A indústria como estratégia de desenvolvimento

Em artigo publicado pela Gazeta do Povo, Edson Vasconcelos comenta a necessidade de uma política industrial efetiva e apresenta os Fóruns Regionais da Indústria

Publicado na Gazeta do Povo, em 14 de março de 2024

Por Edson Vasconcelos

Qualquer região ou país desenvolvido teve, em algum momento de sua história, a indústria como o principal motor de seu crescimento econômico, tecnológico e social. Pela constante necessidade de aprimorar seus produtos e processos produtivos, a indústria é uma grande indutora da inovação e do aperfeiçoamento profissional de seus trabalhadores, que têm salários superiores aos de outros segmentos.

Uma renda que, novamente pelas características de sua atividade, a indústria obtém não somente no território em que está instalada, mas busca em diferentes mercados, vendendo seus produtos para outras partes do país e para o exterior. Tudo isso cria um ciclo de geração de riquezas – incluindo tributos – que impulsiona o desenvolvimento daquela região.

Para se ter uma ideia do poder multiplicador da indústria, estudos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que, a cada R$ 1 investido na indústria de transformação, são gerados R$ 2,70 na economia como um todo. Um valor bastante superior ao que é gerado com investimentos em outros setores: na agricultura, R$ 1 gera R$ 1,72, enquanto no comércio e serviços, R$ 1,48. Além disso, a indústria de transformação brasileira é responsável por 62,4% do investimento empresarial em pesquisa e desenvolvimento.

Fazer com que a indústria desenvolva plenamente seu potencial é, portanto, uma ação estratégica para o Brasil e para o Paraná. Em nosso Estado, já temos uma indústria dinâmica e diversificada. Um setor que responde por 26,1% do PIB paranaense e é, atualmente, o quarto principal parque fabril do Brasil, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Mas tanto a indústria nacional quanto a estadual tem potencial para crescer muito mais.

Para que isso ocorra, é preciso criar um ambiente de negócios adequado, buscando soluções efetivas para uma série de desafios que, hoje, impactam negativamente na competitividade de nossa indústria. É preciso solucionar os entraves causados por questões como infraestrutura e logística, geração e fornecimento de energia, burocracia e regulação, qualificação e disponibilidade de mão-de-obra, acesso ao crédito, inovação e sustentabilidade, entre outras.

A atual diretoria da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) tem defendido desde o início de sua gestão, em outubro do ano passado, que isso se faz com a formulação de uma política industrial efetiva e eficiente. Um movimento que vem se intensificando inclusive em países desenvolvidos, em um processo de reindustrialização impulsionado por disputas tecnológicas e geopolíticas, desafios climáticos e o rearranjo de cadeias produtivas globais após a pandemia.

No Brasil, em esfera federal, o lançamento da Nova Indústria Brasil (NIB), conjunto de metas e programas para impulsionar o setor industrial nacional, é um primeiro passo importante para colocar o assunto em pauta. Porém, os esforços ainda são muito tímidos perto do que se vê em escala internacional. Enquanto a NIB prevê aportes de R$ 300 bilhões até 2026, países como os Estados Unidos anunciaram pacotes de até o equivalente a R$ 1,6 trilhão ao ano para reforçar setores estratégicos de sua indústria.

Além de ampliar os investimentos e estruturar de maneira mais efetiva as ações federais voltadas para o desenvolvimento da indústria, entendemos que estados e municípios também têm papel decisivo nesse processo. Por isso, a Fiep colocou como seu objetivo prioritário ser um instrumento para a construção de uma verdadeira política industrial para o Paraná. Queremos envolver diferentes atores públicos e privados que possam contribuir para que o Estado tenha um plano e ações concretas que o transformem no melhor lugar para a atividade industrial no país.

Além de todas as articulações que já vêm sendo feitas nesse sentido, neste dia 15 de março, começando por Cascavel, na região Oeste do Paraná, a Fiep realiza o primeiro de uma série de seis eventos de lançamento dos Fóruns Permanentes Regionais da Indústria. O grande objetivo dos Fóruns é envolver toda a comunidade e a opinião pública qualificada em torno do tema indústria, mostrando o grande potencial que o setor tem para dinamizar o desenvolvimento dos municípios e das diferentes regiões do Estado.

O debate inicial nesses seis eventos servirá como provocação para que as lideranças apontem quais são as prioridades para o desenvolvimento industrial de suas respectivas regiões. Um trabalho que terá continuidade ao longo do ano, com a realização de oficinas temáticas em que serão aprofundadas as necessidades regionais em diferentes áreas. Todo o conteúdo coletado nesses encontros servirá de subsídio para que a Fiep formule propostas concretas para uma política industrial eficiente para o Paraná.

Nesse movimento, temos a parceria fundamental de entidades ligadas ao setor produtivo, como a Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap) e o Sebrae/PR, além de Associações de Municípios e Agências Regionais de Desenvolvimento. O governo estadual – por meio das secretarias do Planejamento, da Indústria, Comércio e Serviços e do Trabalho, Qualificação e Renda – também se prontificou a apoiar essa iniciativa.

Com tudo isso, a Fiep espera contribuir, efetivamente, para que a indústria, pelo impacto econômico, tecnológico e social que gera, seja colocada no centro da estratégia de desenvolvimento do Paraná e sirva de exemplo para o Brasil.

Edson Vasconcelos é presidente do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná – Fiep

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