Agenda 2030 e ODS propõe uma “nova economia”

Evento promovido pelo Sesi Paraná e Cifal Curitiba na última segunda-feira (13) reuniu signatárias do Pacto Global para discutir a implementação dos objetivos da ONU nos negócios

José Antonio Fares, superintendente do Sesi Paraná, Alex Mejia, diretor do Programa de Desenvolvimento Local do UNITAR,e Edson Campagnolo, presidente da Fiep, durante o Encontro das Empresas Signatárias do Pacto Global / Foto: Gelson Bampi

Seja qual for o tamanho do seu negócio: você já ouviu falar da Agenda 2030? E dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável?  Essas duas ações da ONU, que propõe um plano de atitudes em prol de um planeta mais próspero, com mais paz, liberdade e igualdade, podem ser implementadas no dia a dia de uma empresa, seja ela multinacional ou micro empresa. O assunto foi tema de um evento promovido na última segunda-feira (13) pelo Sesi Paraná, em parceria com o Cifal Curitiba.

Na ocasião, o superintendente do Sesi Paraná, José Antonio Fares, e o presidente da Fiep, Edson Campagnolo, receberam a bandeira da ONU do diretor do Programa de Desenvolvimento Local do UNITAR, Alex Mejia.

Signatário do Pacto Global desde 2003 (são 3 mil empresas no mundo e 714 no Brasil que assinaram o acordo), o Sesi trouxe especialistas de várias áreas para discutir as ações, como o coordenador-geral para o Desenvolvimento Sustentável do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Mário Motin, a Secretária Executiva da Rede Brasil do Pacto Global da ONU, Beatriz Martins Carneiro, entre outros convidados. Além disso, empresas como a multinacional Novozymes e a Itaipu Binacional mostraram como implementam os ODS´s no dia a dia.

A seguir, algumas atitudes pontuadas pelos especialistas para que as empresas comecem a pensar suas ações dentro da agenda da ONU:

1 – Repense seus processos: os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são essenciais para os negócios de hoje e do futuro, acredita o coordenador-geral para o Desenvolvimento Sustentável do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Mário Motin, que foi um dos integrantes da equipe brasileira na elaboração dos objetivos. “Os negócios precisam de uma nova forma, devem ser mais sustentáveis e gerar menos impacto social e ambiental. E, para isso, as empresas precisam olhar para elas mesmas, repensar os seus processos. E os ODS podem ser um direcionamento para essa estruturação.”

2 – Controle os fluxos ilícitos: para a implementação da Agenda 2030, a estimativa é que seriam necessários 10 trilhões de dólares, mas há dinheiro para isso? Esse é o questionamento que se faz constantemente. Segundo o diretor do Programa de Desenvolvimento Local do UNITAR, Alex Mejia, há.  “Hoje a evasão de dinheiro chega a quase 800 bilhões de dólares. Os países precisam focar em controlar os fluxos ilícitos, pois reduzindo a lavagem de dinheiro e a sonegação de impostos, os governos terão dinheiro para implementar a agenda”, garante. Além disso, várias ações que envolvem o ODS podem ser implementadas com pouco, ou nenhum recurso.

3 – Faça parcerias: a presidente da Organização Mundial das Famílias da ONU, Deisi Noeli Weber Kusztra, salientou que os empresários devem sempre ter em mente os “cinco pês”: pessoas, planeta, prosperidade, paz e parcerias, destacando que o último pê é fundamental. “Desenvolver ideias em conjunto é essencial para pensar em produtos e soluções inovadoras”, afirma. Essa é a fórmula, crê, para crescer com sustentabilidade e gerar empregos dignos, não deixando ninguém para trás. “Se não olharmos para a produção de empregos decentes, estaremos pulando degraus.”

4 – Mesmo sendo um cidadão global, foque no local e nos jovens: antes de pensar globalmente, a primeira necessidade é voltar o negócio para os atores locais. Segundo Deisi, os jovens de hoje impactarão na economia por 40 anos, então, invista neles para um mundo melhor.

5 – Consumo responsável: não só para as empresas, mas para a sociedade em geral, os especialistas frisam que o ODS 12 – “assegurar padrões de consumo e produção sustentáveis” – é urgente. De acordo com estimativas da própria ONU, se continuarmos com os mesmos padrões de consumo, precisaremos de três planetas em 2050.  “Nós, família e pequenos negócios, somos grandes produtores de materiais que não fazem bem ao meio-ambiente”, lembra Deisi.

6 – Inspire-se: atualmente, negócios de diferentes segmentos fazem ações para atingir os 17 ODS´s. A Novozymes, dinamarquesa da área de biotecnologia que possui uma sede em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, é um exemplo bem sucedido na implementação dos objetivos em seus negócios no mundo todo. O vice-presidente da empresa, Pedro Luiz Fernandes, contou que, em 1972, trabalhadoras cruzaram os braços ao saber que os seus salários eram menores do que o dos homens.  A greve fez a empresa colocar os salários no mesmo patamar. “Isso há 44 anos e posso dizer que o salário das mulheres na empresa, até hoje, é exatamente igual ao dos homens”, garante. O que faz a empresa cumprir, por exemplo, o ODS 5 – alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.  Além disso, a multinacional tem uma série de projetos em áreas como a de educação: eles têm a meta de educar 1 milhão de pessoas no mundo até 2020 na área da biologia. A construtura A Yoshi e a Itaipu Binacional são outros cases de sucesso em ações que envolvem igualdade de gênero, uso sustentável dos recursos e ecossistemas, entre outros.

7 – Inicie sua ação: a Secretária Executiva da Rede Brasil do Pacto Global da ONU, Beatriz Martins Carneiro, acredita que o ODS é a espinha dorsal das empresas, tanto internamente quanto para os negócios. “É a forma de transição para uma nova economia, com menos desigualdade e impacto ambiental. Fora que traz mais oportunidades, como novos modelos, tecnologia e inovação”. Para começar, ela propõe cinco atitudes básicas: entender o que é ODS; definir prioridades: ver quais são os ODS´s mais impactantes para o seu negócio; estabelecer metas; integrar ações e traçar uma estratégia de relato e comunicação, em uma linguagem globalmente entendida.

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