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Crédito emergencial precisa chegar efetivamente até as indústrias, defende Fiep

Acesso a linhas de crédito com taxas justas é absolutamente fundamental para dar mais fôlego às empresas

Trabalhadora na linha de produção de uma indústria: crédito é fundamental para manutenção dos empregos (Foto: Gelson Bampi)

O governo federal publicou, nesta semana, a Medida Provisória 975, que cria o Programa Emergencial de Acesso a Crédito. Prevendo a disponibilização de R$ 20 bilhões ao Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), o programa pretende reduzir os riscos assumidos pelas instituições financeiras que concedem crédito no país. Para a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), é fundamental que essa medida possibilite que os recursos sejam efetivamente liberados às empresas, o que ainda não vem ocorrendo nesta crise causada pela pandemia de Covid-19.

O presidente da Fiep, Carlos Valter Martins Pedro, explica que as medidas restritivas necessárias para a contenção do novo coronavírus reduziram drasticamente a atividade industrial e a demanda por produtos industrializados, à exceção daqueles essenciais. “Essa dura realidade fez com que a grande maioria das indústrias precisasse adotar medidas para manter vivos seus negócios e preservar ao máximo os empregos de seus trabalhadores”, afirma. Ainda assim, como comprovam os dados recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a indústria do Paraná, somada ao setor da construção civil, fechou mais de 16 mil postos de trabalho apenas no mês de abril.

Para dar mais fôlego às indústrias e garantir que elas tenham condições de evitar novas demissões, a Fiep considera que o acesso a linhas de crédito com taxas justas é absolutamente fundamental neste momento. Para isso, diversas linhas emergenciais foram criadas pelos governos federal e estadual desde o início da crise, com a promessa de juros baixos e acesso facilitado para as empresas. “Na prática, porém, o que se observa no mercado é a manutenção das taxas em patamares elevados, além da continuidade de uma série de exigências burocráticas que praticamente inviabilizam o acesso de muitas empresas a esses recursos financeiros”, diz Carlos Valter.

Agora, com a nova MP, o presidente da Fiep espera que as instituições financeiras comecem a facilitar a liberação de recursos para as indústrias. “Apoiamos todas as novas propostas que possam contribuir para a mudança da realidade atual do mercado de crédito no país, mas é preciso que elas sejam, de fato, colocadas em prática para tornar o acesso aos recursos mais ágil, menos burocrático e, principalmente, com taxas de juros mais justas do que as aplicadas hoje”, afirma. “Com o faturamento comprometido, as indústrias precisam acessar esses recursos para honrar seus compromissos, incluindo os salários de seus trabalhadores, contribuindo assim para a redução dos impactos desta grave crise que atravessamos”, completa.

Apoio às indústrias

Por meio do Núcleo de Acesso ao Crédito, a Fiep oferece serviços de orientação e capacitação no acesso a recursos financeiros, com vistas à aproximação entre demanda e oferta de crédito. Mais informações estão disponíveis em fiepr.org.br/para-empresas/credito.

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