Sistema portuário da região Sul enfrenta gargalos e risco de colapsar

Paranaguá e portos catarinenses que atendem setor produtivo paranaense operam próximos do limite; cenário pode comprometer crescimento

Investimentos na área portuária são fundamentais para agilizar escoeamento da produção (Foto: Gelson Bampi)

A ausência de uma infraestrutura eficiente e com capacidade para suportar a demanda pode ser um freio para o desenvolvimento de uma região. Hoje, no Paraná, várias cooperativas e indústrias em geral vêm investindo cada vez mais em tecnologia e melhoria em seus processos para se tornarem mais produtivas. Assim, muitas projetam simplesmente dobrar sua produção nos próximos anos.

“Se a nossa infraestrutura de transportes não acompanhar essa evolução, corremos o sério risco de enfrentar um colapso logístico, o que pode frustrar toda a nossa expectativa de que o Paraná continue com um crescimento econômico consistente no futuro”, afirma o presidente do Sistema Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Edson Vasconcelos. Para a entidade, é fundamental que haja um planejamento sério e intermodal, que preveja o aumento de capacidade de transporte e uma conexão eficiente entre rodovias, ferrovias e a área portuária.

Caminhos possíveis
Quanto à questão portuária, a Fiep está focada em escutar as dores dos usuários e tentar achar os melhores caminhos possíveis. A situação atual não é boa e o Paraná precisa de fluidez para escoar de forma ágil e dinâmica os produtos aqui produzidos, o que dá uma diferença direta na competitividade do Estado.

Hoje, uma das mais cruciais questões que as empresas enfrentam nos portos é a ausência de uma retroárea para movimentar as cargas. E, quando as mercadorias chegam ao porto, nem sempre é possível prever em qual navio e em que prazo serão embarcadas. É quase impossível liberar contêiners da forma como os operadores portuários planejam. Isso dificulta o cumprimento de prazos e as empresas acumulam prejuízos. Para driblar essa situação, as companhias viram-se obrigadas a tomar novos rumos, principalmente nos portos catarinenses, para que o sistema como um todo não entre em colapso definitivo, mas em toda a região Sul são enfrentadas sérias dificuldades.

Dragagem
As limitações a que os navios estão sujeitos por conta do rápido assoreamento da Baía de Paranaguá, que necessita frequentemente de dragagem para que as embarcações possam atracar no porto, é outro aspecto relevante, que deve ser tratado como prioridade. Os navios que embarcam não podem ser carregados totalmente por conta dessa limitação do calado, o que se transforma em prejuízo. Diante disso, o porto precisa de uma dragagem profissional eficiente para aumentar o calado a pelo menos 15 metros, para que o Paraná não perca ainda mais competitividade.

Intermodalidade
O Paraná tem crescido mais do que a China, com um índice de crescimento acima de 7%, e a maior parte desse crescimento vem da industrialização, vem da indústria do agro, da indústria madeireira, da indústria extrativista. Para escoamento dessa produção, investimentos que aumentem a capacidade de transporte cargas em rodovias, ferrovias e portos é fundamental. “Mais do que isso, é preciso basear o planejamento futuro pensando na intermodalidade, buscando uma integração eficiente entre todos esses modais”, conclui Vasconcelos.

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