Fiep registra aumento de consultas sobre crédito em 2019

Movimento no Núcleo de Acesso ao Crédito cresceu 22%, sendo 70% dos atendimentos destinados a micro e pequenos empresários

As medidas implementadas pelo governo no segundo semestre de 2019 para estimular o crescimento da economia tiveram impacto direto na busca por informações sobre crédito. O Núcleo de Acesso ao Crédito da Fiep, por exemplo, registrou um aumento de 22% nas consultas demandadas pelas empresas no ano passado, principalmente de julho a dezembro. A maioria, 70% delas, de micro e pequeno porte.

O resultado acompanhou, de forma mais acentuada, o balanço divulgado pelo Banco Central no início deste ano. Houve crescimento de 7,8% na concessão de crédito no Paraná em 2019, cerca de R$ 2,8 bilhões, puxado principalmente pela alta de 10,3% para pessoa física. Crédito para empresas teve crescimento menor, de 4,2%, em relação a igual período de 2018.

Movimento no Núcleo de Acesso ao Crédito cresceu 22%, sendo 70% dos atendimentos destinados a micro e pequenos empresários. Crédito da foto: AdobeStock

A entrada em vigor da Lei de Liberdade Econômica, com expectativa de reduzir a burocracia e dar mais segurança jurídica aos negócios, as sucessivas quedas da Selic, a taxa básica de juros da economia, hoje em 4,5% ao ano, o controle da inflação e a liberação do saque do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) foram outros fatores que animaram o mercado.

“Esta melhora no ambiente de negócios teve impacto direto na confiança do empresário, que foi buscar recursos para colocar em prática seu planejamento. Isso se refletiu aqui, com aumento de demanda por informações sobre crédito, principalmente dos pequenos empreendedores”, destaca o especialista em crédito da Fiep, João Baptista Guimarães.

Ele conta que o comportamento do empresário muda de acordo com o cenário econômico. Em 2016, 30% dos consultados no setor buscavam crédito para capital de giro. Em 2017, essa modalidade subiu para 45% dos pedidos. E, em 2018, chegou a 48%. “No ano passado, apesar de uma demanda ainda alta por capital de giro, em torno de 45%, percebemos que estava atrelada à retomada da atividade econômica, com foco em recursos para compra de insumos e renovação de estoque para suas atividades. Vemos isso com bons olhos”, analisa.

A lista segue com 40% dos atendimentos para investimento fixo, recursos para viabilizar obras, reformas, ampliações, compra de máquinas e equipamentos ou para projetos de inovação e eficiência energética e outros 15% destinados para outras finalidades.

O especialista recomenda que o industrial preste sempre atenção nos prazos, priorize créditos de longo prazo que têm condições melhores e são mais baratos. ”Quem tem pressa paga sempre mais caro”, avisa. Em média, entre a busca por informações, andamento da documentação exigida e a concessão, os bancos levam em torno de 60 a 90 dias para liberar os recursos de um financiamento. O ideal é fazer o planejamento com antecedência para conseguir uma negociação mais vantajosa.

Crédito no Brasil

Na opinião de Guimarães, o custo do crédito no Brasil ainda é muito caro muito em decorrência do domínio de apenas cinco bancos, que detêm 80% do mercado de crédito, o que é pouco para um país tão grande. Entra no custo do crédito ainda a margem de lucro dos bancos, impostos, taxas de serviços, provisões de inadimplência e outros custos operacionais que acabam impactando no valor final.

O NAC atua como um agente estratégico para o industrial que está em busca de recursos financeiros. A principal vantagem é receber informações precisas e ter confiança de que a sugestão indicada será sempre a melhor alternativa para a empresa e não para a instituição financeira.

”Aqui trabalhamos com linhas que oferecem boas condições para o empresário. Mapeamos opções adequadas à sua necessidade, fazemos uma triagem e orientamos sobre a documentação exigida. Muitas vezes o empresário pode ganhar tempo e iniciar o processo no próprio NAC porque a Fiep é correspondente de algumas instituições financeiras, como a Fomento Paraná”, reforça.

A consultoria do NAC é uma contrapartida da Fiep ao industrial paranaense e não tem nenhum custo. O NAC fica na sede central da Fiep em Curitiba (Avenida Cândido de Abreu, 200) e, no interior, diretamente nas Casas da Indústria das Cidades de Maringá, Londrina e Cascavel. Mais informações podem ser obtidas no site www.fiepr.org.br/credito , pelo e-mail nacpr@sistemafiep.org.br ou pelos telefones (41) 3271-9038/ 9082 ou 9411.

BNDES expande crédito para médias empresas

O BNDES expandiu a linha BNDES Crédito Pequenas Empresas também para as médias, que tenham faturamento anual de até R$ 90 milhões. O limite por operação é de R$ 10 milhões por empresa, e a taxa de juros é variável, partindo de 1,09% ao mês, com carência de até 24 meses, e prazo de pagamento de até 60 meses.

A linha é bastante flexível e permite financiar não apenas máquinas, mas também a compra de insumos e ações de marketing. “É o que esperamos do BNDES, mais flexibilidade e menos burocracia como deve ser um banco de desenvolvimento, financiando a produção e ajudando as empresas a crescer”, destaca João Baptista Guimarães. Segundo ele, os principais bancos devem operar com esta linha. Para mais informações, os interessados devem procurar o Núcleo de Acesso ao Crédito da Fiep (NAC), onde funciona o Posto de Informações do BNDES no Paraná.

Mais segurança

Antes de recorrer ao crédito é necessário avaliar a necessidade real para não correr risco de inviabilizar o negócio por endividamento. O especialista em crédito da Fiep elencou cinco passos para que o empresário fique atento antes de recorrer aos bancos.

  • Organizar as finanças da empresa: fazer boa gestão dos recursos, controlando fluxo de caixa, avaliando o resultado anual e mensal da atividade com ajuda de ferramentas de análise e controle financeiro.
  • Recorrer aoautofinanciamento, buscando recursos dentro da própria empresa antes de tomar empréstimos. Isso pode ser feito ao otimizar custos operacionais, com redução de desperdícios, melhor gestão de estoques, ao utilizar venda de ativos ociosos, negociando preços e prazos de pagamento com fornecedores e clientes, adotando políticas de incentivo para o pagamento antecipado e reinvestindo o lucro da empresa, além de buscar aporte dos sócios.
  • Montar umplano de financiamento, que deve conter o valor total do financiamento e seu detalhamento por itens financiados, a que se destinam os recursos, como por exemplo, para fins de obras e reformas, aquisição de máquinas e equipamentos (nacionais e importadas), projetos de inovação, compra de insumos, pagamento de fornecedores ou exportação de bens. E também priorizar os créditos de longo prazo, que geralmente tem condições melhores e são mais baratos.
  • Pesquisar o mercado e buscar instituições financeiras e bancos que ofereçam as melhores condições para sua necessidade de crédito. Além do próprio banco que a empresa tem relacionamento, é importante buscar as condições dos bancos de desenvolvimento, agências de fomento, fintechse cooperativas de crédito.
  • Ficar atento aprazos e documentos necessários para apresentar à instituição financeira escolhida. Estar com todas as certidões exigidas em dia e com a documentação contábil atualizada para agilizar o processo de financiamento.

Este exercício é importante porque os bancos operam com linhas e produtos financeiros específicos para cada item com condições diferenciadas. Desta forma o empresário pode conseguir uma taxa final menor por ter detalhado melhor o orçamento do crédito”, conclui Guimarães.

 

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