Conectada ao Parque Tecnológico da Indústria, a Greenpar surgiu a partir da implantação, em Londrina (PR), da primeira fábrica de células de grafeno da América Latina. Desde a origem, a empresa foi estruturada para integrar pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico e produção industrial em escala, atuando em desafios centrais da transição energética, como transporte pesado, armazenamento de energia e materiais avançados.
Da mobilidade pesada ao armazenamento de energia
A proposta da Greenpar é atuar onde as demandas ambientais e industriais são mais complexas. Para isso, a empresa desenvolve células e baterias de grafeno voltadas a aplicações severas, como ônibus, caminhões, tratores, sistemas ferroviários, embarcações e operações agroindustriais — segmentos que exigem alta durabilidade, segurança operacional e desempenho contínuo.
Outro eixo central do negócio são os BESS (Battery Energy Storage Systems), ou sistemas de armazenamento de energia em baterias. Esses sistemas funcionam como grandes “reservatórios” de eletricidade: armazenam energia quando há excesso de geração, especialmente de fontes renováveis como solar e eólica, e a liberam nos momentos de maior demanda. A Greenpar desenvolve soluções on-grid, conectadas à rede elétrica convencional, e off-grid, que operam de forma independente, atendendo indústrias, áreas remotas e aplicações que exigem autonomia energética.
A empresa também investe na produção de materiais críticos, como grafite sintético e grafeno grau bateria, insumos estratégicos para tecnologias energéticas avançadas. Essa atuação reduz a dependência de importações e fortalece a soberania energética nacional. As soluções são projetadas para ciclos intensivos, com vida útil superior a 25 anos, carregamento ultrarrápido em cerca de 15 minutos, alta densidade energética e elevados padrões de segurança térmica e mecânica. Na prática, isso reduz o TCO (Total Cost of Ownership) — o custo total de propriedade ao longo da vida útil do sistema, considerando aquisição, operação, manutenção e durabilidade.
No campo da sustentabilidade, a atuação da Greenpar é direta e mensurável. As tecnologias desenvolvidas contribuem para a descarbonização do transporte pesado, um dos setores mais emissores de gases de efeito estufa, além de apoiar a eletrificação de frotas urbanas, logísticas e agrícolas. Os sistemas de armazenamento também ajudam a reduzir o desperdício de energia renovável, transformando excedentes em valor econômico e aumentando a eficiência do sistema elétrico.

Pesquisa aplicada e escala industrial
A conexão com o Parque Tecnológico da Indústria é determinante para acelerar esse processo. É nesse ambiente que a Greenpar realiza pesquisa aplicada em materiais avançados, validação industrial de baterias e testes de desempenho, segurança e ciclo de vida. O parque também permite acelerar o TRL (Technology Readiness Level) — indicador que mede o grau de maturidade de uma tecnologia, desde a fase experimental até a produção industrial em larga escala — reduzindo riscos tecnológicos e encurtando o tempo entre o desenvolvimento científico e o produto disponível no mercado.
“O Parque Tecnológico da Indústria permite transformar conhecimento científico em solução industrial concreta. É onde conseguimos testar, validar e escalar tecnologias complexas com mais segurança, conectados à indústria e ao mercado. Esse ambiente é decisivo para acelerar a transição energética de forma prática”, afirma Luiz Nicolao, CEO da Greenpar.
Com suporte institucional e financeiro de entidades como Fundação Araucária, BNDES, FINEP e o Governo do Estado do Paraná, por meio da Secretaria Estadual da Inovação, Modernização e Transformação Digital (SEI), somado à participação societária da Equity Fund de João Kepler — que reforça a governança, a estratégia de crescimento e a inserção da empresa em novos mercados e ecossistemas de inovação —, a Greenpar avança na consolidação de um projeto com forte impacto industrial, ambiental e estratégico. Entre os próximos passos estão a produção em escala plena das baterias de grafeno, o fortalecimento do Paraná como polo latino-americano de mobilidade elétrica pesada e a expansão para segmentos como data centers, semicondutores, hidrogênio verde, além dos setores aeroespacial, ferroviário e de defesa, com foco também na exportação de tecnologia energética.