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Um modelo de educação para o desenvolvimento sustentável

Confira artigo do presidente da Fiep, Rodrigo da Rocha Loures, publicado nesta terça-feira (18) no jornal Gazeta do Povo

Em 2002, a Organização das Nações Unidas (ONU), em sua Assembleia Geral, instituiu que de 2005 a 2014 seria a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável, com o objetivo de integrar os princípios, valores e práticas de desenvolvimento sustentável a todos os aspectos da educação.

Os documentos da ONU defendem que a Educação para o Desenvolvimento Sustentável deve estar focada em valores, nos quais o respeito é uma questão central: respeito pelos outros, pela diferença e pela diversidade, pelo meio ambiente e pelos recursos do planeta que habitamos. Uma educação que leve em conta o desenvolvimento sustentável valoriza a compreensão de nós mesmos e dos outros e nossas conexões com o ambiente natural e social de forma abrangente, servindo como base durável para a construção de respeito.

Nós no Sistema Fiep temos a convicção de que o desenvolvimento sustentável é a única solução para sairmos da encruzilhada civilizatória em que nos encontramos. Isso demanda inclusive um novo entendimento do que significa progresso. Eu, pessoalmente, fiz desse tema minha grande causa. Tenho utilizado todos os fóruns por onde passo para conclamar todos a um repensar. Mas mais que falar tenho buscado criar condições para que em meu entorno surjam e frutifiquem iniciativas educacionais com uma nova filosofia.

Desde 2004 iniciamos no Sistema Fiep movimentos de transformação institucional e de criação de novas frentes de atuação educacional com vistas a trazer aos estudantes do Sesi, Senai e IEL do Paraná a possibilidade de entendimento sistêmico da questão da sustentabilidade e, principalmente, do papel de cada um deles no necessário processo de redirecionamento que temos que conduzir.

Com o objetivo de se criar um modelo para experimentação da educação na sustentabilidade, constituímos a Educação Transformadora como um dos nossos eixos estratégicos de atuação. Nosso objetivo é a migração do modelo linear de educação para um modelo novo, no qual toda a estrutura educacional – currículos, espaços, docentes, propostas pedagógicas, gestão, finalidades e posicionamentos – é revisada e mira a construção de novos alicerces a partir dos princípios da sustentabilidade.

Nosso compromisso da educação não é apenas formar técnicos ou especialistas eficientes em suas áreas de atuação, mas possibilitar às pessoas uma visão ampliada e crítica sobre sua própria atividade e seu papel nos processos que as envolvem. Da mesma forma que o aprendizado deve incluir a possibilidade do indivíduo reavaliar constantemente o conjunto de informações a que tem acesso, deve possibilitar a construção de uma nova visão e compreensão do mundo.

Temos varias experiências de sucesso, dentre as quais o Colégio Sesi, que revoluciona a educação com sua metodologia de aprendizagem por projetos. Temos os Arranjos Educativos Locais, que buscam desenvolver sinergias e ampliar as redes de relações nas localidades a partir da promoção de oportunidades de aprendizagem significativa totalmente desconectadas do modo de funcionamento da escola tradicional. Realizamos vários Global Forum América Latina no Paraná e no Brasil e atualmente estamos conduzindo a primeira formação em Administração Sustentável para alunos do curso de Administração, em uma parceria com a Universidade Federal do Paraná. E estas são apenas algumas das nossas iniciativas…

Enfim, para concatenar o desenvolvimento tecnológico crescente com a sustentabilidade dos sistemas naturais e sociais, é preciso formar pessoas que sejam capazes de ir além da racionalidade tecnicista e instrumental, do individualismo competitivo e do interesse prático e que possam pautar-se por uma nova racionalidade, fundada em valores, no interesse comum e na solidariedade.

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