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Exportações paranaenses registram queda em agosto

Valor ficou 7% abaixo do registrado no mesmo mês de 2019, mas no acumulado do ano resultado ainda é estável

A queda acentuada nas vendas do setor automotivo, importante polo industrial do Paraná, se refletiu no resultado das exportações em agosto, que fecharam em US$ 1,345 bilhão. A redução foi de 7% em relação ao mesmo mês de 2019, e de 15% na comparação com julho deste ano. Mas, quando se avalia o valor no acumulado no ano (US$ 11,025 bilhões), de janeiro a agosto, contra igual intervalo do ano anterior, a conclusão é de que houve estabilidade, 0,07%.

Houve aumento de 67% nas vendas para a China e de 46% para os Estados Unidos.
Crédito das fotos: Gelson Bampi

Os setores que mais influenciaram nessa redução, comparada com agosto do ano passado, foram materiais de transportes, quarto item mais importante na pauta de exportações do estado, ligado ao setor automotivo (-57%); açúcares e derivados (-23%); e papel e celulose (-14%). Por outro lado, houve avanço no setor da madeira (+36%); produtos mecânicos (30%); soja (23%); produtos químicos (+17%); e carnes (+2%).

Em relação aos valores exportados, soja teve maior destaque (US$ 518 milhões). Seguida por carnes (US$ 216 milhões); madeira (US$ 116 milhões); material de transporte (US$ 62 milhões); mecânica (US$ 58 milhões); açúcares e derivados (US$53 milhões); produtos químicos (US$ 52,8 milhões); e papel e celulose (US$ 44 milhões).

No comparativo com agosto de 2019, também houve aumento de 67% nas vendas para a China; e de 46% para os Estados Unidos. Já para a Argentina, principal destino das exportações do setor automotivo do estado – itens de alto valor agregado, o resultado é 20% menor. “A Argentina já vem de uma grave crise econômica que se arrasta desde 2018. As vendas para o país têm sofrido reduções consecutivas. Com a pandemia do novo coronavírus a situação se agravou. As atividades econômicas estão sendo severamente controladas e o consumo das famílias é direcionado a itens essenciais, como alimentação e saúde. Isso impacta diretamente nas vendas de automóveis”, analisa o economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Evânio Felippe.

Importações e saldo da balança comercial

As importações somaram US$ 762 milhões em agosto. Retração de 38% em relação ao mesmo mês do ano passado. Com isso, o saldo da balança comercial paranaense no mês (exportações menos as importações) ficou em US$ 583,5 milhões, 163% maior do que o registrado em igual período de 2019.

Queda nas vendas do setor automotivo impactou no resultado das exportações em agosto.

No acumulado do ano, as importações somam US$ 6,383 bilhões. Valor 24% abaixo do verificado de janeiro a agosto do ano anterior. Com isso, o saldo da balança comercial de janeiro até agora está em US$ 4,642 bilhões, valor 81% superior ao acumulado no mesmo intervalo do ano passado. “Esse aumento expressivo deve ser visto com cautela porque não revela um aquecimento nas vendas para o mercado externo, mas uma queda acentuada das importações”, avalia Felippe.

O economista destaca que a retração nas importações em agosto, comparada a agosto de 2019, preocupa. Segundo ele, o indicador confirma que a economia ainda está em letargia, ou seja, sem reação. “Quando não compra insumos, o empresário demonstra que está receoso com a situação econômica. Não vai investir em matéria-prima para deixar produto parado em estoque. Normalmente, ele aguarda um período mais favorável para então retomar sua produção. Os números do setor automotivo são reflexo dessa realidade”, conclui.

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