Evento na Fiep reúne empresários para debater oportunidades na economia de baixo carbono

Perspectivas do mercado regulado, desafios e riscos da descarbonização estiveram na pauta

O diretor da Fiep, Paulo Pupo, delegado representante junto ao Conselho da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e coordenador do Conselho Temático de Relações Internacionais, abriu nesta quarta-feira (25/10) um encontro sobre Descarbonização da Indústria – desafios e oportunidades na Economia de Baixo Carbono.

CNI foi uma das parceiras do evento. (fotos: Davi Bortolossi)

Em sua apresentação, Pupo destacou a importância do tema para as indústrias. “Um evento como este traz o nivelamento de expectativas. Precisamos falar que o Paraná e o Brasil estão adiantados nessa área. Está no DNA do nosso estado cuidar do meio ambiente e vejo que o momento agora é de união de esforços e competências para melhorar cada vez mais o ambiente de negócios para as nossas empresas”.

Para João Baptista Guimarães, gestor do Núcleo Acesso ao Crédito do Sistema Fiep (NAC), o objetivo foi trazer ao centro do debate o potencial de exploração do mercado de carbono e as mudanças de comportamento das empresas nesse aspecto. “Não podemos nos abster de entender melhor este tema. Por isso estamos buscando informações e aprendendo cada vez mais as metodologias e práticas que podem ser adotadas pelas empresas. Temos ainda um longo caminho a ser percorrido neste sentido”, disse. A área tem em curso ações em parceria com a CNI e com os governos, serviços e orientações junto a parceiros (BNDES, BRDE e Fomento Paraná) com foco na área de finanças sustentáveis e parte de atração de recursos para projetos de descarbonização no Paraná. “Queremos dar suporte principalmente no acesso a linhas e programas de financiamento sustentáveis”, resumiu.

O evento prosseguiu com apresentação de Rafaela Aloise de Freitas, analista de Políticas e Indústrias da CNI, que trouxe estudos e investimentos em projetos de baixo carbono. Ela falou sobre as perspectivas do mercado regulado de carbono (CNI) e destacou a recente aprovação do Projeto de Lei (PL) 412/2022 no Senado Federal, que segue agora para Câmara. Ele tem como objetivo regulamentar o Mercado Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE). O texto estabelece limites para instalações que emitem grandes volumes de gases do efeito estufa, criando um ambiente de mercado regulado. Ela apresentou um panorama geral do mercado de carbono no Brasil e no mundo e concluiu: “Na Confederação o tema é tratado hoje como um diferencial competitivo das empresas e não dentro da agenda ambiental. Embora obviamente preveja reduzir as emissões e para equilibrar o meio ambiente, já ultrapassou esse propósito, ou seja, é um tema muito importante para as indústrias brasileiras”, completou.

A representante da CNI explicou ainda as diferenças entre o mercado voluntário, regulado e global de carbono, falou de algumas metodologias e dividiu um pouco de uma experiência recente em que esteve presente em uma missão internacional na Bélgica e na Alemanha, onde foi possível aprofundar o conhecimento sobre o complexo sistema de comércio de emissões europeu. “Os países europeus já coletam dados para alimentar seus sistemas de emissões de carbono há mais de 10 anos e fazem um planejamento amplo das ações e metas a serem implementadas”, comentou.

Na sequência, o diretor da GSS Carbono e Bioinovação, Paulo Zanardi, falou sobre Gestão climática – oportunidades e riscos da descarbonização. Ele destacou que a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais são a solução para amenizar os distúrbios causados pelas mudanças climáticas em escala global. “A biodiversidade confere maior capacidade de absorção das alterações e protege os nossos ecossistemas”, resumiu. Na sequência, elencou as vantagens e repercussões de valorização dos consumidores, sobre marcas que investem em soluções sustentáveis em seus processos produtivos, apresentando números que se convertem em vendas, admiração e imagem positiva, principalmente para as novas gerações. Também citou o posicionamento de empresas globais como Amazon e Microsoft de zerar as emissões líquidas até 2050, gerando Carbono Negativo. “Levamos aos nossos clientes o passo a passo para uma boa gestão climática e apontamos o melhor caminho a ser seguido. Geração de créditos de carbono é uma necessidade do mercado, um diferencial competitivo e quem não entrar vai perder espaço. As empresas precisam apostar em produtos de baixo carbono, mesmo as pequenas e microempresas”, disse.

O diretor de Relações Internacionais e Institucionais da Invest Paraná, Giancarlo Rocco, que atua na área de promoção e atração de investimentos do Estado do Paraná, falou sobre as oportunidades da economia de baixo carbono no estado. “Nosso objetivo é apontar as alternativas e fazer esta conexão das empresas com este mercado”, ressaltou. “Já existe um plano desenvolvido pela Secretaria de Estado do Planejamento, com a Sedest, IAT, entidades vinculadas, Tecpar e Invest Paraná, com a rota que as empresas precisam seguir e a definição de um caminho com dicas de comunicação e mobilização para ser executado”, explicou. “Precisamos acelerar as ações e conseguir ter um ambiente favorável para que o mercado entenda como investir nessa área”, concluiu.

O evento foi encerrado com as apresentações de dois importantes e bem-sucedidos cases de indústrias instaladas no Paraná. Inicialmente, a Klabin, representada por Guilherme Coraiola, consultor de Sustentabilidade com foco em Mudanças Climáticas, que destacou os compromissos climáticos da empresa, seu histórico de ações realizadas e os atuais projetos de redução de Gases de Efeito Estufa (GEE). Em seguida, foi apresentado o case da Electrolux por Alexandre Costa, especialista em Sustentabilidade para a América Latina. Ele abordou a jornada de descarbonização da empresa em nível mundial, com o plano “For the Better 2030, que traz os compromissos da empresa e suas estratégias e planos de descarbonização.

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