Impacto da pandemia na indústria do Paraná é o menor da região Sul

Pesquisa mensal do IBGE revela queda na atividade do setor em abril

O IBGE divulgou esta manhã (terça-feira, 9/6), os resultados da produção industrial no Paraná. Os números revelam uma forte queda no setor em abril, quando a crise do novo coronavírus já influenciava a atividade no estado. Na comparação com abril de 2019, houve queda de 30,6%. Estados vizinhos também tiveram diminuição da produção, como Santa Catarina (-30,8%) e Rio Grande do Sul (-35,5%). O indicador nacional, no mesmo período, ficou em -27,2%. Destaque ainda para a queda na atividade em São Paulo (-31,7%).

Setor de alimentos registrou alta de 8,3% de janeiro a abril no Paraná.
Crédito das fotos: Gelson Bampi

Quando se analisam os números relativos ao acumulado do ano, de janeiro a abril, a queda é bem menor. O Paraná teve retração da atividade industrial em 6,2%. O indicador nacional ficou em -8,2%. Os vizinhos do Sul também registram baixas mais acentuadas. Santa Catarina, de -11,8%, e Rio Grande do Sul, -13,2%. O vizinho São Paulo teve perda acumulada de -10,3% no mesmo período.

“A queda na produção industrial, revelada pelos dados do IBGE, já era esperada devido às restrições a diversas atividades, que se intensificaram durante o mês de abril e paralisaram ou reduziram a produção em boa parte das fábricas”, afirma o presidente da Fiep, Carlos Valter Martins Pedro.

“Mas o tamanho da retração, que tem forte impacto sobre o faturamento, reforça ainda mais a necessidade de medidas públicas que garantam fôlego às indústrias, especialmente na facilitação de acesso ao crédito a juros baixos, além de iniciativas que contribuam para uma retomada mais acelerada da atividade econômica no país”, acrescenta.

Segmentos

De janeiro a abril, os setores que mais influenciaram no resultado estadual, de forma positiva, foram produtos derivados do petróleo, com crescimento de 10,1%; setor de alimentos, um dos mais relevantes do Paraná, cresceu 8,3%; seguido por e papel e celulose, com 6,9%; fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, 1,2%; além de produtos de metal, com ligeira alta de 1%.

Na avaliação das atividades com pior desempenho de janeiro a abril deste ano, e que puxaram o resultado para baixo, destaque para a queda acentuada da produção no segmento automotivo, de -30,6%; máquinas e equipamentos, de -28,5%%; e fabricação de produtos de madeira, -17,1%. “Ao analisar a taxa de crescimento da indústria em geral, a produção de veículos, uma das mais importantes do estado, foi uma das mais prejudicadas durante a pandemia. Além da suspensão das atividades nas fábricas, o retorno ao trabalho foi mais tardio em comparação com outros setores. Isso influenciou diretamente o resultado negativo no estado”, avalia o economista da Fiep, Evânio Felippe.

No acumulado dos últimos 12 meses, de maio de 2019 a abril de 2020, o setor industrial ainda opera com resultado positivo, ou seja, crescimento de 1,7%. No país, o indicador está em -2,9%. Santa Catarina, -2,6% e Rio Grande do Sul, -3,6%. “Nesse indicador, os dados mostram que o resultado positivo da produção industrial em 2019 ainda influenciam 2020. No ano passado o estado encerrou o ano com crescimento acumulado de 5,7% na produção industrial”, analisa Felippe.

Na variação mensal, quando comparado abril com março de 2020, a queda da atividade industrial no Paraná é mais acentuada. O estado registra retração de 28,7%. No Brasil, o índice ficou em -18,8%. Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com redução de -14,1% e -21%, respectivamente. “Isso pode ter influência nas políticas de cada um dos estados com relação ao relaxamento das medidas de isolamento social, que em algumas regiões ocorreu antes do que aqui no Paraná”, conclui o economista.

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