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As novas tecnologias em prol do desenvolvimento das cidades

O norte-americano Clay Shirky e o espanhol Jordi Borja apresentaram exemplos de como a mobilização virtual pode influenciar na alteração de perfis e comportamentos urbanos

As novas tecnologias podem influenciar nas decisões dos governos locais e ajudar na construção de novos perfis para as cidades. Exemplos de como isso é possível foram apresentados na manhã desta quinta-feira (11), na mesa de abertura do segundo dia da Conferência Internacional de Cidades Inovadoras (CICI2010), que acontece até sábado, em Curitiba, com promoção do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). O norte-americano Clay Shirky e o espanhol Jordi Borja falaram sobre o tema “A reinvenção do governo a partir das cidades”.

 “A mídia passou de só uma forma de informação para uma forma de mobilização. Toda informação publicada na internet tem valor para quem a usa, criando pontos de encontro entre pessoas de um mesmo grupo de interesse”, disse Shirky, que é escritor e professor de Efeitos Econômicos e Sociais das Tecnologias da Internet na Universidade de Nova Iorque. A união das pessoas em torno de um tema comum, segundo Shirky, não se restringe ao mundo virtual, como se imaginava quando do surgimento da internet. “Hoje temos locais na tecnologia virtual que estão levando a encontros físicos no mundo real para gerar melhorias na qualidade de vida das pessoas”, justificou.

Como exemplo, o professor citou dois casos de sites criados para mobilizar a sociedade em torno de problemas das localidades onde vivem. Um deles, o seeclickfix.com, é uma iniciativa de cidadãos para cobrar das autoridades soluções para problemas detectados em diversas cidades, pedindo por exemplo o reparo de buracos em ruas. Já o segundo, o Responsible Citizens, do Paquistão, mobiliza moradores da cidade de Lahore para que eles próprios executem serviços que seriam atribuição do governo, como a limpeza de mercados e espaços públicos, buscando uma mudança de cultura na sociedade local.

“Acredito, porém, que nenhum desses dois modelos será sustentável no futuro. Precisamos de um terceiro modelo, ainda não existente, que conte com o apoio dos governos locais e que possibilite ao mesmo tempo a participação dos cidadãos”, explicou Shirky. “À medida que as cidades crescem, é preciso encontrar soluções e ferramentas virtuais que possam contribuir com o desenvolvimento local”, acrescentou.

O urbanista Jordi Borja, professor da Universidade da Catalunha, acrescentou que hoje é impossível se falar em desenvolvimento das cidades sem se levar em conta o uso de todas as tecnologias de comunicação e informação. “Na Espanha, até mesmo as pessoas que vivem em regiões mais precárias têm pelo menos um telefone celular e há que se favorecer o uso dessas tecnologias para o desenvolvimento das cidades”, disse.

A participação popular, segundo Borja, é fundamental para que uma cidade possa construir um processo de alteração em seu perfil urbano. Foi o que aconteceu em Barcelona entre o fim da década de 1980 e início da de 1990, quando a capital da Catalunha passou por um amplo trabalho de recuperação, do qual Borja foi um dos artífices. “Barcelona recolheu as demandas dos movimentos populares, tanto dos bairros periféricos quanto dos centrais, para que eles construíssem o modelo de cidade que queriam”, afirmou, acrescentando que hoje esse processo é facilitado pelas novas tecnologias de comunicação.

 Borja ressaltou, porém, que cada cidade deve encontrar a sua fórmula para seu desenvolvimento. “Estamos frente a governos locais que entendem que não podem ser como antes. Mas para desenvolver as cidades, não há uma forma predeterminada. Cada uma deve levar em conta sua história, sua cultura e suas características, formulando políticas públicas que respeitem os direitos de seus cidadãos”, declarou.

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