior participação dos pais na vida escolar dos filhos.

O impacto do trabalho no desempenho escolar

Tratando do impacto do trabalho no desempenho escolar, a equipe formada pelos profissionais Eduardo Michelotti Bettoni, Katia Franciele Villagra e Michelli Gonçalves Stumm conquistou o 3º lugar na competição. A ideia do projeto partiu de estudos recentes que mostram que o esforço laboral realizado por crianças e adolescentes pode levar ao cansaço traduzindo-se em menos dedicação ao estudo, menor frequência e maior atraso escolar. Segundo o IBGE, cerca de dos 2 milhões de crianças e adolescentes entre 5 a 17 anos estão ocupados no desenvolvimento de atividades econômicas ou no cuidado de pessoas e afazeres domésticos.

Para estimar como a atividade laboral impacta no desempenho de alunos da 3ª série do Ensino Médio, a equipe utilizou a base de dados do Saeb. Como resultado, o estudo identificou que o trabalho doméstico e externo provoca quedas de até 10,5% no desempenho escolar. Como forma de reduzir o problema, a equipe propôs a criação de campanhas de conscientização sobre os riscos do trabalho precoce; a adequação da carga horária escolar para diminuição do tempo de trabalho; e a elaboração de modelos de ensino adequados a estudantes trabalhadores.

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