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Setor automotivo cauteloso para enfrentar o pós-crise

Queda nas exportações mantém indústria em alerta. Recuperação do crédito é essencial para manutenção da vitalidade das empresas

clique para ampliar Empresários do setor debateram o atual momento do setor e estabeleceram uma agenda de ações que alavanque seus negócios (Foto: Rogério Theodorovy)

Setor responsável por 23% do PIB industrial e por 5,5% do PIB total brasileiro, a indústria automotiva tem suportado bem a crise financeira internacional, graças, especialmente, à manutenção da robustez do mercado interno, o quinto maior do mundo, diretamente beneficiado pelas medidas de redução de impostos tomadas pelo governo federal. Isso porque o mercado externo reduziu-se praticamente pela metade entre janeiro e junho deste ano, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), prejudicando especialmente os fabricantes de caminhões e de máquinas agrícolas.

Leia a reportagem sobre o Fórum Setorial de Reparação de Veículos

“Outros setores também precisam ser incentivados para que a gente enfrente esse período de dificuldade que sabemos no futuro vai acabar. Mas precisamos passar dessa fase com tranquilidade”, afirmou nesta quarta-feira (08) Antonio Megale, vice-presidente da Anfavea. Megale esteve em Curitiba para uma palestra a empresários e dirigentes sindicais participantes do Fórum Setorial da Indústria Automotiva, promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) para debater o atual momento do setor e estabelecer uma agenda de ações que alavanque seus negócios.

Empresários do ramo automotivo se mostram cautelosos para o futuro do setor no pós-crise, quando as ações extraordinárias forem extintas. Megale elogiou as medidas governamentais, como a redução do IPI para veículos automotores e do IOF para motos, no entanto lembrou que elas não podem atender a um único setor, mas “agirem de forma complementar”: “Um nível de crédito mais amplo é fundamental para garantir o mercado”, disse. “É muito importante que se busquem medidas principalmente para que o crédito chegue de forma boa para o consumidor e os efeitos da crise sejam minimizados”.

Além da recuperação do crédito, os participantes do Fórum citaram como ação prioritária a ser tomada pelo poder público o investimento em infraestrutura e uma ampla flexibilização das leis trabalhistas. “A gente precisa ser um pouco criativo e trabalhar com o governo de modo que se criem certas flexibilidades para a condição trabalhista, para que a gente possa absorver esses momentos de dificuldades sabendo que no futuro essa situação vai melhorar. É muito dificil quando uma empresa tem que demitir e lá na frente recontratar e treinar novamente”, afirmou Megale.

Do Sistema Fiep os participantes do Fórum Automotivo citaram como medidas prioritárias a qualificação da mão-de-obra e a criação de programas específicos de capacitação profissional. Dos sindicatos empresariais e das próprias empresas do setor, as prioridades são a união e articulação das entidades representativas do setor e uma maior participação das empresas nas associações de classes e sindicatos.

Até agosto, a Fiep reúne representantes de 16 setores da indústria paranaense nos Fóruns Setoriais. Nesta quinta-feira (09) ocorre o encontro do setor de reparação de veículos. Na próxima semana, serão realizados os Fóruns Setoriais dos setores Eletrônico, Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) e Audiovisual (terça, dia 14); sucroalcooleiro (quinta, dia 16, em Maringá) e moveleiro (sexta, dia 17, em Arapongas).

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