Sobrevivência de muitas empresas depende de expansão para o mercado externo, alerta Fiep

Para exportar, é preciso estar atento a questões culturais, legais e burocráticas. Detalhes foram apresentados nesta quinta-feira (12) no curso Capacitação em Comércio Exterior 

Naijla Alam, analista de Relações Internacionais da Fiep, apresenta o Portal Único de Comércio Exterior como ferramenta para desburocratizar o processo de exportação. (Foto: Gelson Bampi)

Mais do que simplesmente exportar, as empresas precisam se atentar a algumas questões que envolvem desde processos burocráticos e legislações até aspectos culturais dos países nos quais pretendem inserir os seus produtos. Devem ser levados em conta, ainda, questões operacionais relacionadas ao planejamento, custos e conceitos para o acesso a esses novos mercados. Os detalhes do processo de exportação foram apresentados ontem pelo Centro Internacional de Negócios (CIN), do Sistema Fiep, no curso Capacitação em Comercio Exterior, realizado no Campus da Indústria, em Curitiba, com transmissão por videoconferência para o interior do Paraná.

De acordo com Eduardo Godoy Ribas, analista de Relações Internacionais do Sistema Fiep, a sobrevivência de muitas empresas depende da expansão para o mercado internacional. E essa decisão deve ser tomada de forma cautelosa. “É preciso considerar o conjunto de fatores que interfere no processo – econômicos, sociais e políticos – além de fatores de ordem financeira da própria empresa”, comenta. “Uma decisão tomada de forma errada, impacta em todos os processos da instituição e, consequentemente, nos resultados e na rentabilidade do seu negócio”, pondera.

Para ele, os principais desafios que as empresas encontram ao exportar, são: o conhecimento de mercado, a estruturação do departamento de comércio exterior (pessoal, idioma, recursos), as questões cultural e comercial, o ambiente diversificado de negócios e a precificação para a exportação. “O Brasil exporta mais commodities. Os produtos manufaturados têm espaço, mas dependem do desempenho da indústria. O acordo entre o Mercosul e a União Europeia vai fazer com que as empresas se fortaleçam e se preparem ainda mais para a concorrência global”, ressalta.

Segundo Naijla Alam, também analista de Relações Internacionais do Sistema Fiep, um planejamento estratégico bem feito, aliado a um bom monitoramento do mercado, resulta num processo de exportação/internacionalização com muito mais chances de dar certo. “Em contrapartida, os benefícios da legislação brasileira são inferiores aos dos benefícios das legislações estrangeiras – o que dificulta alguns processos”, enfatiza.

Em relação à simplificação e desburocratização dos processos para a exportação, Naijla comenta sobre o Portal Único de Comércio Exterior, iniciativa de reformulação dos processos de importação, exportação e trânsito aduaneiro. “Com isso, procura-se estabelecer processos mais eficientes e integrados para desburocratizar o processo de exportação”, relata.

Riscos e barreiras ao Comércio Exterior

  • Por parte do exportador: falta de uma cultura exportadora e de uma estrutura profissional interna adequada;
  • Por parte do país exportador: excesso de regulamentações, falta de uma imagem correta do país exportador, políticas cambiais e instabilidade econômica;
  • Por parte do país importador: diferenças culturais, impostos de importação, normas técnicas, localização geográfica (custos com transporte), excesso de regulamentações (longos períodos para verificação de documentos), política cambial, presença de concorrentes locais, custos financeiros elevados no mercado, poder de pressão dos sindicatos (exigência de utilização de produto local);

Além disso, ainda existem as barreiras tarifárias e as não tarifárias. Sobre as não tarifárias, segundo Eduardo, as que são mais rigorosas são as barreiras técnicas, sanitárias e ecológicas.

 

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