Tributação elevada prejudica desempenho da indústria brasileira

Tema é abordado por especialistas no 3º Seminário de Negócios Internacionais do Paraná, evento realizado pela Fiep em parceria com o WTC Curitiba

A tributação excessiva sobre a indústria brasileira e produtos importados vêm prejudicando o desempenho industrial do Brasil pelo mundo. “A indústria brasileira vem perdendo participação na produção mundial, com queda de 2,58% (em 1996) para 1,32% (em 2020), segundo dados da CNI. A tributação está entre os principais fatores determinantes da inserção das economias nas cadeias globais de valor (CGV). Setores mais intensivos em conhecimento dependem mais do comércio de serviços e da importação de tecnologia. Nossas regras de tributação de serviços taxam muito a importação de tecnologias” disse nesta quarta-feira em Curitiba Mario Sergio Telles, gerente executivo de economia da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Eduardo Bekin, presidente da Invest Paraná, Rodolpho Feijó, coordenador de Relações Internacionais da Prefeitura de Curitiba, Daniella Abreu, presidente do WTC Curitiba, e Carlos Valter Martins Pedro,
presidente do Sistema Fiep. Foto: WTC / Divulgação

Telles foi um dos palestrantes do primeiro dia de programação do 3º Seminário de Negócios Internacionais do Paraná, iniciativa da Fiep e do World Trade Center (WTC) Curitiba. O evento está com inscrições abertas, gratuitas, pelo link e vai até quinta (21), reunindo mais de 30 palestrantes em oito painéis, no Campus Curitiba da Fiep (Jardim Botânico).

“Num panorama de fragmentação da produção e migração do valor industrial gerado para a Ásia, as empresas buscaram ganhos de eficiência e mão de obra, para maximizar os lucros. Mas nos últimos anos, vemos iniciativas no cenário internacional tentando reverter essa tendência de concentração, para reorganizar as cadeias globais de valor para além da China”, analisou o especialista da CNI.

O Brasil se insere nesse cenário como fornecedor de produtos intermediários usados nas exportações de outros países. Segundo Telles, a reduzida rede de acordos comerciais é mais um fator que dificulta a presença do Brasil em cadeias globais de valor. “Parte significativa da demanda do Brasil por manufaturados tem sido abastecida por produtos importados. Nos últimos nove anos, o crescimento da economia brasileira foi em média 0,3%. Nesse sentido, a Reforma Tributária vai acelerar nosso crescimento econômico. Desde a aprovação da reforma em 2007, nos últimos 15 anos, o PIB de 2022 do Brasil seria 12% maior: isso significa R$ 5,9 mil por ano a mais para cada brasileiro”, destacou.

A marca do Paraná

O seminário abordou o “Panorama dos negócios internacionais do Paraná” em um painel que reuniu Eduardo Bekin, presidente da Invest Paraná, e Higor Menezes, gerente de Relações Internacionais do Sistema Fiep. “Quando assumimos a gestão da Invest Paraná, decidimos incentivar a internacionalização dos negócios do estado, com a estratégia de lançar a marca do Paraná, que é o mais sustentável no ranking de competitividade dos estados brasileiros, cuja sustentabilidade foi reconhecida pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)”, explicou Bekin.

Segundo o presidente da Invest Paraná, uma marca precisa ter história, falar do presente e planejar o futuro. “Buscamos consolidar a ideia do Paraná como marca. Desde então, já fizemos 20 missões internacionais, começando a trabalhar as prospecções de quatro a seis meses antes. São mais de 124 redes de contatos. O Paraná hoje é o quarto maior importador do Brasil, fazendo negócios com 138 países, somando mais de 12 bilhões de dólares em importações entre janeiro e agosto deste ano”.

Para Higor Menezes, as cadeias globais de valor buscam por mais segurança, manufatura, pesquisa e desenvolvimento. “O Paraná se destaca nas cadeias de segurança energética, alimentar e de logística. O mundo busca expandir os negócios com a Ásia para além do mercado chinês, em parceiros como a Coreia do Sul. Morei sete anos na Mongólia, país democrático e transparente entre China e Rússia. E o mercado árabe também é vasto em possibilidades, com 22 países e PIB de 2,4 trilhões de dólares”.

Segundo Menezes, as nações árabes são um grande hub logístico e portuário, com importantes zonas francas. “Contam com investimentos em cidades inteligentes, busca por sustentabilidade e grandes acordos de livre comércio. Já são o terceiro maior destino das exportações brasileiras e a quinta maior fonte de importações.”

Expansão dos negócios internacionais

A busca pela ampliação dos negócios internacionais do Paraná reúne pelo terceiro ano consecutivo representantes da indústria, iniciativa privada, poder público e membros do corpo consular em Curitiba. A cerimônia de abertura do Seminário de Negócios Internacionais contou com a presença do presidente da Fiep, Carlos Valter Martins, da presidente do WTC Curitiba, Joinville e Porto Alegre, Daniella Abreu, do presidente da Invest Paraná, Eduardo Bekin, representando o governo do Estado, e do coordenador da assessoria de Relações Internacionais da Prefeitura de Curitiba, Rodolpho Zanin Feijó.

“A missão da Fiep é ser referência em soluções para o desenvolvimento sustentável da nossa indústria. Temos parceiros em expansão pelo mundo, em especial na Ásia e nos países árabes. A Fiep apoia a busca por novas oportunidades em mercados globais e está feliz em sediar pelo terceiro ano o Seminário de Negócios, junto ao WTC”, destacou Carlos Valter Martins.

Para Daniella Abreu, o crescimento do evento desde 2021 evidencia o interesse pela internacionalização de negócios no Paraná. “O evento ocupa pela primeira vez o auditório principal do Campus da Indústria, o que nos deixa muito felizes. O seminário começou ainda na pandemia, em edição remota, unindo WTC e Fiep para incentivar o ambiente internacional de negócios das empresas paranaenses. Nosso papel é fazer pontes entre os estados da Região Sul e entre os mais de 320 escritórios do WTC pelo mundo”, enfatizou.

“Trago os cumprimentos do prefeito Rafael Greca e parabenizo a equipe da Fiep e do WTC pela realização deste evento. Vivemos um momento de transformação, em meio a um cenário geopolítico e econômico mundial que vê as potências globais chegando ao seu limite. Também no cenário ambiental, resultado de décadas de descaso com o nosso planeta. É tempo de reestruturação. Curitiba vem fazendo sua parte com o Plano de Ação Climática, com o compromisso de zerar suas emissões de CO2 até 2040. Mas é preciso somar esforços e ampliar parcerias com fundos de investimentos e órgãos internacionais, por isso a importância de eventos como o Seminário de Negócios”, ressaltou Rodolpho Feijó.

Sistema Fiep - Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná
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