Iniciativa nacional liderada pelo Sesi Paraná estrutura fluxo assistencial, integra soluções digitais e reforça a rede de apoio aos trabalhadores industriais.

Teve início nesta quarta-feira (04), na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em São Paulo, o evento de entrega e cocriação do projeto Mental Lab. A iniciativa, que segue até quinta-feira (05), reúne os principais atores do ecossistema de saúde brasileiro para desenvolver um protocolo padrão de referência voltado à saúde mental e emocional dos trabalhadores da indústria.
O projeto é fruto de uma parceria estratégica entre o Serviço Social da Indústria – Departamento Nacional (Sesi-DN), e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), sob liderança técnica do Sesi Paraná, por meio das equipes do Centro de Inovação Sesi (CIS) e da Coordenação de Saúde.
A iniciativa integra a Plataforma Inovação para Indústria, na categoria Linhas de Cuidado na Saúde Suplementar (Sesi e ANS), e tem como objetivo estruturar, de forma colaborativa e baseada em evidências, um protocolo padrão de referência para organizar o cuidado em saúde mental na modalidade coletiva empresarial, que representa aproximadamente 67% dos contratos de planos de saúde no país.
O ponto central do evento é o workshop conduzido sob a metodologia Living Lab, modelo internacional de inovação aberta centrado no usuário. Diferentemente de protocolos tradicionais, a proposta aposta na experimentação em cenários reais e na construção coletiva de soluções.
Durante dois dias, empresas, operadoras de saúde, especialistas, representantes institucionais e usuários cocriam fluxos assistenciais, indicadores e diretrizes terapêuticas centradas na pessoa. A dinâmica envolve pré-encontro online, imersão presencial com 12 horas de atividades colaborativas e etapa posterior de consolidação técnica e validação institucional.
A abertura oficial contou com a participação de lideranças estratégicas, entre elas Carlos Gustavo Lopes da Silva, Diretor de Desenvolvimento Setorial da ANS; Thiago Taho, Gerente de Saúde Integral do Sesi Departamento Nacional; e Robson Gravena, Gerente Executivo de Segurança, Saúde e Responsabilidade Social do Sesi Paraná.
Na ocasião, Gravena destacou o alcance nacional da proposta: “queremos entregar um modelo que sirva de referência para o setor industrial e que poderá ser disponibilizado pela própria ANS às operadoras em todo o país”.
Para ele, o Mental Lab é um projeto construído a muitas mãos, que ganha agora a força e a experiência de todo este ecossistema para elevarmos o patamar da saúde mental na indústria.
Ação em resposta a um desafio global
O projeto nasce em um cenário de agravamento dos indicadores de saúde mental no Brasil e no mundo. Dados citados no documento técnico apontam que, após a pandemia, os índices globais de transtornos de ansiedade e depressão cresceram 25%, impactando diretamente produtividade, absenteísmo e sustentabilidade assistencial.
No Brasil, os custos relacionados à saúde mental na saúde suplementar cresceram 9,6% em 2024, segundo dados da ANS. O documento reforça que os transtornos mentais figuram entre as principais causas de afastamentos prolongados, presenteísmo e acidentes de trabalho.
Conforme Robson Gravena reforça, o Mental Lab responde a um desafio estrutural: “a indústria brasileira convive hoje com impactos concretos do adoecimento mental: afastamentos prolongados, queda de produtividade e aumento da sinistralidade. O Mental Lab organiza esse cenário a partir de uma linha de cuidado clara, com critérios técnicos, indicadores e foco na prevenção. É uma iniciativa que alia responsabilidade social e estratégia empresarial”.
Para Guilherme Murta, Médico do Trabalho e Coordenador de Saúde do Sesi Paraná, o diferencial está na integração entre ciência, aplicabilidade e governança.
“A proposta não é apenas oferecer atendimento, mas estruturar uma jornada de cuidado. Estamos falando de rastrear precocemente sintomas, estratificar níveis de risco, definir condutas claras e monitorar desfechos clínicos. Isso aumenta a resolutividade e contribui para decisões mais assertivas por parte das empresas e operadoras”, explica Murta.
Abrangência nacional e próximos passos
Com abrangência nacional, o protocolo será validado junto ao Departamento Nacional do Sesi e à ANS, com potencial para se tornar referência para operadoras de saúde em todo o país.
O evento encerra-se nesta quinta-feira (05) com a validação das propostas colaborativas que servirão de base para o protocolo final de referência nacional.
Para o Sesi: cuidar da saúde emocional é cuidar da competitividade da indústria e da dignidade das pessoas. E quando estruturamos o cuidado com método, indicadores e colaboração, ampliamos o impacto social e fortalecemos o setor produtivo.