Estamos vivendo uma época de profundas mudanças na economia mundial. Este novo quadro impõe desafios a todos os países agora interconectados num mercado planetário. Por isso, estamos convocados a uma profunda reflexão sobre o futuro do nosso país. O Brasil precisa mudar mais rapidamente. Mas, nessa caminhada, precisamos preservar o que é essencial: o regime democrático, a estabilidade econômica e o fortalecimento da economia doméstica são fundamentos inegociáveis do nosso modelo de desenvolvimento.
O papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), conduzido por Luciano Coutinho, como a grande alavanca dos investimentos produtivos, bem como o diálogo direto do Presidente da República com os empresários também são elementos a serem conservados. Estes consensos do mundo empresarial foram explicitados na cerimônia de posse da nova diretoria da Confederação Nacional da Indústria (CNI) ocorrida na semana passada. Armando Monteiro e Robson Andrade, ex e atual presidente da confederação, afirmaram em seus discursos que a competitividade é o grande desafio deste momento. E que, no longo prazo, a educação é o pilar central da garantia da competitividade, com especial atenção à elevação da escolaridade básica, à educação continuada e à capacitação profissional.
Outro imperativo da competição entre as empresas e países é a inovação dos produtos, processos e de gestão, fonte primordial do crescimento da produtividade e da conquista de novos mercados. Mas, no curto prazo, é preciso avançar com mudanças para ganharmos velocidade e sustentabilidade no crescimento. A carga tributária, as taxas de juros e o gasto público merecem ser priorizados porque restringema competitividade. A valorização do real é um dos sintomas dessa distorção macroeconômica que precisa ser enfrentada. Neste sentido, a recondução do ministro Guido Mantega é alvissareira devido a sua experiência e capacidade de diálogo.
Também estou convencido de que, na classe política, há hoje menos divergência sobre como conduzir o Brasil. O novo Congresso saberá responder com presteza ao desafio da melhoria das condições de competitividade da economia brasileira. Acredito também que a reforma política vai ocupar as agendas do próximo ano, porque é essencial para a melhoria da qualidade da governança pública e do sistema de decisões políticas. Mas o meu otimismo maior é poder enxergar as fantásticas oportunidades que se abrem aos empreendedores inovadores com o pré-sal, a realização da Copa do Mundo, da Olimpíada, dentre outros.
Nós, os empresários, temos a confiança de que o novo governo fará as mudanças necessárias que garantam a construção de um país economicamente sólido, justo na distribuição da riqueza e protagonista relevante na arena global.
Rodrigo da Rocha Loures
Presidente da Federação das Indústrias do Paraná