Fiep defende preparo estratégico do Brasil para minimizar impactos do acordo Mercosul-EU

Entidade considera tratado positivo, mas vê riscos para alguns setores e espera medidas que melhorem a competitividade da indústria do país

Acordo deve ampliar o comércio entre os dois blocos ao longo dos anos (Foto: Gelson Bampi)

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, assinado no último sábado (17), representa um marco importante para o comércio internacional e pode abrir novas oportunidades para o setor produtivo brasileiro. No entanto, a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) alerta: embora o tratado seja positivo, ele também exige atenção e ação estratégica do país para proteger e preparar segmentos industriais mais vulneráveis.

“A Fiep entende que acordos internacionais são fundamentais para ampliar a participação da indústria brasileira no comércio global e gerar novas oportunidades de negócios para as empresas do país”, afirma o presidente da Fiep, Edson Vasconcelos, acrescentando que o acordo pode ampliar as vendas de determinados produtos brasileiros ao mercado europeu, especialmente da cadeia agroindustrial. “Porém, não restam dúvidas de que determinados setores industriais brasileiros, especialmente os que fabricam itens de maior valor agregado e com mais tecnologia embarcada, poderão ser fortemente impactados no mercado interno com a entrada de produtos similares europeus”, completa.

Desafios à competitividade
Para a Fiep, o Brasil deve aproveitar o período de transição previsto no acordo – quando as tarifas de importação serão gradualmente reduzidas – para acelerar uma agenda de reformas estruturantes. “A consolidação desse acordo deve servir para que, de uma vez por todas, o Brasil coloque em prática uma agenda consistente de reformas estruturantes que aprimore seu ambiente de negócios”, defende Vasconcelos. Ele ressalta a necessidade de ações como desburocratização, atualização dos processos de licenciamento, aumento da segurança jurídica, previsibilidade fiscal, investimentos em infraestrutura e estímulo à inovação tecnológica.

A instituição destaca que, diante de um cenário global competitivo, a produtividade deve ser palavra-chave para o setor industrial. “A indústria brasileira está habituada a conviver com um ambiente de negócios complexo, por isso já vem buscando formas de aprimorar seus processos internos e investir em modernização tecnológica”, explica o presidente. Nesse esforço, instituições como o Sistema Fiep tem oferecido programas e serviços que impulsionam a produtividade e fortalecem a competitividade das indústrias paranaenses, como é o caso da Jornada da Produtividade.

Setores mais sensíveis
Na avaliação da Fiep, entre os setores que podem sentir maior impacto com a entrada em vigor do acordo estão aqueles que produzem itens de maior valor agregado e com forte conteúdo tecnológico, como as indústrias automotiva e de autopeças, de eletroeletrônicos e de máquinas e equipamentos. Segmentos como os de produtos de metal, farmacêuticos, têxteis e de vestuário também correm riscos de ser bastante afetados.

No contexto regional, os efeitos devem variar de acordo com o perfil produtivo de cada estado, na avaliação da Fiep. O Paraná, por exemplo, deve conseguir absorver melhor os impactos graças à sua matriz industrial diversificada e consolidada. Além disso, o estado pode se beneficiar da sua posição estratégica no Mercosul para se tornar um local atrativo para novos investimentos europeus no Brasil, que devem ser potencializados pelo acordo comercial.

Ação para o futuro
A Fiep reitera que, para a indústria brasileira, o sucesso do acordo Mercosul-União Europeia dependerá do alinhamento entre setor público e privado. Políticas industriais efetivas, que incluam tópicos como estímulo à inovação, qualificação de mão de obra e acesso facilitado ao crédito são elementos fundamentais para que a indústria nacional possa competir de forma justa e sustentável com os produtos europeus.

“O Brasil precisa utilizar o período de transição previsto no acordo para implementar todas essas medidas e reduzir possíveis impactos negativos para seu setor produtivo”, enfatiza Vasconcelos. Ele acrescenta que a Federação seguirá acompanhando a evolução do tratado e atuando junto ao setor industrial paranaense para que possa transformar desafios em oportunidades, reforçando o papel da indústria como motor do desenvolvimento econômico sustentável do Paraná e do Brasil.

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