Indústrias de Cal e Calcário contribuem para o enfrentamento da crise

Consideradas essenciais, indústrias do setor mineral mantêm produção, seguindo todos os protocolos recomendados pelas autoridades sanitárias  

 A cal é um dos principais produtos usados no tratamento de água potável e esgoto e na desinfecção das instalações de criadouros de aves, suínos, gados e peixes. É usada também nas usinas sucroalcooleiras na produção de açúcar e ainda na manufatura de látex e plásticos, insumos de equipamentos de proteção individual (EPIs), de bolsas de sangue e de equipamentos médicos. Por esta razão, o produto é considerado essencial e as indústrias do setor continuam produzindo, mesmo durante a pandemia de coronavírus e, em especial neste período, para atender a maior demanda por estes itens.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Cal no Paraná (Sindical), Marcelo Poli, afirma que a manutenção da atividade é fundamental. Ele destaca a portaria 135, do Ministério de Minas e Energia, editada em 28 de março último, que considerou como essenciais as atividades de mineração, dentre elas a produção de cal e calcário, garantindo a operação normal das indústrias do setor neste momento.

O presidente da Associação dos Produtores de Derivados de Calcário (APDC), Gilmar Cavali, também aprovou a medida. Segundo ele, o agravante é que a cal não é um material que possa ser estocado por períodos longos. “Portanto, uma interrupção no fornecimento poderia trazer consequências para vários segmentos, principalmente os essenciais, especialmente para o tratamento de água nas empresas de saneamento e fornecimento de água potável para a população”, alerta.

Corretivo agrícola – Enquanto a cal é relevante na higiene, limpeza e desinfecção, o calcário é um dos principais insumos agrícolas. E, por esta razão, também é considerado essencial dada sua importância na produção de alimentos. O empresário do setor e presidente do Sindicato das Indústrias de Extração de Mármores, Calcários e Pedreiras do Paraná (Sindemcap), Luciano Henrique Buzatto, aprovou a portaria do ministério. “O calcário é o primeiro insumo, que prepara e corrige o solo para o plantio, e estamos no início da safra”, disse, acrescentando que uma interrupção neste momento acarretaria transtornos na produção agrícola, podendo gerar problemas graves de abastecimento.

Orientação às indústrias – O coordenador do Conselho Setorial da Indústria Mineral da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Cláudio Grochowicz, conta que a aprovação da portaria 135, do Ministério de Minas e Energia, é apoiada pelos sindicatos do setor, pelo nosso Conselho da Fiep e pelo COMIN, Conselho de Mineração da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Ele explica que a portaria do ministério define como essenciais as atividades de pesquisa, lavra, beneficiamento, transformação mineral, comercialização e transporte dos bens minerais, dentre eles a cal e o calcário.

Apesar de a atividade estar liberada, o coordenador informa que é necessário o máximo rigor nos cuidados neste momento. “Estamos orientando as indústrias para os procedimentos necessários como a manutenção em isolamento de todos os funcionários dos grupos de risco, bem como da manutenção em home office dos colaboradores dos setores administrativos, sempre que possível”, esclarece. “O Conselho está compartilhando as boas práticas e pedindo para que cada indústria se adeque para manter a produção e preservar a saúde de seus colaboradores”, reforça.

Nas mineradoras, a orientação tem sido para que os protocolos recomendados pelas autoridades sanitárias sejam seguidos, como manter distanciamento nos horários de registrar o ponto, nos refeitórios e nos transportes dos trabalhadores, promover escalas de horários nos refeitórios para evitar aglomeração e orientar para que cada trabalhador traga o seu próprio talher e disponibilizar álcool em gel para todos. Além disso, a limpeza e pulverização dos banheiros e vestiários têm sido reforçadas.

Números do setor – A produção de cal e calcário é relevante no Paraná. O Estado oscila entre a segunda e terceira colocação na produção nacional. Mato Grosso é o primeiro produtor e a segunda colocação é disputada entre Paraná e Rio Grande do Sul, dependendo da safra. A produção paranaense abastece o mercado interno e o excedente vai para os mercados de São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. No Paraná, são cerca de mil indústrias do setor de mineração, distribuídas na lavra e beneficiamento de diversas substâncias de minerais não metálicos, em 282 municípios, que empregam cerca de 10 mil trabalhadores. A maior concentração de empresas está na região metropolitana de Curitiba, especialmente em Almirante Tamandaré, Colombo, Rio Branco do Sul, Itaperuçu e São José dos Pinhais e também na região dos Campos Gerais, nos municípios de Ponta Grossa e Castro.

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