Especialistas apresentam sugestões para promover a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho

Debate fez parte da 13ª edição do Reatiba, evento promovido pelo Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial (CPCE) do Sistema Fiep

Por mais que a temática da inclusão de pessoas com deficiência esteja cada vez mais presente no mercado de trabalho, as empresas, de forma geral, ainda têm muitas dúvidas em relação a como proceder a respeito do assunto. Para apoiar as indústrias nesse desafio, o Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial (CPCE) do Sistema Fiep realizou, nesta quinta-feira (17), a 13ª edição do Reatiba, com participação de especialistas na área, com o tema “Todo tempo é tempo de inclusão”. “Embora este tenha sido o 13º Reatiba, o evento sempre se torna único pela importância de debater o tema da inclusão social. Inclusive este momento, em que passamos por uma crise provocada pela pandemia, nos proporciona esse momento único de participar de um movimento que busca a inclusão”, afirmou Rui Brandt, diretor geral do CPCE e presidente do SINPACEL, Rui Brandt.

Para Yvy Karla Abbade, diretora executiva da Unilehu, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho não é uma utopia, mas o processo só ocorre de maneira adequada se as empresas estiverem dispostas a isso. “Para isso, o ambiente corporativo não pode se pautar exclusivamente na limitação da deficiência. É preciso fazer uma reflexão sobre os estímulos e desestímulos para abertura desses espaços, com políticas que reduzam os desestímulos para aumentar os estímulos. E a porta de entrada para um programa de inclusão ser um sucesso são as dimensões da acessibilidade”, afirmou. Entre elas, estão a dimensão arquitetônica (facilitar o acesso); comunicacional (melhorar as sinalizações); metodológica (adequar técnicas de trabalho); instrumental (adaptar instrumentos e utensílios de trabalho); programática (eliminar barreiras invisíveis embutidas nas políticas públicas); e atitudinal (eliminar estigmas e estereótipos).

Sobre estigmas e estereótipos, o escritor e professor Dr. Carlos Roberto Bacila mostrou, em sua fala, como a construção deles é irracional e, portanto, não devem ser levados em conta em uma entrevista de emprego, por exemplo. “Se fôssemos nos guiar apenas pela aparência das pessoas, iríamos descartar muitas pessoas que poderiam contribuir muito para a empresa. Não precisamos de estigmas, precisamos de pessoas que façam a diferença na sociedade”, concluiu. Por sua vez, o consultor em diversidade para empresas Guilherme Bara sugeriu que as empresas que queiram implantar um programa de inclusão comecem fazendo uma análise dos documentos que já existem em seu ambiente corporativo, como o Código de Ética da organização. “Com certeza, a questão do respeito já estará lá na missão da empresa. Basear um programa de inclusão em documentos que já existem traz objetividade a ele e faz com que ele não fique refém de crenças individuais, garantindo que os valores corporativos se sobreponham”.

Durante o evento, a consultora em diversidade do Centro de Inovação Sesi (CIS) em Longevidade e Produtividade Renata T. Fagundes Cunha apresentou os resultados das “Rotas Longevidade e Produtividade 2035”, que também trazem sugestões para promover a inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho. “Com esse estudo, esperamos motivar e inspirar as indústrias e outras organizações a desdobrar essas ações em seus ambientes empresariais, pensando além da inserção para promover de fato a inclusão, com um plano de ação que traga a gestão de diversidade como um todo”, avaliou. As “Rotas” estão disponíveis para consulta pública no site do CIS Longevidade e Produtividade.

 

Sobre o CPCE

Criado pelo Sistema Fiep, o CPCE nasceu como uma organização articuladora interessada em investir na área de sustentabilidade, além de poder orientar sobre os investimentos deste campo e apoiar a formação de empresários e cidadãos comprometidos. Como um catalisador de ideias, reúne as necessidades e interesses do segmento industrial na área de responsabilidade social corporativa e, assim direciona os esforços na execução de projetos socioambientais, culturais e de voluntariado corporativo.

 

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