Guarapuava discute projetos prioritários para aprimorar infraestrutura regional

Cidade recebeu, nesta quarta (27), mais uma reunião da rodada de atualização do Plano Estadual de Logística em Transporte (PELT 2035)

Representantes de diversas entidades participaram da reunião na sede da ACIG

Com coordenação técnica da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), foi retomada nesta quarta-feira (27), com uma reunião em Guarapuava, a rodada de atualização do Plano Estadual de Logística em Transporte – PELT 2035. Ao longo do mês, encontros reunindo lideranças do setor produtivo e da sociedade civil organizada estão debatendo o status das obras prioritárias para aprimorar a infraestrutura do Paraná como um todo, além de levantar novas intervenções que sejam importantes para cada região.

Elaborado em uma construção coletiva que envolveu representantes de mais de 20 entidades da sociedade civil paranaense e com coordenação do Conselho Temático de Infraestrutura da Fiep, o PELT apresenta 97 obras e projetos prioritários para que o Estado elimine gargalos logísticos até 2035. Desde o lançamento da última versão do plano, em 2016, 24% das intervenções foram concluídas. A maior parte, equivalente a 55% das demandas, já está planejada ou em início de execução. E os outros 21% ainda não tiveram avanços.

Para o coordenador do Conselho de Infraestrutura da Fiep, Edson Vasconcelos, a apresentação do avanço dos projetos previstos no plano e a atualização das prioridades são fundamentais para que toda a sociedade esteja unida no momento de cobrar a realização das obras. “Vai haver a compilação de todo esse trabalho e vamos distribuir novamente para todas as regiões, porque temos que nivelar o discurso e mostrar que toda a sociedade entende quais são as necessidades e prioridades. As entidades e a sociedade precisam concordar entre si sobre quais são as obras prioritárias”, disse Vasconcelos, que é também vice-presidente da entidade.

Rodovias e ferrovia
No encontro desta quarta, realizado na sede da Associação Comercial e Empresarial de Guarapuava (ACIG), as melhorias nas condições das rodovias que passam pela região e a ampliação do transporte de cargas por ferrovia dominaram os debates. “Tanto a parte rodoviária quanto a ferroviária são essenciais e poderiam nos ajudar a ser mais competitivos lá fora, no caso das nossas empresas que são exportadoras”, disse o presidente do Sindicato das Indústrias de Madeiras de Guarapuava (Sindusmadeira), Edson Hideki Ono.

No primeiro modal, o gerente de Assuntos Estratégicos da Fiep, João Arthur Mohr, que faz a condução técnica das reuniões do PELT, apontou que já houve alguns avanços em estradas próximas a Guarapuava, mas a região ainda enfrenta diversos gargalos. O maior deles está na BR 277, principal eixo que liga Guarapuava tanto ao Oeste do Estado, no sentido de Cascavel, quanto à Região Metropolitana de Curitiba.

“No novo modelo de pedágios, que deve ser licitado em breve, há um plano de obras muito grande apresentado pelo governo federal. A previsão é de duplicação completa da BR 277, incluindo até a Serra da Esperança, aqui na região, que é um grande gargalo e motivo de muitos acidentes. A duplicação completa, desde Foz do Iguaçu até Paranaguá, deverá ser feita até o oitavo ano de concessão”, explicou.

Para Ono, do Sindusmadeira, a preocupação nesse ponto fica com os valores das tarifas de pedágio que serão praticadas no novo modelo de concessão. “Precisamos que seja um preço justo para o usuário, além de definir quem irá cobrar a execução do cronograma de obras, para que não tenhamos aditivos como aconteceu no modelo anterior”, destacou.

Segundo Mohr, essas obras trarão vantagens competitivas para o setor produtivo e benefícios para toda a sociedade, mas realmente é preciso haver equilíbrio nas tarifas que serão cobradas dos usuários. “A Fiep sempre defendeu que tenhamos uma tarifa justa, mas com a garantia da execução das obras e com ampla transparência, para que a população possa acompanhar todo o processo”, disse.

Mohr indicou, ainda, outras intervenções em rodovias que são importantes para a região. “Temos no PELT a duplicação da PR 466, no trecho completo de Guarapuava a Pitanga, mas hoje só uma parte dela está concluída. Também é preciso fazer obras de melhorias na PR 487, sentido Campo Mourão, além da saída para Ivaiporã, que conecta com Mauá da Serra, que também são muito usadas, para que o Centro do Estado esteja bem servido com rodovias”, pontuou.

Em relação ao transporte ferroviário, a região deve ser atendida com a implantação da Nova Ferroeste. Esse projeto, que será licitado nos próximos meses, ligará o Mato Grosso do Sul ao Porto de Paranaguá, passando por Guarapuava. Com isso, cooperativas, indústrias e produtores agrícolas da região poderão se beneficiar de um modal mais econômico e ágil para levar suas cargas até o porto.

O gerente da Fiep destacou, ainda, avanços na área aeroportuário ocorridos em Guarapuava. Por meio do programa Voe Paraná, que incentiva voos regulares em aeroportos regionais do Estado, o município conta hoje com ligações diretas com Campinas (SP). “O PELT previa justamente o fortalecimento da aviação regional e isso foi um dos pontos que mais avançou nos últimos anos. Isso é importantíssimo porque uma empresa, quando vai se instalar em um local, pensa em vários fatores. Um deles é quanto tempo um técnico ou executivo, por exemplo, vai levar para chegar da sua matriz até uma filial. Ter voos diretos conta pontos no momento de escolher um local para uma empresa ampliar ou se instalar”, afirmou.

Próximas reuniões
A última versão do PELT 2035 pode ser acessada clicando aqui. Além de Guarapuava, as cidades de Londrina, Maringá, Cascavel e Francisco Beltrão também já receberam reuniões para atualização do plano. A série de encontros regionais segue nesta quinta-feira (28), em Ponta Grossa, seguindo depois para Curitiba (29).

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