Uma visita técnica realizada recentemente no Instituto Senai de Tecnologia em Celulose e Papel evidenciou novas perspectivas de cooperação tecnológica no desenvolvimento e na aplicação de bioplásticos voltados à indústria de papel e embalagens. O encontro reforçou o papel da pesquisa aplicada como vetor estratégico para validação de soluções inovadoras e sustentáveis.
A agenda contou com a presença de Alejandro Ocampo, cônsul da Argentina em Curitiba, e de Ezequiel Sala, representante da BIONBAX S.A., indústria de bioplásticos de alto desempenho sediada na província de Santa Fé. A visita teve caráter técnico e institucional, com foco na troca de conhecimentos e na avaliação de possíveis frentes de colaboração tecnológica.
Logo no primeiro contato com a estrutura do Instituto, os visitantes destacaram a autonomia técnica da unidade, capaz de conduzir pesquisas completas, desde as etapas iniciais de desenvolvimento até a validação de aplicações industriais. Equipamentos como biorreatores, extrusora e máquinas universais de ensaios despertaram atenção especial.
Segundo Isabella Dias, analista de PDI do Instituto, a robustez da infraestrutura foi um dos principais diferenciais percebidos. “A possibilidade de concentrar todas as etapas de estudo em um único ambiente de pesquisa reduz prazos, custos e amplia a confiabilidade dos resultados”, afirma. Para ela, essa característica fortalece decisões estratégicas das empresas que buscam inovar com maior segurança tecnológica.

Infraestrutura que acelera a inovação
A expertise brasileira em celulose e papel surge como complemento estratégico às demandas tecnológicas discutidas durante a visita, especialmente no uso de bioplásticos como revestimento para papéis. Os estudos podem envolver desde a caracterização físico-química até análises de biodegradabilidade e desempenho em condições ambientais locais.
“O trabalho vai além da validação técnica. Envolve compreender quais aplicações apresentam viabilidade industrial e aderência às necessidades do mercado”, explica Ariane Bittencourt, analista de Negócio. Segundo ela, o foco está na construção de caminhos sustentáveis e competitivos para novas soluções em materiais.
Outro eixo de interesse envolve o desenvolvimento de biocompósitos. O Instituto avalia estratégias que combinem biopolímeros com materiais como amido termoplástico, PHB, celulose e nanocelulose, além de formulações híbridas. “Essas abordagens permitem reduzir a dependência de polímeros fósseis e aprimorar propriedades mecânicas e funcionais”, ressalta Isabella Dias.
A visita também contribuiu para a identificação de oportunidades concretas de cooperação técnica, com potencial para estruturação de projetos de PD&I baseados no compartilhamento de dados, análises e desenvolvimento de aplicações.
Cooperação que fortalece a bioeconomia
Para Claudia Gemba, bolsista envolvida nas pesquisas, iniciativas colaborativas ampliam impactos além do desenvolvimento de materiais. “Projetos dessa natureza fortalecem competências tecnológicas, impulsionam a formação de profissionais qualificados e aceleram a transferência de inovação para a indústria”, afirma.
No médio e longo prazo, parcerias entre empresas e centros de pesquisa aplicados podem gerar ganhos relevantes para a competitividade industrial e para o avanço de soluções sustentáveis, ampliando o portfólio de alternativas tecnológicas alinhadas à bioeconomia.