Fiep participa de encontro sobre sustentabilidade no setor madeireiro

Meta é fortalecer as cadeias de valor para melhorar benefícios e contribuir com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Na última segunda-feira (16/10), ocorreu no Campus da Indústria, em Curitiba, o evento Diálogo Regional Madeira Sustentável para um Mundo Sustentável – Sustainable Wood for a Sustainable World – SW4SW promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Embrapa Florestas, Serviço Florestal Brasileiro, Iufro e Cifor/Icraf e com o apoio e participação da Fiep ligado ao tema sustentabilidade no setor madeireiro.

Dos quase 2 milhões de hectares de pinus do Brasil, aproximadamente 730 mil são produzidos no Paraná

Cerca de 60 pessoas da América Latina discutiram aspectos da produção florestal sustentável: negócios para a madeira de florestas naturais; aumento da produção de florestas plantadas; madeira na bioeconomia; governança e política para a madeira sustentável em um mundo sustentável; finanças e investimentos.

O objetivo do encontro foi promover reflexões com foco no fortalecimento de cadeias de valor da madeira sustentável para melhorar os benefícios sociais, econômicos e ambientais, contribuindo para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Participaram do diálogo representantes de agências, empresários do segmento madeireiro e de móveis, gestores do setor público e privado, organizações regionais e internacionais, órgãos de certificação, organizações não governamentais e comunidade científica.

O superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), Paulo Roberto Pupo, que também é industrial e delegado da Fiep junto à Confederação Nacional da Indústria (CNI), fez a abertura dos debates pela manhã. Ele destacou o trabalho da Embrapa Florestas, que atua fortemente para colocar a produção florestal brasileira nos melhores patamares mundiais de produtividade, sustentabilidade, crescimento, atendimento ao mercado e de geração de emprego e renda.

Ele elogiou a disponibilidade e qualidade dos participantes presentes, inclusive de outros países, e disse que “o importante é trazermos as contribuições e passarmos as ideias para frente”. Pupo enfatizou a importância de todos terem a nítida responsabilidade de separar o que são medidas efetivas para coibir o desmatamento e aumentar a produtividade, a geração de emprego e participação na cadeia de base florestal mundial de uma sociedade e o que são regramentos e barreiras comerciais que impedem o crescimento da indústria. “Hoje somos produtivos, somos sustentáveis, atendemos ao que prevê a legislação e os termos técnicos das normativas existentes no mercado e temos uma matriz florestal e energética muito bem distribuída”, acrescentou.

Segundo ele, dados divulgados recentemente pelo IBGE dão conta de que atualmente 96% de toda matéria-prima que serve de suprimento à indústria de madeira processada provém de florestas plantadas. Como o país tem 10 milhões de hectares de florestas plantadas, lideradas principalmente por eucalipto e pinus, isso representa 2% da área total nacional. “Somos um país de meio bilhão de hectares de florestas e 2% disso supre 96% da nossa indústria”, resumiu. “Vemos a América Latina em geral se desenvolvendo muito na questão da sustentabilidade”, completou.

O representante da Fiep destacou ainda o potencial do Paraná, que lidera o mercado nacional em diversos aspectos. De acordo com dados da Abimci, são quase 2 milhões de hectares de pinus no Brasil, sendo aproximadamente 730 mil produzidos no estado. “Somos líderes na produção de compensados, painéis, molduras, portas e outros diversos itens. Ou seja, quando olhamos a matriz sustentável da indústria e seu abastecimento, exportamos para 60 países. A cada 100 dólares exportados importamos apenas quatro dólares. Atendemos os requisitos legais, ambientais e técnicos e tudo isso é proveniente de apenas 2% de nossa área florestal. Quase 96% são todas toras provenientes de florestas plantadas. Isso é um ativo importante que temos de levar em consideração. Por isso destaco a importância do setor de base florestal na economia do Brasil e do mundo e tenho certeza de que este tipo de fórum vai trazer ainda mais contribuições para esta área”, concluiu.

O evento seguiu com explicação da metodologia dos debates, apresentado pela representante Thais Linhares Juvenal, da Divisão Florestal FAO Roma. O debate foi dividido entre grupos de participantes distribuídos em cinco subtemas como negócios, aumento de produção de bosque plantado, madeira na bioeconomia, governança e política para a madeira sustentável e finanças e investimentos. Em seguida foram identificadas linhas de ação prioritárias em cada área e formas de alcançar resultados efetivos em cada uma. No final, os facilitadores apresentaram a todos as conclusões.

Nos três dias de encontro foram debatidas formas de sensibilizar e desenvolver capacidades para aumentar as contribuições da produção de madeira para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS. Também foram compartilhados exemplos de cadeias de valor florestais inclusivas, identificadas prioridades regionais e como orientar a formulação de políticas e investimentos.

O evento prosseguiu até o dia 17, terminando no Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), com momentos de troca de informações, networking e apresentações de trabalhos. No final, foi realizada na plenária da Conferência Latino-Americana da IUFRO a apresentação de eventos globais, incluindo um próximo Diálogo Global SW4SW, planejado para fevereiro de 2024 e o 27º Comitê de Florestas da FAO (COFO) em julho de 2024.

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