Notícias > Artigos

Por mudanças profundas na política brasileira

“Quem quer que seja eleito presidente terá que liderar um processo de mudanças – e mudanças profundas – no país”, afirma o presidente do Sistema Fiep, Edson Campagnolo

Publicado pelo jornal Gazeta do Povo, em 25 de outubro de 2014

Por Edson Campagnolo

Neste domingo, chegamos ao fim de mais um período eleitoral. Uma campanha especialmente acirrada, com ânimos exaltados, entre candidatos e eleitores. Uma campanha em que se falou muito sobre “nova política” e “mudanças”, mas que ficou marcada, sobretudo, por velhas práticas. Ainda não sabemos o resultado das urnas, mas quem quer que seja eleito presidente terá que liderar um processo de mudanças – e mudanças profundas – no país.

O que se viu nestas eleições foi um festival de troca de acusações entre candidatos, replicadas por eleitores, cada um tentando desconstruir a imagem dos adversários. A “pancadaria” se espalhou pelo horário eleitoral no rádio e na TV e se intensificou nos debates entre candidatos promovidos pelas emissoras. Fatos que nos fazem questionar a validade desses tipos de programas, que cada vez menos prendem a atenção dos eleitores, já que estão deixando de lado aquela que seria sua real função: a apresentação e discussão de propostas para o futuro do país.

Além disso, vimos todas as principais campanhas usarem insistentemente, de acordo com seus interesses, os resultados das pesquisas de intenções de votos. Com uma surpresa a cada levantamento, mais uma vez o eleitor acabou praticamente sendo “encabrestado” pelos institutos de pesquisa. O que nos leva a uma reflexão sobre como seriam eleições sem a interferência da divulgação de pesquisas.

No meio de toda essa pancadaria e briga pelo voto, sempre ganham destaque os escândalos de corrupção com que nós, eleitores e cidadãos, somos obrigados a conviver no Brasil. Nestas eleições, o foco foi a Petrobras. O que já se desenha como um verdadeiro assalto aos cofres públicos, certamente ganhará proporções ainda maiores quando for efetivamente aberta a “caixa preta” de nossa principal empresa estatal. Um assalto que, como mostram as denúncias, beneficia políticos e partidos das mais variadas correntes, deixando ainda mais atual aquela música de Bezerra da Silva que diz: “Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão”.

Estarrecidos, e cientes de que este não é o primeiro caso de corrupção – e, infelizmente, não será o último –, o eleitor e o cidadão ficam à espera de qual será o próximo escândalo. Mas o que não podemos esquecer, de forma alguma, é que o dinheiro desviado sai sempre de nossos bolsos, fruto dos tributos e impostos que pagamos.

Esse deve ser o principal combustível para que nós, eleitores e cidadãos, não nos acomodemos e não deixemos que tudo fique como antes, que esse modelo político se perpetue. Não podemos permitir que os políticos eleitos, sejam os novos, os velhos ou ainda os “novos velhos”, continuem jogando apenas para si, colocando interesses pessoais ou partidários acima do interesse coletivo.

Precisamos de transformações profundas em nosso país. Repetidamente faladas por todos os candidatos, as tão necessárias reformas precisam sair do papel. Para que isso aconteça, o eleitor deve desempenhar papel central. Anote em quem você votou e não dê sossego aos candidatos que ajudou a eleger. Acompanhe, monitore sua atuação e cobre mudanças. É fundamental que façamos pressão. Senão, daqui a quatro anos, estaremos mais uma vez assistindo ao mesmo enredo, sem que nada tenha mudado de fato.

Agora restaram apenas dois candidatos: um prometendo mudanças, outra falando em novo governo, novas ideias. Quem você acredita que realmente irá cumprir com o prometido? As apostas estão abertas.

Edson Campagnolo
Presidente do Sistema Federação das Indústrias do Paraná

About Author